O Museu Oscar Niemeyer de Curitiba, PR, abre a exposição Marcello Grassmann – Sombras e Sortilégios.- 08 de abril a 29 de agosto de 2010.
Na mostra antológica estão reunidos trabalhos de desenhos, xilogravuras, litografias e gravuras em metal, tendo como o curador Antonio Carlos Abdalla. A exposição exibe 420 obras das diversas fases percorridas por Grassmann, com o patrocínio do BRDE, Sanepar e o apoio do Ministério da Cultura, do Governo do Paraná e da Caixa Econômica Federal.
Marcello Grassmann
(1925, São Simão, SP)
Autodidata, interessou-se inicialmente pela escultura. Estuda fundição, mecânica e entalhe em madeira na Escola Profissional Masculina do Brás, São Paulo, entre 1939 e 1942. Passa a realizar xilogravuras a partir de 1943. Atua como ilustrador do Suplemento Literário do Diário de São Paulo, entre 1947 e 1948, e do jornal O Estado de S. Paulo, em 1948. Reside no Rio de Janeiro a partir de 1949, atuando como ilustrador do Jornal do Estado da Guanabara. Freqüenta, no Liceu de Artes e Ofícios, os cursos de gravura em metal, com Henrique Oswald (1918 - 1965), e de litografia, com Poty (1924 - 1998). Em 1952, reside em Salvador, onde trabalha com Mario Cravo Júnior (1923). Em 1951 obteve medalha de ouro no Salão Nacional de Arte Moderna. Em 1952 e 1954 conquistou o prêmio de viagem à Europa no mesmo Salão. Participou da Bienal de Veneza (1950 e 1961) e da Bienal de São Paulo (a partir de 1951). Entre 1969 e 1970, os Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro inauguraram retrospectiva de seus 25 anos de gravura. Seu percurso expositivo estendeu-se do Brasil para o exterior, tendo realizado diversas individuais - entre as mais recentes, podemos citar as realizadas no Espaço Augusta e em Nóbrega Antiquário e Galeria de Arte, ambas em São Paulo, 2002. Nesse mesmo ano, recebeu o Prêmio IBEU de Artes Plásticas. Geraldo Ferraz escreveu sobre Grassmann em 1975: "Adstrito aos temas que se desdobraram na fidelidade de sua visão adstringentemente original, entre o visionário e o fantástico, Grassmann paira acima de qualquer discussão. Ele pertence à arte maior." José Roberto Teixeira Leite, com muita propriedade, acentuou que "Grassmann é deliberadamente arcaico, seu mundo é o de um faizeur de diables, flor perdida no tempo e no espaço do gótico fantástico".
REFERENCIAS: A gravura brasileira contemporânea (Expressão e Cultura, 1966), de José Roberto Teixeira Leite; A arte maior da gravura (Espade, 1976), de Orlando Dasilva; De Anita ao museu (Perspectiva, 1976), de Paulo Mendes de Almeida; História geral da arte no Brasil (Instituto Walther Moreira Salles/Fundação Djalma Guimarães, 1983), coordenação de Walter Zanini; Marcelo Grassmann (Art, 1984), texto de Pedro Manuel; Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand (JB, 1987), de Roberto Pontual; Museus Castro Maya (Agir/Banco Boavista, 1994); Dacoleção: os caminhos da arte brasileira (Júlio Bogoricin Imóveis, 1986) e Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: 1816-1994 (Topbooks, 1995), de Frederico Morais; O olho da consciência: juízos críticos e obras desajuizadas (Edusp, 2000), de Arnaldo Pedroso d'Horta, organização de Vera d'Horta; Gravura: arte brasileira do século XX (Itaú Cultural/Cosac & Naify, 2000), de Leon Kossovitch, Mayra Laudanna e Ricardo Resende; Gravura em metal (Edusp/Imprensa Oficial SP, 2002), organização de Marco Buti e Anna Letycia; Relâmpagos: dizer o ver (Cosac & Naify, 2003), de Ferreira Gullar.
Cintia,
Belas obras.
Por certo, valerá a pena ver esta magnifica exposição.
Pena que eu,sendo natural do Paraná,esteja tão longe e sem condições de comparecer.
bjs
Uma bela exposição de traços marcadamente sensíveis. Parabens ao Marcelo Grassmann e a você, querida Cintia, pela divulgação. Bjos.
graça grauna · Recife, PE 14/4/2010 22:29
Maravilha. Alimento para o Espírito.
Um abraço. jbconrado
Sabe Cintia, qualquer coisa que nos remeta a era medieval me chama à atenção, nem sei porque.
Adoraria ver esta exposição.
Um bj
Querida Cintia,
Uma excelente exposição. Merece visitação com certeza.
Beijos,
R. Marcchi
Puxa!!! E quando vem pra cá?
85 anos de Marcello Grassmann! Se
perguntarem na escola as crianças
só conhecem a Tarsila e o Portinari.
Essa poesia fantástica, enigmática
do Grassmann parece que não tem
vez no mercado de arte.
abraço; belas dicas , Cintia
Pucha!!! o cara é cobra mesmo... Muito bom! Pena eu não poder viajar... Tenho uma prima que mora em Curitiba; vou
passar para ela... Boa divulgação!
