O maior choque que os olhos azuis dos tranqüilos blumenauenses sofreram nos últimos tempos foi com uma série de reportagens que saiu no Jornal de Santa Catarina tempos atrás. A série trazia matérias da jornalista Magali Moser e mostrava que por trás da flores, da arquitetura programada e das vitrines do centro da cidade de Blumenau, havia uma outra cidade, quase uma outra dimensão.
A jornalista trouxe à tona com a sua série uma questão cara às autoridades blumenauenses: como esconder aquilo que nos prejudica o turismo? É bem difícil, na verdade, esconder uma favela ou, no caso, evitar que seus habitantes sejam notados. Mas muita gente só descobriu que cerca de 50 mil blumenauenses vivem em favelas, amontoados em barracos, depois que Magali mostrou essas famílias na série de reportagens.
Como uma grande matéria precisa de um bom arsenal fotográfico, Magali divide os créditos com o fotógrafo Jandyr Nascimento, com quem passou duas semanas visitando as chamadas sub-moradias de vítimas da então esclarecida segregação habitacional. O trabalho dos dois repórteres poderá ser conferido a partir do dia 22 de novembro e se estende até 14 de dezembro.
São tempos de músicas natalinas. E são tempos do tradicional altruísmo de Natal. Pois bem. O que não se pode prever é como reagirão as pessoas que, dessa vez, terão oportunidade de ver a exposição Cidade Escondida, de Magali Moser e Jandyr Nascimento. Certamente que nunca mais idealizarão a cidade (tão bonitinha) como sendo um paraíso europeu escondido no meio dos morros do Vale do Itajaí.
E nunca mais pensarão tratar-se Blumenau de uma cidade sem favelas.
Que pena que a preocupação das autoridades em geral é só esconder o feio dos turistas e não tentar mudar a situação... No Rio de Janeiro, deu no que deu.
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2007 17:49
Pois é, Helena. Certa vez, quando da volta do Pasquim, lançaram uma manchete "Décio Lima, o prefeito da cidade sem favelas!" Pode isso? Depois se ficou sabendo que a prefeitura cedeu ao pessoal do Pasquim um camarote na Oktoberfest. Mas tem muito blumenauense que ainda não percebeu - por ingenuidade ou burrice - que existem favelas.
Houve quem disse que a matéria de Magali era sensacionalismo.
(...)
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