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A história de Nova Iguaçu em fotos

de 27/4 a 03/6 · Nova Iguaçu, RJ
Divulgação
Av. Mal. Floriano Peixoto, em 1932. À direita, o Café e Bilhares Elite.
1
Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ
13/5/2007 · 83 · 19
 

Eu e Nova Iguaçu convivemos há um bom número de anos. Moro nessa cidade da Baixada Fluminense desde que nasci, com algumas idas e vindas, quase sempre por questões profissionais. Mas nunca soubemos muito uma sobre a outra. Graças à exposição de fotos históricas “De Iguassú a Iguaçu”, em cartaz no Espaço Cultural Sylvio Monteiro, nos aproximamos mais nos últimos dias.

Fui visitar a mostra e, cerca de meia hora depois, aquelas 43 fotografias expostas já haviam me estimulado a enxergar com outros olhos minha cidade e a querer aprofundar essa nossa convivência diária.

O acervo da exposição pertence ao Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu, que tem entre seus fundadores o professor de História Ney Alberto, organizador do evento. As fotos retratam um pouco da arquitetura, política, urbanismo e população na primeira metade do século XX. E trazem implícitas muito mais histórias do que suas legendas reproduzem.

São curiosidades como a do antigo prédio da Câmara-Prefeitura, imponente numa foto datada de 1929. Segundo o professor Ney Alberto, o edifício erguido à Avenida Marechal Floriano Peixoto, uma das principais da cidade, quase esquina com Rua Otávio Tarquínio, foi ao chão por conta de uma interpretação equivocada, digamos assim, de um prefeito. Ao receber o pedido para que o prédio fosse tombado, ele não pensou duas vezes e ordenou a sua demolição. Pelo visto, no limitado vocabulário do governante, tombar tinha como único significado derrubar. E lá se foi mais um patrimônio histórico de Nova Iguaçu.

Como visitante da exposição, um dos desafios que enfrentei foi tentar localizar, na atualidade, os lugares – ruas, praças, construções – mostrados nas fotos. Uma missão quase impossível. Só pelas imagens, fica difícil imaginar, por exemplo, que o terreno que abrigava a Cadeia e Fórum de Maxambomba, antigo nome de Nova Iguaçu, hoje abrigue a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e São Jorge. Ou ainda que o tradicional Café e Bilhares Elite, point de lazer dos homens da cidade nos anos 1920, tenha dado lugar a um restaurante de comida chinesa na Praça da Liberdade. A tradicional praça que recebeu, em 1933, uma “multidão” para assistir à inauguração do monumento comemorativo do 100º aniversário de criação do município.

“De Iguassú a Iguaçu” é uma agradável aula de história – e imperdível para aqueles que têm interesse em aprender um pouco mais sobre Nova Iguaçu.

onde fica
Espaço Cultural Sylvio Monteiro
Rua Getúlio Vargas 51, Centro ? Nova Iguaçu (ao lado da estação ferroviária, na rua da Paróquia N. S. de Fátima e São Jorge).
quando ir
27/4/2007 a 03/6/2007
quanto custa
Entrada gratuita. De 3ª feira a domingo, das 10h às 17h.
contato
(21) 2667-1851

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Egeu Laus
 

Belo texto, Tetê. Meus parabéns!
Traga mais Nova Iguaçu pra nós!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 9/5/2007 19:33
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Tetê Oliveira
 

Puxa, Egeu, vc já leu? :-)
Obrigada!
Pode deixar que vou compartilhar minhas descobertas com vcs. Inté mais.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 9/5/2007 19:36
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Tetê Oliveira
 

Ah, e dessa vez consegui colocar uma foto... risos

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 9/5/2007 19:37
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Hermano Vianna
 

também gostei muito, Tetê - e a foto é essencial! tem mais? rsrsrsrs

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 9/5/2007 19:54
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Tetê Oliveira
 

Oi Hermano, obrigada. Até tenho mais uma foto, mas aí extrapolaria o tamanho permitido - e não sei como reduzi-la. :-) Vou tentar aprender antes de postar os próximos textos, ok?

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 9/5/2007 21:48
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Hermano Vianna
 

era brincadeira! só com a foto que você colocou já ficou uma maravilha!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 9/5/2007 22:04
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Tetê Oliveira
 

:-)

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 9/5/2007 23:23
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Pedro Monteiro
 

Olá!
Tetê, é você nos ajudando a conhecer o Brasil.
Mandou bém.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 9/5/2007 23:44
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Nivaldo Lemos
 

Bonitos o texto e a foto, a qual tem uma luz diferente de um tempo em que as cidades tinham alma e as pessoas com elas se relacionavam. Uma pena que hoje tantas - especialmente as metrópoles - perderam sua origem e o contato com seus moradores para se transformarem em selva de cimento e pedra. Parabéns pela matéria que resuscita um pouco dessa alma citatina que o "progresso" nos privou. Abraço.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2007 10:56
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Isabela ramos
 

Belo texto e a foto mais ainda! parabéns! fiquei curiosa para ver mais fotos! =)

Isabela ramos · Teresina, PI 10/5/2007 11:31
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Helena Aragão
 

Maravilha, Tetê. Essa história do prefeito que demoliu o prédio é sensacional. Sem brincadeira, acho que deve ter acontecido muita coisa semelhante pelo Brasil. E sem querer defender o prefeito, confesso que acho a palavra tombamento um tanto estranha. Lembro até hoje quando ouvi pela primeira vez - era criança e fiquei pensando: "meu Deus, como querem destruir um prédio tão bonito". hahaha. Coisas da língua portuguesa...

