Depois de passar pelas cidades Goiânia, Porto Alegre e Curitiba, por meio do projeto BR Petrobras Cultura e Circulação, a montagem inédita da Cia Club Noir de São Paulo, “Comunicação a uma Academia”, será apresentada nos dias 18,19 e 20 de junho, no Teatro do Sesi, em Vitória.
Inspirada no texto de Frank Kafka, a peça traz um macaco (Juliana Galdino) que conta à platéia como se tornou humano. O escritor criou, em 1912, a história da metamorfose de um caixeiro-viajante em um inseto.
Em 1917, ele fez o inverso, criando a transformação de um macaco em um homem. O texto aborda esse processo, trazendo à tona as qualidades e defeitos dos seres humanos.
No palco, o macaco reflete e compara a sua condição animalesca anterior com a atual humanidade conquistada - hesita, se contradiz, torna-se agressivo, sarcástico, niilista, arrogante, frágil e perplexo.
Vigiado por um guarda armado (José Geraldo Júnior), o animal relata como foi difícil aprender a se comportar e a pensar como uma pessoa. Enfatiza que lutou para se habituar a atitudes como: apertar mãos, fumar cachimbo (costume que caracteriza civilização), beber aguardente, falar (conquista suprema) e, por fim, pensar.
A encenação é minimalista, o palco é, praticamente, vazio de objetos e repleto das palavras da "criatura". "O trabalho é pautado na imobilidade dos atores, em movimentos mínimos (mas significativos), numa luz fria e crepuscular e no emprego musical da fala, alternando ritmos, sensações e sobreposições", conta o diretor Roberto Alvim.
As paredes do cenário são forradas por placas de mármore verde-musgo, com uma grande cabeça de leão empalhada no alto. Nesse lugar, separado da platéia por uma corda de isolamento, o macaco fala, e sua palestra ocorre sob a tensão constante oriunda da presença vigilante de um guarda armado com um rifle.
Alvim que também assina o cenário, iluminação, figurinos e trilha sonora, criou um ambiente frio, asséptico, claustrofóbico para traduzir a atemporalidade do texto, que segundo ele não deixa nada a desejar se comparado às obras produzidas na contemporaneidade. Depois de passar pelo Espírito Santo, a montagem seguirá para Florianópolis.
Cia Club Noir
A companhia Club Noir foi criada em 2006 pela atriz Juliana Galdino e pelo diretor e dramaturgo Roberto Alvim com o objetivo de encenar autores contemporâneos em obras que dialoguem com a atualidade. O espetáculo Anátema, de Roberto Alvim, apresentado em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ao longo do ano de 2007, marcou a fundação do grupo. Homem sem Rumo, do dramaturgo norueguês Arne Lygre, encenado em São Paulo em 2007, foi a segunda montagem da companhia. O espetáculo rendeu as indicações aos Prêmios SHELL de Melhor Direção e Melhor Iluminação (ambos para Roberto Alvim), e ao Prêmio Bravo de Melhor Espetáculo Teatral do ano. A estréia de O Quarto, de Harold Pinter, em novembro de 2008, marcou a inauguração da sede da companhia, construída com o patrocínio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.
Ficha TécnicaTexto: Franz Kafka
Tradução e direção: Roberto Alvim
Elenco: Juliana Galdino e José Geraldo Jr
Cenário, Iluminação, figurinos e trilha sonora: Roberto Alvim
Produção Executiva: Danielle Cabral
Assistente de produção: Júlia Novaes
Fotos: Julieta Bacchin
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