Primeiro foi a Índia. Agora, a África do Sul. Com seu novo espetáculo Milágrimas, o coreógrafo Ivaldo Bertazzo, 56 anos, insere a dança contemporânea brasileira na realidade cruel do apartheid social em que vivemos e inclui, de fato, a periferia nessa área artística. De um lado, pelo conteúdo, do outro, pela própria “mão-de-obra” com que trabalha.
Com um grupo de bailarinos do projeto social Dança Comunidade, que inclui jovens da periferia de São Paulo e do Rio de Janeiro, em 2004 ele produziu Samwaad – A Rua do Encontro, que fazia ponte com a cultura indiana. Desta vez, traz ao palco a cultura popular da África do Sul usando, além da dança, o canto.
Para fugir do estereótipo dos batuques africanos, Milágrimas aposta na voz e nas canções. Para isso, trouxe de lá o grupo Kholwa Brothers, especialista nos cantos à capela de rituais africanos (cultura conhecida como Isicathamiya), que ajudou durante três meses no trabalho com a voz dos bailarinos.
O espetáculo, com trilha sonora de Benjamim Taubkin e Arthur Nestrovski, traz momentos em que os bailarinos cantam à capela e interpretam músicas brasileiras de, entre outros, Dorival Caymmi e Itamar Assumpção (aliás Milágrimas é o nome de uma música desse último). A trilha do espetáculo saiu em CD e um livro mostra o universo do Dança Comunidade.
O espetáculo é uma grande chance de ver a periferia e nossas raízes africanas para muito além dos estereótipos a que estamos acostumados. E, claro, uma chance de se emocionar com tanta beleza.
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