(Black banda 'jurássica' - dos anos 70 - em fase de ressuscitação)
Em 1975 foi criado no Rio de Janeiro um grupo musical chamado Grupo Vissungo. O quarteto era formado pelos irmãos Spírito Santo e Lula Espírito Santo e Carlos ‘Codó’ Brito, filho do grande violonista Clodoaldo Brito, o ‘Codó’ - professor emérito de muita gente boa, tal como João Gilberto, Caetano Veloso, Egberto Gismonti e Gilberto Gil.
A proposta do Vissungo era a de construir uma música negra brasileira moderna, a partir da similaridade evidente existente entre a cultura negra tradicional do Brasil e o que, em termos musicais, ocorria na África contemporânea, principalmente na Nigéria, terra de Fela Kuti, mas também em Angola, e Moçambique, onde florescia uma música também moderna, de intenções políticas libertárias, no contexto das lutas de libertação, contra o colonialismo.
Aprofundando sua pesquisa de campo o grupo passou a exercer a difusão da música africana, tanto em seus aspectos originais quanto em sua expressão chamada de afro-brasileira se ligando a figuras essenciais desta corrente como Clementina de Jesus e João do Valle, ícones da década anterior lançados nos shows ‘Opinião’ e ‘Rosa de Ouro’ e nesta ocasião no ostracismo) e um pouco mais tarde, a Aniceto 'do Império Serrano', figura histórica do samba carioca mais profundo e um dos maiores especialistas em Partido Alto.
Em meados da década de 80, o Vissungo entra enfim no mercado fonográfico, a partir da autoria, junto com Wagner Tiso, da premiada trilha sonora do filme Chico Rei de Walter Lima Júnior (veja nota abaixo), único disco na trajetória do grupo que participou também nesta época como convidado especial nos discos de carreira de Milton Nascimento ('Encontros e despedidas)'; Wagner Tiso ('Branco & Preto/Preto & Branco') e Tetê Espíndola ('Gaiola').
É nesta ocasião que o grupo decide se radicar em Viena, Austria, se recompondo com músicos locais, entre os quais o guitarrista vienense Claudius Jelinek, o baixista uruguaio Pablo Solanas e o percussionista senegalês Jimmy Wolof.
O dia 5 de Novembro de 1995, num espetáculo na Sala Cecília Meirelles, em comemoração ao mês de Zumbi de Palmares marca o retorno ao Brasil. Para sua nova formação, o grupo recorreu a uma fonte musical, impensável nos anos 70/80: um núcleo de jovens músicos negros, o Centro Cultural Donana, na Baixada Fluminense. De lá vieram Lauro Farias, baixo (depois no 'O Rappa'), Reinaldo Amancio (ex- 'Cabeça de Nego'), além do batera Jahir Soares, decano do 'reggae raiz' carioca. Integraram também o Vissungo, neste seu 'último' espetáculo, Welington Coelho (Farofa Carioca) e Paulão Menezes (Bia Bedran). Na época de sua última tentativa de ressurgimento, antes da aposentadoria em 1996, o grupo ensaiava um novo baixista muito talentoso (e famoso hoje dia) chamado 'Seu' Jorge.
É incrível que agora, novamente em Novembro, exatamente no Dia Nacional da Consciência Negra, o Vissungo esteja renascendo das cinzas, e ainda recebendo seus convidados: Irinéa Maria Ribeiro, Marko Andrade e o percussionista uruguaio, Fabrício Magnone além de músicos ex-alunos do projeto Musikfabrik da Uerj.
O Grupo Vissungo 2009 é:
SPIRITO SANTO - Vocal solo, marimbas, kalimba
LULA ESPIRITO SANTO - Violão e vocal
SAMUKA de JESUS - Percussão e vocal
JAHIR SOARES - Batera
LERI MACHADO- Baixo
REINALDO AMANCIO- Guitarra
RODRIGO 'DREADS" - Percussão
CARLOS CODÓ (In memorian)
Direção artística - Irinéa Ribeiro
Direção Técnica - Felipe Cavalieri
Nota suplementar à matéria:
..”O épico Chico Rei deu continuidade ao projeto de um cinema histórico mais atento às elaborações mitológicas que ao rigor das versões acabadas. Lima Jr. usa a história do primeiro escravo a se tornar dono de ouro no Brasil para investigar as suas próprias raízes negras.
O Grupo Vissungo, em sua fusão de arte e militância, teve papel decisivo na formatação sonora do filme, que ainda mobilizou ícones da música negra brasileira como Milton Nascimento, Clementina de Jesus, Naná Vasconcelos e Geraldo Filme. “
Trecho do artigo “um cinema que quer ser música”
de Carlos Alberto Mattos Publicado na revista Veredas (CCBB/Rio,
Acabei de voltar daí...mas quem sabe...
Boa sorte sempre
...Contudo a honra, de minha parte seria certa
Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 15/11/2009 18:10
Eita rapaziada longeva! SomZera di prima pra mexer pezim e cintura noa Bundestag Place. Alles Blau!
Küsse!
Vida longa (ou segunda vida longa?) ao Vissungo. Pena eu não poder ir ai aplaudir de perto. Fico de longe na torcida, esperando um CD com as músicas.
bjos
Mracujina eu saco, assim como água de flor de laranjeira, mas Cola fosfafata Soel... Isto não chegor aqui no Sudeste não, Adro. Para cá veio até o Rhum Creosotado, mas cola, sei não.
Se tiver uns frascos dela aí manda pr cá que eu acho que dá onda.
Incrível, fantástico, extraordinário!
Papo sério:
Ontem, de forma estranha, na hora em que o Vissungo começava a tocar a segunda música (por acaso uma adaptaç]ão de um ponto de vudu do Haiti) já com a platéia eletrizada, teve um... apagão (sim! Não riam que rolou mesmo) e justamente no... quarteirão do teatro.
Queimou um transformador. O mais inacreditável é que, de forma não menos incrível, ninguem da platéia arredou pé e o VIssungo teve que fazer dois números de improviso, no escruo, só com que rolava acústico, marimbas com batera e congas, voz e violão, e a platéia querendo mais e conversando conosoco como num talk show de cegos. Uma maluquice.
Oferecida a opção de devolução dos ingressos ninguém quis saber de pegar o dinheiro de volta: Vão voltar todos hoje. Como o público de hoje promete sem bem maior que o de ontem (estávamos com mais ou menos 1/3 da casa cheio) a expectativa é de superlotação da casa (fato inédito para o local que fica no pé do morro da Formiga onde ontem rolava uma guerra de traficantes)
Em suma, é o velho Vissungo do passado voltando garotão e no seu velho estilo aventureiro.
Se eu soubesse que era tão bom já teria voltado antes.
Cintia,
Estamos bem animados e nesta expectativa por novos shows. Tem umas coisinhas já pintando por aí. Como se sabe, não temos (Nunca tivemso) empresários, vamos credenciando voluntários que se animam em nos conviadr ou inserir em programas.
Disposição é o que não nos falta.
Abs
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