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A COR ERRADA DE SHAKESPEARE, de José Endoença Martins, Blumenau, SC · 21/6
Labes, Marcelo · Blumenau (SC) · 18/6/2007 14:17 · 63 votos · nenhum ·
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JOSÉ ENDOENÇA MARTINS
José Endoença Martins é, sem dúvida, um autor notório. Tendo começado sua carreira literária humildemente com varais de poesia pela Universidade Regional de Blumenau, publicou em 1986 o primeiro de uma série de livros de poesia, Me Pagam Pra Kaput. Era o início de uma teorização acerca da Poesia, da literatura blumenauense, catarinense, brasileira.
Endoença, além de poeta, é estudioso da linguagem literária. Foi assim que, tendo sido um dos co-criadores da Nauemblu – corrente literária blumenauense que procurava fugir dos limites geográfico-culturais – iniciou a teorização acerca da literatura. Fosse em relação à literatura blumenauense – aliás, o que existe escrito sobre Blumenalva e Nauemblu foi escrito, se não por ele, mas através de – fosse em relação à sua própria poesia, Endoença trouxe seriedade para a literatura local.
Criador do Poema Minuto e seu principal teorizador, Endoença não se limitou a exortar a ovação a uma Blumenau que nunca foi o quanto já se disse a respeito, mas tratou de, poeticamente, introduzir em sua poesia tanto sarcasmo e tanta crítica quanto ali coubesse. Endoença também não se limitou a ser poeta. Não.
Sendo situado literariamente como pertencente à corrente experimentalista (pós-modernos inquietos, por assim dizer), Endoença publicou, em 1993, o vanguardista Enquanto Isso em Dom Casmurro, obra tipicamente de cunho literário pós-moderno: o autor traz a Capitu, de Machado de Assis, agora negra, lésbica e usuária compulsiva de cocaína, para viver um tempo em Blumenau.
Aliás, a Capitu de Endoença é a mesma de Machado e pode sair de uma história e entrar na outra assim que lhe aprouver. Uma interessante viagem literária de cunho metalingüístico, Enquanto Isso em Dom Casmurro seria a abertura de uma trilogia que falaria, nada mais nada menos sobre a questão da cor e do conceito de “negritice” proposto pelo autor, que segundo suas palavras seria o conceito dual que combina “os aspectos positivos da negritude e as configurações negativas da negrice”.
É o que parece ficar claro com o lançamento do segundo livro da série, O Olho da Cor, de 2003, em que, num formato de peça teatral, Endoença traz novamente a discussão à tona. Dessa vez, é a negra Bertília quem viaja no texto... Ora torna-se branca, ora torna-se negra, até que o controle sobre o poder da transmutação lhe foge das mãos. Ler O Olho da Cor, como pode ser lido no texto de apresentação do próprio livro, é “tentar a compreensão de repetição revisão na literatura blumenauense contemporânea”.
Este ano, foi lançado A Cor Errada de Shakespeare, livro de contos e ensaios sobre o tema que norteia seus livros, desde Enquanto Isso em Dom Casmurro. O livro, aliás, possui o texto em português, traduzido em mais três línguas (inglês, francês e espanhol) justamente para alcançar os interesses da negritice: “abranger as experiências de afro-descendentes nos contatos e nos deslocamentos que inter-culturalidades e inter-racialidades permitem a negros e brancos, e os convidam a experimentar”, segundo o próprio autor. E será esse o livro lançado e autografado na Fundação Cultural de Blumenau.
tags: Blumenau SC literatura blumenau arte cultura lancamento jose endoenca martins cor errada de shakespeare
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onde fica |
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Fundação Cultural de Blumenau - Rua XV de Novembro, 161 - (defronte ao Biergarten) - Blumenau, SC |
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quando ir |
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21/6/2007, às 19:30h |
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quanto custa |
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Entrada Franca - O livro do autor, no momento, será vendido a R$20,00 |
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contato |
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Informações na própria Fundação Cultural: (47) 3326 6977 |
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