No Brasil, alguns cineastas e documentaristas foram diretamente influenciados pela experiência filmográfica do francês Jean Rouch. Neste mês, o Cine Dragão apresenta três filmes emblemáticos da sua filmografia e três filmes de cineastas brasileiros que navegaram na linguagem cinematográfica de Rouch. Censura: 14 anos
Programação:
Dia 10
Eu, um negro (1959 – 73')
Direção: Jean Rouch
Jovens nigerienses deixam sua terra natal para procurar trabalho na Costa do Marfim. Em meio à civilização moderna, chegam a um bairro operário de Abdijam. O herói, que conta sua própria história, se auto-denomina Edward G. Robinson, em honra ao ator americano. Da mesma forma, seus amigos escolhem pseudônimos destinados à lhes forjar, simbolicamente, uma personalidade ideal.
Dia 10
Os mestres Loucos (1955 – 30')
Direção: Jean Rouch
Filmado em apenas um dia, o filme revela as práticas rituais de uma seita religiosa. Rouch registra o rito de possessão, saliva, tremedeiras, respiração ofegante…, são os signos da chegada dos ‘espíritos da força', personificações da dominação colonial. No dia seguinte, os iniciados retornam às suas atividades cotidianas.
Dia 17
Iracema um Transa Amazônica (1981 – 90')
Direção: Jorge Bodanzky e Orlando Senna
O filme é um auto-retrato da população da Transamazônica. Conta a história de uma menina do interior que vai a Belém com a família para pagar promessa na festa do Sírio Nazaré. O novo meio e as companhias que a levam à prostituição. Conhece num cabaré o motorista de caminhão, Tião Brasil, negociante de madeira. Influenciada pelas outras prostitutas, ela quer ir para os grandes centros ( São Paulo e Rio) e pega carona com o motorista.
Dia 24
O País de São Saruê (1971 – 80')
Direção: Vladimir Carvalho
O País de São Saruê é um documentário sobre a vida de lavradores, garimpeiros e outros moradores do nordeste brasileiro, filmado em preto-e-branco no fim da década de 1960. É um ensaio audiovisual sobre a vida na região paraibana do Rio do Peixe, situada no “polígono da seca”. As imagens são acompanhadas pela narração de um poema de Jomar Moraes Souto, inspirado nas próprias imagens captadas por Carvalho e sua equipe ao longo dos quatro anos de produção.
Dia 30
São Paulo Sociedade Anônima (1965 – 107')
Direção: Luís Sérgio Person
Um jovem gerente da indústria de autopeças de São Paulo entra em crise quando não consegue se adaptar à vida burguesa e sem horizontes. Ao mesmo tempo tem conflitos com a esposa e as duas amantes.
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