Guilherme Leme dirige texto inédito no Brasil do inglês Joe Penhall no CCBB
''O universo de um hospital psiquiátrico, a divergência sobre diagnósticos, problemas políticos relacionados à saúde pública, racismo institucionalizado e jogos de poder'' são algumas das questões levantadas na peça “Laranja Azul”, texto inédito no Brasil do premiado autor inglês Joe Penhall, considerado pela crítica britânica um dos melhores dramaturgos da sua geração.
Depois de encenar com grande êxito O Estrangeiro, o ator e diretor Guilherme Leme começa a dirigir esse texto vencedor do Laurence Olivier Awards. Para colocar em cena o drama entre um jovem negro esquizofrênico e dois psiquiatras num hospital psiquiátrico londrino, Leme chamou os atores Rogério Froes, Rocco Pitanga e Pedro Brício. O trio nunca havia trabalhado junto, mas garante que a experiência tem sido fértil e extremamente proveitosa. “Está sendo muito agradável trabalhar com Rocco e Brício. Guilherme é um diretor jovem na praça e estou gostando muito do método de trabalho dele. O texto é maravilhoso e acho que vai causar um grande impacto no público”, garante Fróes. Já o ator e também dramaturgo, Pedro Brício, considera a peça de Joe Penhall muito bem arquitetada, com toda a sofisticação do pensamento e humor ingleses. “A experiência dos ensaios e do mergulho nesse universo tem sido intensa, estamos passando por muitas descobertas e discussões sobre a loucura”, garante Brício. Rocco Pintanga raspou a cabeça para fazer o papel do atormentado Cris e considera essa experiência o grande desafio de sua carreira. “É o trabalho mais interessante que já fiz em minha vida, um personagem difícil e cheio de nuances, uma oportunidade maravilhosa para meu crescimento como ator”.
Intensa também é a fase de Guilherme Leme que conciliou o fim da temporada de O Estrangeiro com os ensaios de Laranja Azul depois de ter dirigido Betty Faria em Shirley Valentine no CCBB de São Paulo. O cenário criado por José Dias transforma o teatro lll do CCBB em uma enorme caixa branca com o cenário também todo em matizes de branco .A luz ,com criação de Tomás Ribas , também conta apenas com diferentes tipos de neon branco, e até mesmo o público terá que vestir um jaleco branco para assistir o espetáculo. “A idéia é fazer o espectador se sentir realmente dentro de um hospital”, explica Leme. A trilha sonora, assinada por Marcelo H, traz o punk rock e distorções de guitarras para perturbar o equilíbrio dessa monocromia . Sérgio Saboya assina a produção dessa montagem que deve criar verdadeiras cicatrizes no mundo psiquiátrico brasileiro.
Críticas Internacionais:
“Jogos de Poder que criam uma cicatriz no mundo psiquiátrico”
New York Times
“Texto vigoroso... Penhall tem o dom de tratar de assuntos sérios de forma bem humorada e apresentar uma indignação moral sem didatismos... Uma sátira instigante.” Guardian
“Eu saí da peça de Joe Penhall num estado de absoluta excitação... Um dos melhores textos inéditos da história do teatro inglês.” Sunday Times
“Engraçada e irreverente... o texto de Penhall é vibrante do começo ao fim.” The Independent
Cenário, iluminação e trilha sonora interagem bem; de maneira que o espectador possa interagir da maneira mais espontânea possível - como não poderia deixar de ser. Falas que instigam e são provocações diretas ao público. No entanto, ainda não há uma interação forte entre os atores, a impressão que se tem é que a peça ainda não "decolou".
Charles Antonio · Magé, RJ 29/10/2009 16:57Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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