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2007 12:00
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Dora Nascimento
 

Muito bom o texto Tetê, chaga dá vontade de conhcer Nova Iguaçú.
Adorei a foto, principalmente porque é em sérpia, o que torna o passado histórico ainda mais elegante.

Dora Nascimento · Olinda, PE 10/5/2007 12:51
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Ronaldo Pelli
 

Como iguaçuano expatriado (brincava quando moleque, meio sem entender o siginificado exato do termo, que éramos todos iguassuínos), descobrir um tiquinho da minha cidade é, antes de tudo, criar/renovar os laços de afetividade com a região que já vão se enfraquecendo com o tempo longe.

A atitude do prefeito, apesar de inocência na teoria, é quase a mesma dos governantes que espoliam o município desde que me entendo por gente - e antes disso também.

Ronaldo Pelli · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2007 16:29
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Tetê Oliveira
 

Obrigada, pessoal. A foto pertence ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu, mas não se sabe quem é seu autor - por isso, infelizmente, não pude dar crédito (ficou só como divulgação).
Quanto ao verbo tombar, Helena, concordo com vc. Não é uma palavra muito adequada nesse caso, pelo menos à primeira interpretação. Lembro de outra que tem me incomodado muito: "agredir", que a galera do futebol tem usado no lugar de "atacar". Ou seja, atacante não ataca mais, agride. Soa tão estranho e violento pra mim...
Sem querer generalizar, Ronaldo, concordo com vc. Foi assim que se perdeu um outro patrimônio mostrado na exposição: a fazenda São Bernardino. Uma das construções mais bonitas da cidade, e da qual sobraram apenas ruínas de algumas paredes. Após anos de abandono, está em processo de restauração. Vamos ver no que vai dar.
E vc, Dora, será bem-vinda a Nova Iguaçu. Não espere conhecer uma cidade turística, mas ela tem tb seu lado interessante. Até mais.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 10/5/2007 17:14
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Nivaldo Lemos
 

A origem de tombar

Só para esclarecer a origem do termo tombo, que originou o verbo tombar, reproduzo aqui a explicação de meu amigo Márcio Bueno, em seu interessante livro "A origem curiosa das palavras":

"Tombar
Inventariar, registrar, ou colocar sob a guarda do Estado, para preservação e proteção, um bem ou imóvel que tenha valor de alguma natureza para a sociedade. Muita gente estranha que exatamente quando se pretende manter um bem intacto, de pé, diga-se que deve ser 'tombado'. De vez em quando, divulga-se a explicação de que a palavra tem como base a Torre do Tombo, arquivo público de Portugal, onde eram arquivados os documentos referentes à guarda de bens. Na verdade, foi o contrário: o arquivo português, fundado em 1375 pelo rei D. Fernando I, recebeu esse nome porque na época 'tombo' já significava 'arquivo, inventário, registro de documentos'. O nome 'torre' foi adotado por ter sido o arquivo instlado numa das torres do Castelo de Lisboa. (...) O verbo tombar, portanto, assim como a Torre do Tombo, provém de 'tombo'. E este termo, segundo o etimólogo A. Nascentes, está relacionado com 'tumba' - é como se os documentos arquivados ficassem sepultados. J. P. Machado tem outra explicação. Para ele, 'tombo' vem de 'tomo' [volume], que tem origem no latim tomus [pedaço, bocado, livro, fascículo]."

Abraços.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2007 17:45
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Dora Nascimento
 

Nivaldo, adoro saber origens de palavras.
E só para contar mais uma da palavra "tomabar", em 2002 veio um índio da etnia Ashaninka, do Acre fazer uma oficina de vídeo aqui em Olinda e eu o levei para passear e mostrei uma árvore de Baobá que tem na praçinha do fortinho, aqui no Carmo, e expliquei que era uma árvore de origem Africana, sagrada e tudo o mais, e que em Recife tinha uma outra daquela só que bem mais antiga e que por isso foi "tomabada", ao que o Isaac - o Ashaninka em questão - comentou horrorizado:
"Mas porque vão tombar uma árvore linda dessas?" e aí eu tive que explicar o termo.
Agora, com sua explicação, compreendo melhor a palavra.

Dora Nascimento · Olinda, PE 11/5/2007 12:15
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Nivaldo Lemos
 

Valeu, Dora.
Um abraço.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 11/5/2007 14:21
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Tetê Oliveira
 

Obrigada, Nivaldo. Com essa explicação sobre a origem de "tombar", o uso da palavra realmente faz sentido. Abs.

Tetê Oliveira · Nova Iguaçu, RJ 11/5/2007 15:48
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Anderson S. Ribeiro
 

Bela História de Nova Iguaçu.
Parabéns pelo trabalho.
www.novaiguacunaweb.com.br

Anderson S. Ribeiro · Nova Iguaçu, RJ 15/9/2010 04:08
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