De 02 a 07 de março, a Caixa Cultural Rio recebe a mostra O Cinema Contemporâneo Japonês: Nobuhiro Suwa.
Um dos mais importantes cineastas japoneses independentes contemporâneos, Nobuhiro Suwa é,
desde os anos 80, um aclamado diretor de curtas-metragem e programas de TV em Tóquio. Seu debut em longa-metragem de ficção 2/DUO, de 1997, ganhou o NETPAC Award no Festival de Rotterdam. O segundo filme, M/Other, levaria o Prêmio Internacional da Crítica do Festival de Cannes de 1999. Atualmente presidente da University Tokyo Zokei, Suwa assina um dos episódios do filme coletivo Paris Je T’aime, em que dirigiu o episódio Place des Victoires, com Juliette Binoche e William Dafoe com protagonistas.
A mostra traz ao Rio os quatro filmes de ficção feitos por Nobuhiro. Além dos premiados 2/DUO e M/Other, completam a programação H/History e Un Couple Parfait – este último um re-make de Hiroshima Mon Amour, de Alan Resnais. No dia 05, um debate entre a curadora Daniela Castro e convidados (nomes ainda a confirmar) discute a obra do autor.
Considerado o John Cassavetes do oriente, o diretor nascido em Tóquio em 1960 prima por um cinema de marcas muitos pessoais. A confessa ligação com a modernidade ocidental está presente, mas sob uma abordagem nada convencional. Seus filmes tratam, sobretudo, do amor. A temática das relações amorosas, principalmente seus conflitos, são vistas em planos fixos e longos, extremamente dilatados, interpretações realistas, silêncios e cortes secos. Telas aparecem entre um corte e outro, provocando o ritmo e o peso do tempo. A experiência do cinema e seus significados cabe, em grande parte, ao espectador.
Como ele mesmo colocou, “se escrevesse meus filmes com minhas próprias palavras, elas pertenceriam a meu mundo interior, a algo que já conheço. Seria por em cena minha própria experiência, e o mundo que se transmitiria daí seria um mundo previamente administrado. Mas do meu ponto de vista, fazer um filme consiste em pegar uma câmera e mostrar um mundo através – e não a partir – dela; um mundo que eu mesmo desconheço, mas que pode ser descoberto ao longo do percurso da realização do filme”.
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