O livro “Francisco Seibel e Emilio Schultz: dois fotógrafos num casamento pomerano” conta um pouco da história da expansão e da penetração do ofício de fotógrafo nas zonas rurais do país. Apresenta a produção fotográfica de dois fotógrafos descendentes de imigrantes que atuaram no interior do Estado, Laranja da Terra e Laginha de Pancas, entre os anos de 1930 e 1970, com raízes fincadas na tradição e cultura pomerana.
O trabalho dos dois fotógrafos demonstra a relevância que a imagem fotográfica tem na vida das comunidades pomeranas capixabas, marcadas pela cultura rural desde o início da imigração até hoje. As imagens de Francisco Seibel e Emilio Schultz apresentadas no livro fazem parte de um acervo de mais de 800 imagens em papel e negativos de vidro, que foi na íntegra digitalizado.
O autor e pesquisador Paulo de Barros teve como objetivo preservar e divulgar esse documentos fotográficos e discutir a importância do trabalho desses dois fotógrafos para as comunidades pomeranas no estado. A fotografia teve papel fundamental na comunicação entre muitos grupos que imigraram no século XIX e suas comunidades de origem. As fotografias deixadas pelos imigrantes, e também as que trouxeram dos parentes que não vieram, permitiram a manutenção de elos entre os que partiram e os que ficaram na terra natal, contribuindo para a conservação dos laços culturais e afetivos, pois elas possuíam o caráter simbólico da presença da família.
Outro caso interessante nesse período de imigração, mencionado pelo autor eram os casamentos arranjados por fotografia. Foi comum entre os imigrantes o envio ou troca de fotografias com esse interesse.
Para Paulo de Barros a fotografia teve um papel importante não só como registro dessa jornada realizada pelos imigrantes e como uma forma de manter os elos com suas origens, mas também colaborou para a construção de um sentimento de pertencimento do imigrante com o novo lugar que ocuparam com a imigração: ao registrar por meio da fotografia a si próprio, suas famílias e suas conquistas o imigrante criava também um elo com esse novo espaço ao qual agora pertence e que constrói.
Parte do conteúdo do livro é dedicado às particularidades da vida dos dois fotógrafos: suas origens no interior do Estado, os laços de amizade existentes entre eles e o início da relação com a fotografia. O autor busca reconstituir o processo de trabalho dos dois fotógrafos apresentando para isso os recursos técnicos com os quais os dois trabalhavam e o cotidiano de suas atividades, procurando com isso retratar a aventura de ser fotógrafo numa
realidade rural do Espírito Santo, principalmente no período compreendido entre os anos de 1930 e 1970, fase mais intensa das atividades dos fotógrafos Francisco Seibel e Emilio Schultz. As experimentações e criações de Francisco Seibel e Emilio Schultz eram diversas e passavam pela marcenaria, relojoaria, eletrônica, e, também, entravam no campo da fotografia, criando, entre outros objetos, máquinas fotográficas, equipamentos de laboratório fotográfico e disparadores automáticos de câmeras fotográficas. Produziram ainda artesanalmente foles e demais peças para concertina, alem de móveis, violinos e relógios cucos.
Ao apresentar o acervo fotográfico dos dois fotógrafos, Paulo de Barros dá ênfase aos temas a que mais se dedicaram os dois fotógrafos: fotografia de família, crianças, mortuária, arquitetura e a fotografia do casamento pomerano, este ultimo o foco e o tema principal da profissão destes dois fotógrafos.
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