Beijosss
ai ai... a parte (única) triste de ta no sertão é perder essas vernissagens e outros... que raramente chegam pra gente.
abreijo moça linda
Que mergulho nos portais da beleza minha cara Cínthia!
raphaelreys · Montes Claros, MG 20/4/2010 09:23
Muito bom!!!
Cada um com sua história,luta e amor pelo o que faz.
Abraço,amiga!
Sempre bom, o teu olhar e gosto pela a arte.
Luz!
CRÔNICAS DO MOTTA
http://cronicasdomotta.blogspot.com/2010/05/acima-da-mediocridade.html
Acima da mediocridade
No dia 5 de dezembro do ano passado publiquei uma "crônica" intitulada "A lição do mestre", que abordava a iniciativa do desenhista e gravador Marcello Grassmann, um dos mais importantes artistas brasileiros, de vender, numa edição especial, 189 magníficas gravuras em metal.
Claro que, apesar do preço ser altamente convidativo, o exclusivíssimo lançamento se destinava a um público de alto poder aquisitivo ou a fundações ou museus de arte - existem tantos espalhados pelo país.
Achava que vários deles se interessariam pelo verdadeiro tesouro que lhes era oferecido.
Tola ilusão! Ontem, uma mensagem recebida de Paulo Grassmann, sobrinho do grande artista, informava sobre o desinteresse dos mecenas tupiniquins em apoiar a arte maior de Marcello Grassmann.
Reproduzo a mensagem na íntegra porque ela é um depoimento importante sobre uma certa mentalidade que domina essa tal "elite" do país, tão apegada a modismos passageiros quanto desligada dos verdadeiros e mais importantes criadores da arte brasileira:
Como vai caro Motta, há um tempo você postou "A LIÇÃO DO MESTRE" sobre a edição especialissíma de Grassmann. Pois é, "dizem" que o mercado de arte está superaquecido, obras compradas por milhões... menos Grassmann. Sua obra/edição especial é desprezada!!! Ele não conseguiu absolutamente ninguém interessado, Milu Vilella e tantos outros não "a querem"... A edição "desprezada" da obra de GRASSMANN
está em www.marcellograssmann.blogspot.com
Uso um texo de Dirceu Villa para expressar meu pesar.
"Que Grassmann seja um dos nossos maiores artistas não há ou não deveria haver nenhuma dúvida; que se fale dele e se o veja — e este é evidentemente o principal — tão pouco em exposições, em livros, naquilo que se chama a mídia, afinal, é motivo de dúvida: ou nos tornamos uns verdadeiros estúpidos, ou se trata de uma estupidez mais branda, embora estupidez ainda, a de termos nos esquecido.
Não é difícil encontrar algumas de suas obras originais aqui e ali, no meio de paisagistas medíocres, de enormes porcarias que se vendem para enfeitar as paredes dos Jardins. O difícil é que elas sejam devidamente apreciadas, que haja o reconhecimento necessário para focalizar sua obra, e ensiná-la; mesmo porque boa parte de sua obra se constitui de gravura. Isso se deve dizer porque ainda há um preconceito provinciano de categorizar gravura como uma arte menor, ou menos nobre que a tela — para a arte contemporânea é bom recordar que essa distinção inexiste, uma vez que os meios escolhidos não são esses e que a tela só vale alguma coisa se for bem velha, ou é considerada pelos cultivados ignorantes um passadismo dos mais ridículos. Mas para essa máquina inconsistente, o mercado de arte, funciona assim. Por esse motivo não vemos Grassmann ser valorizado como deve: especialistas e alguns interessados específicos a conhecem, mas é um artista cuja obra deveria ser estudada, exposta."
Só para terminar: são poucos os países do mundo que podem se orgulhar de possuir um artista do porte de Marcello Grassmann. Desprezar a sua arte é, antes de mais nada, sinal inequívoco de uma enorme, incomensurável estupidez.
Meu primeiro contato com as obras de M. Grassmann foi em 02/07/10 no MON em Curitiba. Pessoalmente minha experiência foi libertadora. Como ainda indouto estudante da psicanálise que sou, foi impossível não me identificar naqueles traços, rostos, sexos, figuras arcaicas, animalescas. Quão profunda é essa obra e capaz de mobilizar tantos sentimentos. Devo à Grassmann insigths múltiplos já que sua obra se fez espelho claro e nítido ecoando sentimentos tão primitivos os quais não me era possível ainda expressar ou representar. Encontrei em sua obra um receptáculo de imensa gama de sentimentos evocados.
Ao chegar em casa e ainda visivelmente inebriado 6 horas depois procurei conhecer ainda mais quem seria esse homem com uma arte poderosamente mobilizadora e representativa daquilo que é mais humano. Quem seria esse que com mitos, lendas, donzelas me fez reverberar sentimentos tão esquecidos pela rotina de uma vida q se obriga a adaptação de um sistema de coisas em que o belo toma posições efêmeras? Quem seria esse que deixaria qualquer junguiano ou interessado nas representações do inconsciente completamente em êxtase?
Quantos arquétipos, figuras lendárias! Quanta simbologia de uma humanidade terrivelmente marcada por simbologias das quais nem se dá conta!
Infelizmente, pouco achei dele na rede. Fica em mim um desejo extremamente pessoal de ainda mais mergulhar nesse universo fantástico e de entender que fantástica pessoa é capaz disso criar.
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