Criado aqui em São Paulo a partir de um grupo de artistas oriundos de diversas partes do país, o Musiclube* está para publicar seu primeiro registro coletivo: uma coletânea contendo amostra do repertório de seus integrantes.
Estes artistas formam na atualidade um grupo de trabalho com música e poesia que realiza o circuito de ocupação dos espaços culturais alternativos e oficiais em bairros, bares, teatros, escolas, universidades, praças e outros locais da grande São Paulo.
A experiência e a história que cada um traz de seus estados de origem conta um pouco dessa tentativa de utilizar a arte para ajudar na construção de um Brasil que se afirma em sua inteligência e sensibilidade, base na qual alimentam a produção de um projeto de cultura mais voltado para as experiências da fusão do novo com a tradição, concretizando a nova cidadania, a popularização, socialização e a democratização de oportunidades, num eterno aprendizado junto a comunidades interessadas em boa música popular brasileira.
*O Musiclube é um projeto/processo de músicos autores e poetas que começou em 1981 na cidade de João Pessoa-PB.
OS INTEGRANTES
Malungo
Com mais de 20 anos de carreira, cantor, compositor e instrumentista, Sebastião Carlos, o Malungo é o Griô de Uberaba. Suas canções narram o cotidiano do povo brasileiro, sua memória e suas características. Dono de uma musicalidade que o coloca lado a lado com os grandes nomes da música negra, participou como compositor, em 1988, do disco que comemorou o centenário da abolição.
Naiman
Naiman é um pós-tropicalista. É criador de uma obra muito peculiar, em que os sons de sua São João Del Rey natal entram em conflito afetuoso com a música popular brasileira - moderna e tradicional.
Pedro Osmar
Criado no ambiente do bairro de Jaguaribe, João Pessoa-PB, logo despertaria para a música (junto com seu irmão Paulo Ró participa do grupo Jaguaribe Carne a partir de 1974 para realizar shows educativos e gravar os discos "Jaguaribe Carne Instrumental" - 1993, "Signagem" - 1995, "Viola Caipira" - 1997 e “Vem no Vento” – 2003). Tem músicas gravadas por Elba Ramalho, Lenine, Chico César, Elomar, Xangai e Amelinha.
Zulu de Arrebatá
O compositor, poeta e cantor, Zulu de Arrebatá inicia sua caminhada no início dos anos 70 no bairro de São Miguel, zona leste da cidade de São Paulo, fazendo parte do "Movimento Popular de Arte" (MPA) que agregava jovens artistas e agitadores culturais. Em seu disco Amor Urbano (2005), cunhou sua identidade.
Celso de Alencar
Paraense, radicado em São Paulo desde 1972, é poeta, reconhecido entre grandes talentos da geração de 70 pela Escrita – revista especializada em literatura mais conceituada da época. De linguagem faulkneriana, escreve uma poesia marcada por tons límpidos e austeros. Perpassando pelo som e pela fúria dos profetas bíblicos, seus versos soam antes como profecia.
Lupe Albano
Compositor, violonista e cantor, criou música também para espetáculos de teatro (adulto e infantil) e cinema. Como cancionista, traz para suas canções grande influência dos cantadores de moda-de-viola, catira e cateretê. Com letras de caráter urbano, forte e crítica, fala das relações humanas de forma instigante.
Esso
Esso vem de uma geração ativa no movimento cultural independente potiguar. Suas composições autorais ou em dupla com outros parceiros exprimem temas universais na lírica e nas letras, enfatizadas pelo estilo apurado e caráter interpretativo, leitura crítica da realidade, singeleza harmoniosa e outras essências.
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