A Arte Naïf’ de José Pinto
O Centro Cultural Correios apresenta a exposição José Pinto e a Permanência do Ingênuo. Com curadoria do historiador holandês radicado no Brasil, Pieter Tjabbes, a mostra traz 43 óleos sobre tela produzidos no período de 1971 a 2004 pelo artista popular baiano José Pinto.
José Pinto fez muito sucesso nos anos sessenta e setenta, admirado por personalidades como Jorge Amado, Walmir Ayala, Flávio de Aquino, entre outros, foi considerado um dos grandes talentos da arte popular. Mudou-se para Rio de Janeiro nos anos setenta, mas não emplacou sua carreira devido a uma longa doença. Apesar disso ter lhe impedido de organizar exposições, José Pinto nunca parou de produzir.
José Pinto e a Permanência do Ingênuo revela a força e persistência deste artista, cuja obra esteve um pouco esquecida, mas que certamente pertence ao que chamamos de ‘arte popular’, que frequentemente é considerada como a “mais genuína manifestação do povo brasileiro”, ressalta Pieter Tjabbes, curador da exposição.
Os trabalhos do artista José Pinto se desenrolam na sua melhor forma em torno do universo religioso. Pintura de santos, imagens e cenas bíblicas são representadas de diversas formas. Outra fonte de inspiração constante é a paisagem rural da Bahia, no cultivo do cacau. O fato de haver uma distinção entre o estilo dos dois assuntos mais recorrentes - santos e paisagens - é muito interessante. Quando o artista trata de imagens de santos, faz uma representação mais formal, com um fundo colorido, sem nenhuma profundidade, remetendo ao aspecto do imaginária dos ícones bizantinos e russos, porém sem criar distanciamento. José Pinto ‘brinca’ com os santos que, cercados por pessoas alegres e coloridas, socializam com os fiéis. Nas paisagens, ele se deleita muito mais com o ato da pintura, detalha com gosto as cenas, e cria assim cenas de grande encanto e com uma dosagem de saudosismo, explica o curador. “Só em alguns casos o artista combina estes dois estilos, quando coloca as cenas da Santa Ceia dentro da paisagem tropical”, complementa Pieter Tjabbes.
Sobre a Arte Naïf’
Historicamente, o termo ‘Arte Naïf’ nos chegou via arte moderna, por meio das pinturas de cunho “ingênuo, bruto, não sofisticado”, de autoria do alfandegário Henri Rousseau, expostas no Salão dos Independentes, em Paris, a partir de 1886. Os inquietos artistas da virada do século XIX buscavam novos caminhos, inspirando-se na força transmitida pelos trabalhos de povos primitivos, de crianças e de loucos.
Certamente, é um estilo que hoje está na contramão das tendências artísticas que celebram espaços virtuais e grandes tecnologias. O artista naïf muitas vezes busca informações técnicas na arte erudita. Já o artista erudito moderno nutriu-se do vigor, da alegria e da objetividade da arte naïf. Exemplos conhecidos são pessoas do povo, como Waldomiro de Deus, Mestre Noza, José Costa Leite e Chico da Silva, que não tiveram a oportunidade de estudar arte. Outros, como Raimundo de Oliveira e Leônio, apesar de terem frequentado alguns cursos, produzem à maneira ingênua, sem simbolismo ou metáforas: narrativas sinceras de lugares e crenças profundamente enraizadas.
‘Arte ingênua’, ‘arte popular’, ‘arte naïf ‘ ou ‘espontânea’ são denominações que, por vezes se confundem e por vezes se aplicam a conceitos sutilmente diferenciados. São pinturas, geralmente muito detalhistas, executadas com massa de cores densas. A energia das cores vibrantes e o dinamismo da tela são as marcas salientes, assim como sua narrativa clara e didática. Outras características da arte popular são o preenchimento da tela inteira com detalhes e o uso simplificado da perspectiva, que ressalta a superfície do q
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