Das cortes dançantes dos Reis Congos, inventadas ainda em Portugal, originaram-se várias agremiações dramáticas que hoje se espalham por todo o Brasil: Maracatus, Taieiras, Cacumbis, Congadas e Moçambiques, dentre outras. Umas ainda bastante vinculadas ao contexto religioso, outras passando a figurar em outras datas, como o Carnaval. Umas valorizando a história das guerras entre os Cristãos (fiéis) e os Mouros (muçulmanos), outras correndo rua sem parar.
No entanto, é de se notar em todas a presença dos Reis Negros com sua corte e a forte devoção a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito ou Santa Ifigênia. As congadas reproduzem em seu instrumental as características básicas da música africana, como a polirritmia e a presença de instrumentos tradicionais como as marimbas, embora tenham se apropriado de toda sorte de instrumentos europeus.
A Congada de Sta. Efigênia de Mogi das Cruzes é um dos poucos exemplos de grupos tradicionais que conseguiram se rearticular no contexto adverso da Grande São Paulo. Originária da região de Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, para onde anualmente retorna cumprindo a devoção dos ancestrais, organizou-se nos anos 50 na cidade de Mogi das Cruzes, com a união de mineiros que vieram trabalhar nas siderúrgicas locais e de paulistas convertidos ao folguedo.
Até há pouco liderada pelo saudoso Zé Baiano, a Congada de Sta. Efigênia está sob o bastão de Gislaine Donizete Afonso, a Laine, sua filha e herdeira da tradição. Juntamente com a Congada de São Benedito de Cotia é uma das mais tradicionais e importantes da região. Conhecida pelo vigoroso batido das caixas e pelas coreografias, a Congada de Sta. Efigênia vem compor com os irmãos do Rosário do Largo do Paissandu os festejos do centenário de fundação de sua igreja.
O grupo Cambaiá apresenta o Moçambique, dança dramática da região do Vale do Paraíba paulista, em um panorama extenso dos diferentes ritmos, melodias e dos figurados coreográficos que exigem dos dançantes grande habilidade técnica no manejo dos bastões e dos paiás (chocalhos de perna), que acrescentam uma sonoridade toda especial à música do Moçambique. 1h de duração.
O grupo Cambaiá existe há oito anos e sua formação atual conta com 20 integrantes titulares e alguns convidados, divididos entre as funções clássicas da dança: rei/rainha (responsáveis pela guarda e condução da bandeira), mestre (coordenador da cantoria e da dança), contra-mestre, tipe (segunda voz do mestre), contrato (segunda voz do contra-mestre), capitão de linha, soldados e músicos.
Muito legal... São Paulo necessita mais desse tipo de manifestação.
Emmo · São Paulo, SP 23/3/2006 13:53Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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