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Martine Franck, 1996: Tulku Khentrol Lodro Rabsel com seu tutor Lhagyel, Nepal
A bicicleta do Rei Pelé, o beijo apaixonado de um casal num café de Paris e uma criança brincando debaixo de uma cerejeira em flor. Esses momentos de emoção e alegria podem ser tão fugazes quanto o pensamento, mas são inescapáveis ao simples apertar de um botão. A incrível capacidade de captar grandes e pequenos instantes e eternizá-los com uma câmera fotográfica é a tônica da exposição “Instantâneos da Felicidade,” em cartaz no CCBB-Rio até 15 de julho.
Com 50 obras pertencentes à Coleção Maison Européenne de la Photographie (Paris), de 28 grandes fotógrafos do mundo inteiro, a exposição é marcada pelo que Henri Cartier-Bresson, mestre da fotografia, chamou de “momento decisivo.” Embora não haja lá mais fotos dele do que de qualquer outro, pode-se ver como o ato de fotografar aquele instante certo, preciso, em que tudo acontece em apenas uma fração de segundo marcou a obra de uma série de artistas e jornalistas. A cada fotografia, uma nova surpresa, uma expressão engraçada, um gesto inusitado, um movimento incrível.
A preocupação em registrar um “momento decisivo” pode ser tão grande, que o fotógrafo até se esquece um pouco de outros fatores estéticos da imagem. Uma foto do próprio Bresson, de 1952, mostra um menino carregando uma garrafa em cada mão na Rua Mouffetard, em Paris, com uma expressão de orgulho no rosto. Mas o fotógrafo parece ter se importado tanto em registrar aquela cara de felicidade, que nem deve ter se preocupado se a foto ia sair torta, imitando os passos de um bêbado ou de uma criança que não consegue equilibrar direito o peso daquelas garrafas.
Caminhando pelas salas da exposição, é possível sentir saudades daquilo que não se viveu e mesmo rir com aqueles personagens anônimos fantásticos. Anônimos, mas nem tanto. Ao lado daqueles homens, mulheres e crianças inomináveis, Marilyn Monroe mandando um beijo (Weegee, 1956), Marcelo Mastroianni dançando, ou pelo menos é o que parece (François-Marie Banier, 1986), o Pelé de Alberto Ferreira, foto dos sonhos de qualquer jornalista (1965) e até uma imagem que esteve na Vogue inglesa em 1960 (Frank Horvat). O que só mostra que capturar o momento é o trabalho de grandes fotojornalistas, que ora eternizam o cotidiano, ora documentam o extraordinário.
E quem disse que o cotidiano não pode ser extraordinário? O que dizer da foto embaçada que Bresson fez em 1934 de duas mulheres rolando na cama? Ou ainda a do casal que se agarra num arbusto, só deixando os pés para fora, feita por Walter Carone, em 1948? São imagens que fazem qualquer um pensar no quanto o mundo tem novidades e momentos incríveis, dignos de serem registrados. Aqueles que assistem ao telejornal ou lêem os impressos e pensam: “Caramba! Hoje o jornal está sem notícia!” estão enganados. Nunca se está sem notícia. Nunca não se tem o que mostrar. É só parar para prestar atenção.
E por falar em notícia, “Instantâneos da Felicidade” não se esqueceu dos veículos de comunicação que lançaram, no Brasil e no mundo, os grandes fotógrafos do século XX: as revistas Vu, O Cruzeiro, Realidade, Noël Réalités e Life ganharam uma parede inteira só para elas, como homenagem à revolução que foi o fotojornalismo para a imprensa e para a vida das pessoas.
tags: Rio de Janeiro RJ artes-visuais ccbb instantaneos-da-felicidade cartier-bresson fotografia
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onde fica |
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CCBB-Rio
Endereço: Rua 1o de Março, 66, 1o andar ? Centro.
Curadoria: Jean-Luc Monterosso e Milton Guran
De 21 de maio a 15 de julho, de terça a domingo, das 10h às 21 horas. |
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quando ir |
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21/5/2007 a 15/7/2007 |
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quanto custa |
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Entrada Franca. |
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