É fato que o cinema sul-americano ainda é pouco consumido pelos brasileiros. São raras as produções que conseguem chegar aos cinemas e, quando o fazem, muitas vezes é sem o devido prestígio.
“É mais provável que um filme uruguaio seja visto em Berlim do que em São Paulo, o que é extremamente absurdo”, diz Gonzalo Delgado, um dos novos talentos do cinema uruguaio que vem a Curitiba para participar do 4º Ciclo Ficção Viva. Trata-se de uma iniciativa do Projeto Olho Vivo que tem como objetivo debater os processos criativos de profissionais de destaque no cinema latino-americano, além de produzir quatro filmes ao final do projeto.
No Encontro Ficção Viva, que ocorre dia 14 de março na Cinemateca de Curitiba, haverá a exibição do longa-metragem uruguaio “Whisky”, do qual Gonzalo assina a direção de arte e também foi co-roteirista. Após a apresentação haverá espaço para um bate-papo com o convidado sobre sua obra. O encontro é gratuito e aberto ao público em geral.
Lançado em 2004, “Whisky” teve uma repercussão positiva tanto de público quanto de crítica. Dentre as premiações conquistadas pelo filme, destacam-se o Goya de Melhor Filme Estrangeiro em Língua Espanhola, o Regard Original Award e o Prêmio FIPRESCI da Mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes e três Kikitos de Ouro no Festival de Gramado.
Em paralelo, está programado ainda um workshop com o diretor de arte, que ocorre também na Cinemateca, nos dias 14 e 15 de março. Gonzalo abordará noções sobre o processo de direção de arte, através de sua experiência de trabalho.
Trata-se de uma atividade complexa, que engloba a construção visual dos personagens, ambientação dos locais onde a trama acontece e os cenários envolvidos na obra. Elementos fundamentais na composição de um filme. As vagas do workshop são limitadas. “Tentarei desenvolver a idéia de que o diretor de arte é mais um contador de histórias, do que um decorador de espaços”, antecipa.
É justamente esta particularidade que aproxima o trabalho de Gonzalo ao Ficção Viva, que pesquisa a produção ficcional a partir de elementos da realidade. “Em seu trabalho, Gonzalo resgata temas e personagens locais com uma autenticidade tocante”, analisa Marcelo Munhoz, um dos coordenadores do Ficção Viva.
“A realidade é a mãe de qualquer ficção, por isso, sua observação e investigação é uma peça fundamental para o trabalho do diretor de arte. De fato, este trabalho trata de criar realidades cinematográficas, que não necessariamente reproduzem a realidade em si, mas sem haver observado bem a realidade dificilmente pode-se criar uma nova”, comenta Gonzalo.
Sobre Gonzalo Delgado
Nascido em Montevidéu, no Uruguai, em 1975, Gonzalo Delgado Galiana formou-se em direção cinematográfica na Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños, em Cuba. Co-roterizou o filme Whisky (Rebella - Stoll, 2004). Seu trabalho como diretor de arte inclui os longas: 25 Watts (Rebella - Stoll, 2001), Whisky (Rebella - Stoll, 2004), El Custodio (Rodrigo Moreno, 2005), La Perrera (Manuel Nieto, 2006) e Phantasma (Lisandro Alonso, 2006). Curtas-metragens: Perro Perdido (Arauco Hernández, 2003) e Bregman, El Siguiente (Federico Veiroj, 2004).
Sobre o Ficção Viva
As pesquisas de construção dramática desenvolvidas pelo Olho Vivo estão sendo reunidas em um projeto pioneiro. Com patrocínio do Programa Petrobras Cultural, o Ficção Viva realizará três curtas-metragens e um documentário, além de seis ciclos com convidados. Em paralelo aos encontros, estão programados também workshops para dar base ao projeto.
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