O futuro já dura muito tempo no século 27, quando Bernard Marx e Lenina se vêem imersos na experiência de um reality show. Confinados, vão lidar pela primeira vez, quem diria, com o impacto das próprias emoções. Isso porque eles fazem parte de uma experiência para mostrar como a vida funciona sem o Soma, a substância legalizada pelo Estado e que subtrai qualquer sensação de desconforto e angústia, trazendo felicidade perene aos cidadãos da Nova Ordem Mundial.
Eis o enredo de "Admirável e só para selvagens", que estreia dia 7 de janeiro, às 20h, no Espaço Sesc, em Copacabana. "Admirável e só para selvagens" – que é inspirada no clássico "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, de 1932 – conta com patrocínio da Oi e da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro. Apoio cultural do Oi Futuro.
A atriz e diretora Miriam Virna divide a adaptação do texto com o autor Yuri Vieira, o palco com o ator Alessandro Brandão e a direção com Hugo Rodas. Miriam Virna acaba de ser indicada para o Prêmio Zilka Salaberry em quatro categorias (melhor concepção visual, figurino, adaptação de texto e atriz) pelo espetáculo infanto-juvenil "Fragmentos de Sonhos do Menino da Lua", montado no CCBB-RJ em 2010.
Sobre a peça
Bernard e Lenina são vigiados 24 horas por Mustafá Mond, um dos poderosos administradores do Estado Mundial, que prega a abolição da Arte, da Religião e do Amor em favor do bem-estar da comunidade. Apesar do discurso cético, Mustafá passa boa parte do tempo filosofando a respeito de Shakespeare e da Bíblia. Seu interlocutor é John, sujeito criado na não civilizada Reserva de Selvagens e que por isso tem uma visão de mundo humana e sensível.
É neste mosaico incomum de personalidades que se passa Admirável e só para selvagens, montagem consagrada na cena teatral de Brasília. Em 79 anos, "Admirável mundo novo" inspirou filmes, peças e inundou corações e mentes ao preconizar um mundo onde o consumo e a busca pelo prazer e pelos excessos ganhariam protagonismo. Do livro original, Miriam Virna e o dramaturgo Yuri Vieira retiraram o arcabouço principal e centraram a peça em quatro personagens. Miriam Virna interpreta Lenina e Mustafá Mond, enquanto Alessandro Brandão interpreta Bernard e John, o Selvagem.
“Li este livro na adolescência e fiquei muito impactada, como, aliás, todas as gerações até hoje. Desde 2006 venho desenvolvendo o projeto que ganha forma definitiva agora com a estreia no Rio. Trata-se de uma novela futurista sobre temas surpreendentemente contemporâneos”, destaca Miriam Virna.
Carro-chefe: trabalho dos atores
Apesar da aura futurista e tecnológica, o espetáculo tem como carro-chefe o trabalho dos atores. Ambos estão em cena sem o apoio de adereços, troca de figurinos ou saídas pela coxia. “É um trabalho que valoriza a interpretação e o texto”, observa Miriam. Dois elementos da encenação que dialogam e dão suporte à proposta são a iluminação – assinada pelo premiado Renato Machado – e a trilha, criada para o espetáculo e executada pelo DJ Quizzik. Acontece também um trabalho marcante de sonorização, através do uso de microfones que ampliam e modificam as vozes dos atores.
“Se na juventude ao ler este livro me surpreendi, hoje, aos 70 anos, percebo a atualidade brutal que a história propõe, a mensagem é mais forte agora do que antigamente”, observa o consagrado diretor Hugo Rodas. Para o ator Alessandro Brandão, a peça faz um retrato do mundo atual. “As pessoas hoje não sabem como preencher as próprias vidas e mergulham no excesso de bebida, internet e droga, o que faz crescer a distância entre o que realmente é essencial”, diz.
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