Depois do sucesso de público em sua temporada de estreia em Belo Horizonte e no Festival Internacional de Teatro de Curitiba, no primeiro semestre deste ano, o espetáculo “BarbAzul”, do Grupo Teatro Andante, está de volta a Belo Horizonte, de 04 a 28 de novembro, no teatro Marília (Av. Prof. Alfredo Balena, 586 – Centro), de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Inspirados no livro “Mulheres que Correm com Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, Ângela Mourão e Beto Militani recriam no palco os personagens do conto infantil inventado pelo francês Charles Perrault, no século 17. Trata-se da história de um nobre violento, que após matar várias esposas, se casa novamente com uma jovem bela e curiosa, A Caçula. Ao partir para uma viagem, ele entrega as chaves do castelo para a jovem, mas a proíbe de entrar em um dos quartos. Na ausência do marido, A Caçula não resiste à curiosidade e, com a pequena chave dos arabescos, ela abre o quarto proibido, se deparando com o sangue e os cadáveres das antigas esposas de seu marido.
Os ingressos estarão à venda na bilheteria do Teatro Marília uma hora antes do início do espetáculo, a preços populares.
Clássico literário
Há mais de quatrocentos anos, Barba Azul compõe o imaginário ocidental por meio da tradição oral. O espetáculo é o resultado do desafio de contar, por meio de uma linguagem contemporânea, o cândido e cruel encontro entre o mais temido dos homens e a mais tola das moças. “É uma história arquetípica e por isso diz respeito a todos nós, à própria condição humana, independente dos padrões de desenvolvimento consumista, tecnológico, urbano, global ou qualquer outro adjetivo com que se queira definir a contemporaneidade”, diz a diretora e atriz do espetáculo, Ângela Mourão.
O livro de Clarissa Pinkola Estés trouxe ao espetáculo a essência da natureza feminina, domesticada ao longo dos tempos, mas aflorada por estímulos psíquicos que decorrem do instinto de sobrevivência. O mito do Barba Azul fala das relações de dominação, das relações de submissão não só entre homens e mulheres, mas também entre mulheres e entre homens, entre hierarquias sociais diversas. “Os mitos nos constelam o tempo todo no nosso dia a dia e nos ajudam a tomar decisões e fazer escolhas, constituir os nossos princípios e a nossa ética”, explica Ângela Mourão.
Recursos
Na peça, são utilizadas diversas técnicas cênicas, como dança, música tocada ao vivo e narração de histórias para contar, de maneira lúdica e divertida, mas ao mesmo tempo poética e lírica esta história que, apesar de mítica, tem à ver com nossa vida cotidiana e atual.
“BarbAzul” é direcionado pelos mesmos princípios que têm norteado a trajetória artística do Teatro Andante: a sofisticação técnica da linguagem cênica, aliada à comunicação popular; espetáculos profundos e poéticos, mas despojados na montagem e na comunicação com o público.
Montado durante o ano de 2009, o espetáculo contou com um time de peso, artistas convidados pelo Andante, renomados em Belo Horizonte e no Brasil que contribuíram e inovaram junto aos componentes do próprio grupo.
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