E lá se vão 40 anos de 1968. As editoras aproveitam a data redonda para despejar obras com reflexões sobre a época. Pesquisadores se mobilizam para tentar dar visões inovadoras em seminários acadêmicos. Os muitos participantes dos movimentos que transformaram aquele num ano singular da História suspiram com o turbilhão de sentimentos que as lembranças trazem. E Joãozinho, que por acaso nasceu em uma das décadas seguintes, fica no meio do furacão, tentando absorver as informações dos jornais, dos lançamentos literários, das conversas de seus pais e/ou avôs, tudo misturado, é claro, com o que aprendeu ao longo da vida sobre aquele período.
Se você se identificou com Joãozinho (ou mesmo que se identifique mais com os pais e avôs dele) e mora no Rio de Janeiro, um curso enxuto e interessante pode te ajudar a botar os pingos nos is.
"1968 – Histórias e legados de um período crítico" será dividido em 4 aulas de duas horas, no Polo de Pensamento Contemporâneo. O bacana é que ele vai tratar de diversos aspectos: de história, de arte, de subversão, de direitos civis e de tudo mais que a conversa permitir.
O professor, Frederico Coelho, é mestre em História pela UFRJ, pesquisador do Núcleo de Estudos Musicais da Universidade Candido Mendes (NUM/CESAP/UCAM) e atualmente conclui a tese de Doutorado "Livro ou livro-me – os escritos babilônicos de Hélio Oiticica", na PUC-RJ. Há muitos anos Fred está mergulhado em estudos sobre movimentações culturais daquela época. Além disso, é bem articulado e empolgado. Já consigo imaginar as aulas se tornando debates intensos e calorosos.
Confira a programação das aulas:
28 abril
As bases para as transformações políticas e estéticas de 1968: conflitos raciais, Guerra Fria e a escalada da violência mundial; os regimes totalitários e os movimentos de guerrilha; o drop out dos poetas beats, o Existencialismo de Sartre e Camus e a revisão das bases do homem moderno a partir da “crise da razão”.
05 maio
Por um novo corpo político: Marcuse, Reich, Alan Watts e outros pensadores radicais; o “Maio de 68” em Paris, das barricadas de Cohn-Bendit ao cinema revolucionário de Godard; os hippies norte-americanos, movimento estudantil no Brasil e no mundo; direitos civis, ecologia e ascensão das minorias raciais e de gênero.
12 maio
Prazeres e saberes: revoluções estéticas, anti-arte, conceptual art, rock and roll e o surgimento da cultura pop ao redor do mundo; Glauber Rocha, José Agripino de Paula, Hélio Oiticica, Tropicália e a crítica da modernidade brasileira; os ideais da psicodelia, da contracultura e suas conseqüências nas artes; o orientalismo e a filosofia pós-estruturalista.
19 maio
Da aldeia ao espetáculo: a expansão tecnológica da sociedade de massas e seus desdobramentos no cotidiano; 2001, uma odisséia no espaço e a revolução científica; o mundo via-satélite das telecomunicações; novas mídias e novas linguagens; Marshall McLuhan, Guy Debord e o debate teórico sobre a expansão da informação.
Helena,
Mesmo pertencendo a orgulhosa classe dos não-joãozinho, fiquei fissurado no programa. Se der estarei lá.
Aliás, para se ter uma idéia da impossibiliadde do ano de 1968 nunca se acabar é só dar uma olhada nos tópicos do programa do curso: Tem acontecimento ali para, sem exagero nenhum, preencher um século de onda e evolução do pensamento moderno. Tínhamos mesmo que ser doidões. Tem muitas gerações que, nem em sonho, viveu um ano assim.
Aposto cem pratas (só não digo em qual moeda) como nem o Frederico consegue explicar porque 68 foi assim.
Nunca saberemos.
Abs
Parafraseando-te: "(...tem uns errinhos...)"
Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 18/4/2008 12:37Ih, viajei mesmo, haha. E não vi errinhos no teu comentário tb!
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 18/4/2008 13:44
Oi Spirito,
Imagino, foi um ano que não teve paralelo em termos de acontecimentos e lançamento de tendências. E sem dúvida nem o Frederico nem ninguém poderia explicar com todos os detalhes por que foi assim. Ainda mais em apenas quatro conversas.
Sobre o segundo comentário, não entendi: tem uns errinhos no texto? Enxerguei um agora (antiarte é sem hífen) que acabei copiando direto da programação e dei o mole de não revisar. Mas não tô conseguindo ver os outros (costuma acontecer quando é nosso próprio texto... ô inferno). Ainda que não dê mais para corrigir, porque já passou da edição, pode colocar aqui nos comentários se quiser! Abraço
Helena,
Ih...viajou. Os errinhos são no MEU comentário, no seu post, que eu tenha visto, não há nenhum.
Abs
gostei muito do texto, votei, vou visitar o blog!!!!
AM
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