Exposição produzida pela Assembléia, em parceria com a Copasa e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, em decorrência das comemorações do Dia do Artesão. O tema adotado este ano é "o barro", e será feita uma homenagem póstuma ao ceramista Ulisses Pereira Chaves e à Cerâmica do Candeal. Estarão expostas para comercialização apenas peças dessa cerâmica, que é produzida na pequena comunidade rural de Cônego Marinho, situada a 50 quilômetros de Januária, Norte de Minas. As obras de Ulisses Pereira Chaves expostas fazem parte de acervos do Iepha e do Sesc.
Conhecido como "o ceramista do Apocalipse", Ulisses Pereira Chaves nasceu em 15 de maio de 1930. Em sua região, foi o precursor no trabalho com o barro, que, até então, era matéria-prima apenas das mulheres. O artista não se deixava fotografar ou filmar, por acreditar que "isso tira a energia da pessoa", como costumava dizer. Ulisses Pereira moia o barro, fazia alisamento com um sabugo de milho e queimava as esculturas no forno à lenha. Podem-se notar semelhanças entre suas carrancas e arte milenar da Ilha de Páscoa. Figuras zoomorfas, antropomorfas, entes sobrenaturais de um único pé, outros com inúmeras cabeças, minotauros. É considerado o maior ceramista do Vale do Jequitinhonha. Suas peças são internacionalmente conhecidas e ele foi indicado para o Prêmio Unesco de Artesanato para América Latina e Caribe.
Candeal é uma pequena comunidade rural situada no município de Cônego Marinho, depois de Januária. Há mais de três gerações, o povo de Candeal trabalha com cerâmica. Atualmente, as oleiras de Candeal são em torno de 20 mulheres, que, graças a uma parceria entre Ongs e instituições governamentais desenvolvida a partir dos anos 90, conseguiram um galpão digno para trabalhar. O processo de trabalho é comunitário e a produção é a que tem o menor preço entre todos os artesão em Minas Gerais. As peças são muito conhecidas, principalmente no Estado do Rio de Janeiro, onde acontecem exposições no Museu do Folclore Edison Carneiro e na Casa O Sol. Cada vaso ou utensílio é tão parecido com o outro que chegam a se confundir. Uma única forma, básica, matricial, repete-se sempre, a cada novo exemplar modelado. As peças são utilitárias e têm formas primitivas, aliando o belo ao útil, servindo ainda de modelo de equilíbrio entre função e forma para designers contemporâneos.
Neste período será lançado o "Catálogo de Artesanato do Sebrae MG, 2006/2007" e a revista "Brasil Feito à Mão" do Instituto Centro Cape.
Saiba mais sobre o Ulisses Pereira
http://www.ceramicanorio.com/artepopular/valedojequitinhonha/ulissespereira.htm
O trabalho do Ulisses é maravilhoso - já tive a oportunidade de ver várias peças dele expostas aqui no Rio de Janeiro. Que ótima indicação esta. Quem vive em BH não pode perder esta expo.
Muito interessante a supertição de Ulisses.
Vamos divulgar a exposição lá no Clube das Gerais.
Êi, Andréa, valeu o toque do overmundo, quero ver a oficina por aqui, vamos nos falando, abraço
Sávio
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