Furor na íris é o segundo livro de contos do mineiro Marcus Nascimento, sócio-fundador da produtora Emvideo, onde desenvolve atividades como roteirista e diretor de vídeo. Resultado de uma intensa observação do cotidiano, a obra alinhava várias narrativas, numa textualidade fortemente imagética. Marcada por uma ironia radical e desconcertante, é uma espécie de captura fragmentada de um tecido social esgarçado, corruptível, pleno de personagens consumidos pelo tédio, pela ilusão, pelo abandono.
O lançamento do livro acontece em duas datas: 1º de setembro, às 11 horas, no Centro de Cultura de Belo Horizonte; e dia 6 de setembro, a partir das 19h30, na Livraria Quixote. Nas duas ocasiões, será exibido o vídeo Conto cego, dirigido pelo autor, inspirado no conto que abre a publicação.
Feito em equipe, como os trabalhos audiovisuais realizados profissionalmente pelo autor, o livro foi elaborado em etapas, que incluíram pesquisas sobre bioética, procedimentos cirúrgicos e investigações policiais. Há duas autoras convidadas, Jacqueline Guimarães Ferreira e Sandra Duarte Penna. O projeto gráfico é de Cristiano Trindade, e as ilustrações, grafismos, fotos e frames, do artista visual Marcelo Kraiser. A estética surgiu processualmente, como story boards, a partir de esboços dos contos, e foi trabalhada como um elemento da narrativa, ora impressionista, ora em consonância com a literalidade textual. Na composição, a visualidade apresenta fontes diferenciadas, granulações, textos recuados, cores, tabelas, texturas pixeladas e colagens.
O livro surgiu a partir de 25 sinopses, pequenas idéias para histórias que o autor vinha desenvolvendo, desde o lançamento de sua primeira obra, “A palavra no espelho”, de 2003. Em Furor na íris, o leitor depara-se com 19 instantâneos da vida cotidiana. Na primeira seção do livro, fragmentada em 13 partes, “O doador de órgãos”, conto que traz as desventuras quase cinematográficas de homens comuns, às voltas com as relações de perda, ganho e alienação do corpo. O processo de criação de “O doador de órgãos”, como toda obra literária que se preze, exigiu inspiração, mas também muita transpiração. Ao longo da criação o autor consultou médicos, delegados e psiquiatras. O resultado são textos com enxertos de anúncios, classificados, notas policiais e fichas criminais: uma verdadeira montanha russa, que trafega pelas incongruências da alma, pelos paradoxos éticos e pelo sentimento de despertencimento humano.
Furor na íris, um livro sonoro e imagético, busca os pontos onde a vista pousa, a íris se agita e a alma se abala. Inevitavelmente contaminado pela linguagem audiovisual com a qual trabalha o autor, é uma obra literária que relaciona, de forma híbrida, o vídeo e a prosa-poética, em um texto ágil, de prazerosa leitura, que brinca com o som e o desenho das palavras. Em cada conto, podem ser capturadas não somente a observação do cotidiano, a leitura de jornais, a vivência nas ruas, como também o diálogo com autores como Machado de Assis, Samuel Becket, Ovídeo, Oscar Wilde, Manuel Bandeira, W. H. Auden, e até mesmo o colunista José Simão (cuja crônica inspirou o desenvolvimento do conto “A falsa cartomante”).
fala sergio,
legal a dica. a capa tá linda.
Já li o livro, garanto que é muito bacana, as histórias são surpreendentes e o visual é lindo. valeu, sérgio.
MPTL · Belo Horizonte, MG 31/8/2007 09:39
marcus nascimento é o improvável: um inovador. nem tudo está escrito, nem todas as formas de escrever foram exploradas. "furor na íris" é um grande e bom susto - é revelador!
lolvstein · Belo Horizonte, MG 2/9/2007 16:27Nasce um escritor .... Um livro imperdível, visual estonteante...
lunia · Belo Horizonte, MG 2/9/2007 17:44
sou insuspeito para comentar, pois ilustrei o livro.
foi uma das colaborações mais ricas que já realizei, trabalhar com o Marcus e o Cristiano foi uma coreografia de idéias, textos, imagens, atritos, detritos e belezas!
Concordo com lovstein: Marcus Nascimento é realmente o improvável. Tudo que lhe é frontal é estranho, o inacabado é sua música interior. Um pesquisador de traços dotado de um espírito fragmentado. Grande Marcus!
Amélia Clos · São Paulo, SP 3/9/2007 14:26
Aguardo ansiosa o próximo livro... Não tem nada inédito pra mostrar pra gente?
Amélia Clos · São Paulo, SP 5/9/2007 17:39Os livros que sandra penna, andré caetano e chico de paula já escreveram e ainda não publicaram. o livro que jacqueline ferreira ainda não escreveu, mas já existe.
Dr. House · Belo Horizonte, MG 7/9/2007 12:50As fate its way with his irresistible characters, tenderly comic yarn, Marcus Vinicius orchestrates with a great humor the sad histories changing it in hilarious situations. Also the images are so attractive that sometimes we wish only to page thru the book to appreciate it.
flavia berindoague · Estados Unidos da América, WW 9/10/2007 21:20Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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