Um recorte do cinema francês, o cinéma beur ou cinéma de banlieue, realizado por descendentes de imigrantes árabes
A mostra faz uma homenagem aos cineastas Abdellatif Kechiche e Rabah Ameur-Zaimèche exibindo retrospectivas de seus filmes
Com a independência das colônias francesas na África, em meados do século XX, a França passou a receber um grande contingente de imigrantes dos países recém criados. Alguns filhos destes imigrantes, a maioria deles de origem árabe, dedicaram-se ao cinema e passaram a produzir, a partir dos anos 80, obras vigorosas que refletem a realidade em que vivem, como o duro cotidiano dos bairros populares e a problemática integração na sociedade francesa, revelando um país multifacetado em busca de conciliação e identidade.
A mostra Cinema Franco-Árabe, realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil, com o apoio da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e do Institut Français, apresenta 28 longas-metragens de ficção, quatro documentários e seis curtas, incluindo todos os quatro filmes, dois deles inéditos, realizados pelo cineasta tunisiano Abdellatif Kechiche, e os três filmes inéditos do cineasta argelino Rabah Ameur-Zaimèche. São obras que formam uma parcela representativa da atual produção cinematográfica da França e que poderão ser descobertas ou revistas no encerramento deste ano marcado pela Primavera Árabe.
Serão exibidos longas de diretores que tem seus filmes aclamados nos mais importantes festivais internacionais como o tunisiano Karim Dridi, diretor do elogiado documentário Cuba Feliz, uma viagem musical no estilo de Buena Vista Social Clube; as libanesas Nadine Labaki (Caramelo) e Danielle Arbid, que apresentou Um Homem Perdido, no Festival de Cannes, como "o filme sexualmente mais gráfico feito no mundo árabe"; além de nomes poucos conhecidos por aqui como Phillipe Faucon, Nadir Moknèche e o cult Ziad Doueiri. No dia 20 de dezembro, terça-feira, às 18h30, na Sala de Cinema 1, será realizado um debate com o curador da mostra João Juarez Guimarães, o jornalista e crítico de cinema Leonardo Luiz Ferreira e a socióloga Maria Josefina Gabriel Santanna.
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