Depois de estrear a temporada 2008 com uma apresentação poética inédita envolvendo Arnaldo Antunes e Márcia Xavier, o festival de música e arte digital Multiplicidade_Imagem_Som_inusitados promove mais uma experiência no Oi Futuro.
Visagem
Termo do cangaço, cabruêra é uma corruptela de cabroeira, que significa "bando de cabras", podendo ser aplicado tanto para um grupo de animais quanto para um agrupamento humano, como os cabras de Lampião. A cabra é um animal que resiste à seca por sua capacidade de devorar tudo o que vem pela frente. Semelhantemente, o grupo Cabruêra, de Campina Grande, Paraíba, também se propõe a "devorar" as mais diversas informações musicais, "digerindo-as e vomitando-as emolduradas com recursos tecnológicos", numa atualização do Manifesto Antropofágico (1928), de Oswald de Andrade. Em outras palavras, coco, embolada, ciranda e maracatu misturados com funk, rock e eletrônica. Tudo isso amarrado sob altas doses de psicodelia e experimentação.
Com dez anos de estrada, três discos lançados e dez turnês européias, porém sem tocar no Rio há mais de dois anos (quem não se lembra da temporada de três meses no finado Balroom? E dos shows no teatro Rival?), o Cabruêra apresenta no festival Multiplicidade a performance “Visagem”. Nas palavras de Arthur Pessoa, líder da banda:
“Visagem são as ‘imagens visionárias’. Retrata o imaginário lúdico do interior nordestino, suas cores vibrantes e sua ‘sertanejidade’. É o circo, os pífanos, o vaqueiro em couro e poeira. Visagem é o Nordeste teatral, porém, real. É o interior que olha pro céu, pede chuva e dança coco quando a água desaba. Visagem é Quilombo, romaria e penitência.”
O repertório da apresentação se concentra nos três discos lançados comercialmente, algumas inéditas e versões de músicas de Luiz Gonzaga recém apresentadas no programa Som Livre, da Rede Globo. Sobre o novo álbum, em processo de gravação, Arthur afirma:
“Esse disco terá uma linguagem que tem a ver com o nosso último trabalho (Projeto Sons da Paraíba), com foco nas releituras de músicas do cancioneiro popular, mesclado com outras canções autorais. Pablo comanda os grooves na bateria e percussão afinado com as linhas de baixo do Edy. Chico Correa e Leo respondem pelos riffs de guitarra com o Chico soltando alguns samples e vinhetas. Eu faço a voz, toco escaleta em algumas músicas e violão com caneta esferográfica em outras, uma das marcas do nosso trabalho”.
Irmão de Arthur, o fotógrafo Augusto Pessoa (primeiro lugar no último Prêmio Abril de Fotojornalismo na categoria ensaio fotográfico e autor de matérias e fotos expostas nas revistas National Geographic e Caminhos da Terra) mostrará através de projeções a sensibilidade e a diversidade da cultura nordestina, sua religiosidade e as cores do sertão.
Leia aqui uma entrevista com Arthur Pessoa:
http://multiplicidade.oi.com.br/news_ver.php?id=94
www.multiplicidade.com
www.myspace.com/cabrueramusic
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