Segundo a lenda dos índios Tukano, Uakti era um ser mitológico que vivia as margens do Rio Negro. Seu corpo era repleto de furos, que ao serem atravessados pelo vento emitiam sons encantadores, atraíndo as mulheres da tribo. Receosos, os índios perseguiram Uakti e o mataram. No local onde seus restos foram enterrados, nasceram palmeiras usadas pelos índios para confeccionar flautas de som tão encantador como os produzidos pelo corpo de Uakti.
Desde a participação dos grupos Afro Samba e Afro Lata, ramificações do Afro Reggae, culminando com o artista Siri, o projeto Multiplicidade> Imagem_Som_inusitados sempre buscou uma aproximação com sonoridades mais percussivas. E inusitadas.
Formada por Marco Antônio Guimarães (cordas), Paulo Sérgio dos Santos e Décio de Souza Ramos (percussões), e Artur Andrés (sopros), a oficina instrumental Uakti representa com perfeição este adjetivo tão caro ao Multiplicidade: inusitado. Se por um lado, as técnicas composicionais são contemporâneas e de alta complexidade, do outro, a sonoridade dos instrumentos empresta um caráter primitivo à sua música, resgatando com maestria ritmos regionais brasileiros.
A customização, elemento extremamente presente na sociedade ocidental dos dias de hoje, é levada pelo Uakti as últimas consequências. São os próprios membros do Uakti que fabricam seus instrumentos, o que resulta num som único, original. Daí o termo oficina instrumental. São xilofones de vidro, tubos de pvc conectados e amplificados, marimbas e, atenção, idiofones, chori smetanos, iarras e trilobitas.
O Uakti já trabalhou com Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Zélia Duncan e o Grupo Corpo, de dança contemporânea. Turnês internacionais são uma constante. Em destaque a performance ao lado do compositor minimalista Philip Glass na Olímpiada de Atenas, em 2004.
A parte imagética do show do disco “21” ficará a cargo do Multi_Lab, o laboratório visual do Multiplicidade coordenado pelos artistas visuais Batman Zavareze, também curador do projeto, e Fabio Ghivelder, além da da própria platéia, que documentará o espetáculo de forma interativa. O cenário contará com 3 telas projetadas onde aproximadamente 20 câmeras farão o monitoramento do movimento musical do grupo em pontos de vista não convencionais. Microcâmeras inseridas nos instrumentos buscarão olhares abstratos e outras, de diferentes formatos, ficarão nas mãos da platéia.
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