O projeto O Autor na Praça cria seu Selo Editorial com uma publicação muito especial: o livro Lampião, o Sertão e Sua Gente, de José Vieira Camelo Filho, o Prof. Zuza. Este ano completam sete décadas da morte do Rei do Cangaço, Maria Bonita e mais nove companheiros, ocorrida na manhã de 28 de julho de 1938, numa emboscada que ficou conhecida como o “Massacre de Angico”, em Poço Redondo-SE
O lançamento acontece num espaço de cultura popular: o Arte Lua Nova & Bar. Nesta edição, ampliada e atualizada, o autor apresenta todo um contexto para o surgimento do cangaço e seu principal representante: Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. No livro o Prof. Zuza, geógrafo, cientista social e pesquisador participante (de campo), traça um paralelo sobre como a questão social e a disputa por um espaço de chão influenciaram no surgimento das revoltas populares, de grupos e líderes que buscavam maneiras de estabelecer um poder paralelo, em contraponto ao governo constituído, que não cumpria seu papel de manter a estabilidade e, principalmente, a justiça social.
Na noite do lançamento haverá leituras e performances com a participação do Cantador de Alto Belo Téo Azevedo e do artista do graffiti Eduardo Kobra e convidados, além de apresentação musical com Cícero de Crato e os músicos da casa liderados pelo Ernesto Doset. Visite o sítio oficial de Lampião.
“Lampião, o Sertão e sua Gente” procura contribuir com o debate a respeito da História dos conflitos sociais ocorridos nos sertões do Nordeste, tendo o cangaço como objeto de análise. Trata-se de um movimento constituído de várias nuances no tempo e no espaço. Suas primeiras manifestações ocorreram na década de 1830, com grupos espontâneos que agiam no meio rural, instrumentalizados para resolver disputas políticas entre os potentados locais ou pela propriedade da terra. O cangaço sempre foi caronista dos momentos de crises políticas e sociais ocorridas em várias etapas da História do Brasil. O auge das suas ações e da organização cangaceirista se deu nas três primeiras décadas do século XX, sobretudo com o surgimento de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, a partir de 1918. O leitor vai ter a oportunidade de compreender parte da história da gente sertaneja e o seu modo pacato de vida em meio a um furacão de agitações e de conflitos com suas crendices e imaginários; nos quais se inclui os cangaceiros, as volantes e os próprios coronéis fundiaristas. Apesar de focar as questões relacionadas ao cangaço, o livro também faz alguns fleches a respeito de outros movimentos sociais que ocorreram em várias localidades do território brasileiro, tais como Canudos e a Revolução Federalista, que eclodiram na última década do século XIX; Contestado e a Sedição do Juazeiro, na segunda década do século XX; Caldeirão e Pau-de-Colher, na terceira década. Todos esses movimentos tinham em comum a luta pelo acesso e posse da terra, exceto a Revolução Federalista e a Sedição do Juazeiro que apresentavam um cunho mais político. O cangaço chegou ao fim em 1940, com a morte de Corisco e a prisão de Dadá, mas as questões da grilagem, do acesso e posse da terra não foram resolvidas, da mesma forma que a vingança como forma de fazer justiça ainda persiste. Nos últimos anos, padres e freiras vêm sendo assassinados, o que não ocorria no tempo de Lampião. Portanto, a situação piorou porque naquela época apenas os trabalhadores sem terra e os índios eram vitimados. Apagaram Lampião, mas os problemas da terra continuam acesos, acrescidos da degradação ambiental, a devastação da floresta Amazônica, como no Pará e na Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
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