A galeria baró cruz inaugura no próximo dia 7 de julho de 2009 a exposição ”VIDEO in foco / FOTO in foco” com o intuito de revelar o panorama da produção de artistas do Brasil, Argentina, México, Cuba, França, Alemanha, Inglaterra e Espanha que utilizam a linguagem do vídeo e da fotografia na tradução de diversos conceitos contemporâneos.
A idéia da exposição é apresentar trabalhos em vídeo, que utilizam a linguagem da fotografia em sua construção: às vezes em stop-motion ou com imagens estáticas gerando uma ‘fotografia em movimento’.
A exposição também traz trabalhos em fotografia que caminham no sentido contrário, se apropriando da linguagem do vídeo ou da pintura na criação de imagens através de câmeras - algumas pin-hole - que retratam a temporalidade e o movimento dos ‘frames’ do vídeo gerando cenas congeladas pelo registro fotográfico.
Estas duas linguagens colocadas lado a lado exercitam a construção e desconstrução da imagem e da própria ferramenta que já foi absorvida pelo mercado das artes visuais e seus artistas há mais de duas décadas.
Outra proposta é promover questionamentos sobre estas produções dentro do circuito mercadológico: como estes trabalhos ‘tecnológicos’ são inseridos no mercado e/ou; como os processos de reprodução e apropriação destas imagens e conceitos são tratados pela crítica e pelos próprios artistas.
O Brasil está representado pelos artistas Camila Sposati, Cristiano Lenhardt, Flaminio Jallageas, Roberto Bellini, Ana Teixeira, Claudia Jaguaribe, Daniel Athayde, Gui Mohallem, Jorge Menna Barreto, Lina Kim, Laura Erber e pela dupla Raquel Kogan & Lea Van Steen.
Raquel e Lea apresentam o trabalho inédito ‘nada ao infinito’ composto por imagens desfocadas dispostas em dois monitores que dialogam entre si.
Destaque também para ‘Retratante e Retratado’ vídeo do jovem artista gaúcho Cristiano Lenhardt, onde dois seres sem identidade estabelecem diferentes formas de contato utilizando como signos flashes, obturadores, disparadores, lentes e instrumentos musicais.
O Espanhol Enrique Radigales mostra o vídeo ‘Dossier: la ventana de la escisión’, uma narrativa audiovisual feita por meio de comparações das situações comuns entre a internet, o vídeo e a pintura captadas a partir da perspectiva da janela do atelier do próprio artista.
Outros trabalhos que compõem a mostra também utilizam de analogias a pintura na produção de fotografia como o do francês Titouan Lamazou que apresenta uma releitura do famoso quadro “Bathtube #3” de 1963, de autoria do pintor pop norte americano Tom Wesselmann e do brasileiro Daniel Athayde, com fotografias de ‘natureza-morta’ feitas com produtos estragados de supermercados paulistanos.
O argentino Alejandro Chaskielberg e o alemão Michael Wesely exibem fotografias realizadas com câmera de longa exposição onde o movimento e a temporalidade do vídeo é transparecida em imagens figurativas e abstratas utilizando a própria luz como a criadora da foto. Já Gui Mohallem mostra esta idéia de tempo ao fotografar uma mesma pessoa em diferentes anos de sua vida.
Claudia Jaguaribe e Jorge Menna Barreto exibem trabalhos em fotografia feitos a partir de stills do vídeo original.
O artista conceitual cubano Wilfredo Prieto faz do vídeo um instrumento de documentação de um momento íntimo. Em ‘planetas’ suas fezes são projetadas em looping dando a impressão de planetas girando em órbita.
Estes e outros trabalhos demonstram que essas mídias são – ainda mais regularmente – utilizadas pelos artistas de hoje como uma forte ferramenta em suas representações.
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