Em “Vacío”, que será apresentado nos dias 9 e 10 de novembro, às 21 horas, no Teatro Poeira somente, o ator argentino radicado na Espanha, Mario Vedoya, interpreta três monólogos, “Vacío”, “La Puerta” e “Presencia”, do espanhol José Sanchis Sinisterra, textos que refletem o fazer teatral com base na relação entre ator, personagem e público. As apresentações e a oficina gratuita que o ator ministra integram o PROJETO PUENTE, com curadoria de Aderbal Freire Filho.
“– Na realidade, são três maneiras de, do palco, dialogar com o público. Um ator, um palco vazio e um público, os três elementos indispensáveis para convocar esse mistério chamado teatro. Para mim teatro é o que não se diz, o que não se faz, o que não se toca e o que não se vê; portanto, teatro é: o que não é. A grande virtude de Sanchis está em fazer com que o diálogo com o espectador deva ser construído não a partir das palavras, mas a partir dos silêncios. E isto aguça o instinto e obriga o ator a funcionar a partir do precário equilíbrio em que o silêncio ativa e responde, e a fadiga não o atinge”, afirma Mario Vedoya.
O vazio (vacío), a quietude, o silêncio e a escuridão serão os elementos dos quais falará o ator, dividido entre sua autonomia aparente e a consciência de que suas palavras não lhe pertencem, que ele executa um trabalho e que, às vezes, francamente não lhe facilitam: sem história alguma que contar, órfão de fatos, enfrenta-se aos espectadores sem mais recursos do que sua percepção e uma memória sem lembranças: “Tu fazes e dizes o que está escrito e ponto. Nada de lembranças.”
“– Acontece às vezes que o teatro, cansado de falar do mundo e de suas loucuras, precisa olhar seu umbigo e falar de si mesmo. Deixar de lado, sim, por um ou dois instantes, o enorme leque de grandes e pequenos temas que a vida humana – cheia de vida e de fúria – lhe exige tratar, e perguntar-se por seus próprios fios, por sua urdidura, por sua magia e seus truques, por seu poder e suas debilidades. E por seus quatro pontos cardeais: o vazio, o silêncio, a escuridão (a obscuridade) e a quietude. Mas, oh, fatalidade! também acontece às vezes que, ao falar de si mesmo, ao pretender tão somente jogar com seus recursos, interrogar-se zombeteiramente sobre a trama de convenções e artifícios que o constituem como arte, por a descoberto os mecanismos da ficção e outras travessuras pelo estilo, o mundo se mete nele pelas coxias e acaba por se fazer ouvir, por se fazer ver, por impor inexoravelmente seus temas grandes e pequenos. Algo assim sucede, eu temo, neste pequeno tríptico que, fingindo expulsar do teatro tudo o que não seja a própria essência da teatralidade, jogando de soltar os fios da ilusão cênica – a ação, o texto, o personagem, o ator, o cenário, o autor, o público… -, não pode evitar dar de cara com algum dos temas cardeais da vida humana: o ser e o ter, a origem e o fim, a morte e a sobrevivência”, diz José Sanchis Sinisterra.
Na oficina “A presença do ator – circundando o intangível”, Mario Vedoya propõe uma viagem incerta a partir de uma série de exercícios reveladores que aproximam atores e atrizes da essência teatral e os afastem das fórmulas fáceis. Estes três conceitos: o estar, o fazer e o falar ao interagirem levam a um quarto conceito que é o compor, isto é: o estar, o fazer e o falar do personagem, e não do ator, não de si mesmo. A oficina é um diálogo revelador entre o intérprete e o personagem. As inscrições gratuitas podem ser feitas pelo e-mail teatropoeira@teatropoeira.com.br.
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