CONSCIÊNCIA NEGRA COM APRESENTAÇÕES DOS ESPETÁCULOS AMÊSA E NO OUTRO LADO DO MAR... TEXTO DO ANGOLANO JOSÉ MENA ABRANTES
Os espetáculos ficam em cartaz no Colégio Estadual Leonor Calmon, em Cajazeiras, nos dias 20, 21, 27 e 28 de novembro,
19 horas, com entrada franca para os alunos e ingressos à R$ 5,00, para a comunidade.
AMÊSA, direção Suelma Costa
Amêsa ou a canção do desespero é um texto de José Mena Abrantes, escritor que viveu alguns anos da guerra pela independência de Angola e toda a guerra civil que se iniciou logo após a independência. Por isso, é impossível pensar esse texto distinto da história de Angola, assim como não dá para separá-lo da história do próprio autor.
O texto trata da personagem Amêsa narrando sua própria história. Sua narrativa parte, não dos fatos, mas das marcas que ficaram em seu corpo e em sua alma,.que simbolicamente revela as marcas e lembranças de uma Angola que ainda grita e sente na pele de seus filhos a dor da guerra.
O espetáculo AMÊSA realizou 09 apresentaçãoes em LUANDA - ANGOLA, no Festival Internacional de Teatro de Curitiba, Festival Ipitanga - prêmio de Melhor Atriz, Texto e Iluminação, e Festival Cena Baiana no Ceará e Maranhão 2009.
http://www.youtube.com/watch?v=ZrG2eZIFBMw
NO OUTRO LADO DO MAR..., direção Suelma Costa
Com o espetáculo “Amêsa” iniciamos uma viagem rumo às cicatrizes deixadas pela guerra (explícita ou não) no corpo de uma pessoa. Desejando dar continuidade a essa caminhada, fizemos a opção por “No outro lado do mar...”, texto também de Mena Abrantes, que foca outro ângulo da mesma experiência. Neste texto, é como se pudéssemos ver de dentro pra fora, do centro para a superfície.
Iniciamos o processo andando, de mãos dadas, no escuro. Muitos foram os registros inconscientes do nosso corpo que se apresentaram no processo de criação. Sentimos medos, angústia e agonia, mas estávamos vivendo um exercício profundo de nos ver com um “terceiro olho” proposto por Aldren, e isso nos ajudava a ter alguma serenidade no processo.
Algumas brechas de luz foram se abrindo no caminho. O homem e a mulher, personagens da cena, foram encontrando suas casas nos corpos de Everton e Ana, e a consciência de que esses personagens são arquétipos comuns na atualidade foi-se ampliando. No entanto, o escuro, com os seus silêncios, ao invés de sumir com o tempo, tornou-se a atmosfera do espetáculo. Afirmou-se. Reafirmou-se.
http://www.youtube.com/watch?v=8lmNmbzcKt0&feature=fvst
A CIA:
Neste ano a Cia de Teatro Gente está completando uma década de nascimento. São dez anos de busca por uma identidade que seja, ao mesmo tempo una e multe, respeitando e sustentando as muitas diferenças de quem a mantém viva.
Nessa busca, a CIA foi montando espetáculos que investigam o corpo vivo do ator, as diversas formas de estar presente em cena, mas que se propõem também a investigar lugares que pertencem a tantas outras questões relacionadas à raça, ao gênero, às origens, às histórias de vida, à espiritualidade, ao social, às individualidades, às relações, à ancestralidade, ao silêncio, ao invisível.
No repertório os espetáculos: BARRELA de Plínio Marcos, UMA MULHER VESTIDA DE SOL, de Ariano Suassuna, AMÊSA E NO OUTRO LADO DO MAR..., texto de Mena Abrantes.
Para onde a Cia está caminhando hoje, aos dez aninhos, com essa pesquisa e mais esse espetáculo cheio de nascimentos e mortes? “Não sei. Sinceramente, não sei.” Mas penso que chegaremos a algum lugar... quem sabe...
No outro lado do mar...
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