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De terça a sábado, até o final de julho, a Secult (Ce) abre a exposição Desmantelos do Amor, no Museu do Ceará, em homenagem ao Dia dos Namorados, dia 12 de junho.
Além de marcar a efeméride, o trabalho traz diversas possibilidades de reflexão do amor, reunindo folhetos de cordel.
O encontro coloca o amor enquanto um dos grandes temas da humanidade. Destrincha os significados do material exposto, observando sensações a partir das situações contadas em linguagem de cordel: “pavões misteriosos alçam vôo levando amantes perseguidos; homens deixam suas mulheres para viver com jumentas na Paraíba”, cita o professor e pesquisador Gilmar de Carvalho, em trecho retirado do texto de abertura da exposição.
A exposição dos folhetos tende a provocar reflexões sobre a densidade do amor. Da impossibilidade de enquadrá-lo ou explicá-lo em poucas linhas.
Confira, na íntegra, o texto de abertura da exposição:
DESMANTELOS DO AMOR
(Gilmar de Carvalho)
Muitos podem torcer a cara e achar que o dia dos namorados não passa de uma estratégia de vendas. Podem até ter razão...
Queremos deslocar o foco e falar do amor, um dos grandes temas da Humanidade.
Ele move o mundo, desde sempre. As narrativas davam conta de nossos medos e perplexidades, contadas ao pé das fogueiras, versando, na maioria das vezes, sobre a “arte do encontro”, como cantou um poeta.
“As Mil e Uma Noites” mostram até hoje que ele se tece nas fábulas.
O amor virou cordel, literatura vendida pelos ambulantes e exposta no chão das feiras.
Se levássemos em conta a idéia de ciclos, estaríamos diante do maior de todos.
Mesmo quando o romance ou a história versa sobre religião, humor, valentia ou ganha um caráter noticioso, o amor é ponto de partida ou reta de chegada.
O cordel veio na bagagem do colonizador português e aqui se teceu com os mitos indígenas e a visão de mundo dos africanos. Estava feita a síntese, marcada pela violência e não pela cordialidade, como querem alguns.
As histórias de amor migraram para o folhetim, que se tornou uma fórmula, com desencontros, abandonos, traições, melodrama, golpes teatrais, tudo o que nossa imaginação ousava buscar na vida e levar para a escrita.
Falamos sempre de amor, na chamada alta literatura, nas novelas de rádio ou nas telenovelas, produto brasileiro para exportação.
O Museu do Ceará revolveu seu acervo e encontrou um sem número de folhetos de amor.
Eles estão expostos aqui e agora, mostrando o ridículo, o altruísmo, as renúncias, a pieguice, a dissimulação, tudo o que envolve o amor num véu de sutilezas ou de exagero, de paixão sufocada ou de emoção desmedida.
Pavões misteriosos alçam vôo levando amantes perseguidos; homens deixam suas mulheres para viver com jumentas na Paraíba; Coco Verde e Melancia são tão importantes quanto Romeu e Julieta; Suely prometia uma noite de amor em troca de um ponto de rifa; quem ama, infelizmente, pode matar, como mostram algumas histórias.
Esses folhetos vão tecendo uma colcha de retalhos, um vigoroso painel, um caleidoscópio e ficamos sabendo um pouco mais desse sentimento, misterioso e denso, que nem a letra nem a voz conseguirão explicar de todo.
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onde fica |
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No Museu do Ceará - Rua São Paulo, 51, Centro de Fortaleza. Vizinho à praça dos Leões. |
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quando ir |
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12/6/2007 a 31/7/2007, às 08:30h |
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quanto custa |
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É de graça! |
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