Ele passou um ano rodando as terras mais férteis do Paraguai. Visitou os departamentos (como os paraguaios denominam seus estados) São Pedro, Canindeyú, Concepción e Guairá registrando em preto-e-branco os grupos que brigam por um pedaço de terra do solo-latifúndio do Paraguai. Ou seja, o fotógrafo Luiz Vera acompanhou a luta do 'MST paraguaio'. Valeu a pena!
O resultado pode ser visto até final de dezembro em um dos espaços artísticos mais modernos de Campo Grande: o Museu de Arte Contemporânea, o MARCO. São 40 fotografias, num tom bem jornalístico, em que o fotógrafo mostra o que estas pessoas fizeram depois de conseguiram ocupar as terras batalhadas. O estilo de Luiz Vera é seco, beirando a imparcialidade, mas tem um quê de positivista. Emociona!
É a primeira vez que a exposição vem ao Brasil. Já foi vista em Assunção, onde transitou por universidades, pelo Congresso Nacional e até mesmo cassinos, gerando mal estar nos endinheirados e fazendeiros. No segundo semestre a exposição segue para Genebra, Suíça, a Cruz Vermelha do país foi um dos patrocinadores do projeto.
Ah! Luiz Vera batizou a exposição de Ni Opresores Ni Siervos (Nem Opressores Nem Servos). Uma referência irônica a letra do hino nacional paraguaio. As fotos fazem refletir sobre a questão da reforma agrária na América do Sul, onde grande parte da terra está na mão de poucos. O mais interessante de Luiz Vera é a sua dedicação a temas, digamos, sociais. Ele fotografou este ano, por exemplo, o drama para sobreviver dos índios guaranis na Bolívia.
Atenção! Além de Ni Opresores Ni Siervos, você pode apreciar no MARCO mais duas exposições bacanas: a individual Pontos de Vista, do suíço Stephan Hoffmann, e a coletiva Traços e Registros, do campo-grandense Grupo ComTempo, com fotografias de Desirée Melo e de Herley Nicolau, vídeo de Anderson Lima e escultura de Douglas Colombelli.
Um belo presente de Natal para toda a família! Imperdível!
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