Dia 19 de agosto será inaugurada, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa, no Rio, a exposição “O Fotógrafo Lambe-lambe: Guardião da memória e cronista visual da sociedade”. Dia 19 é Dia Internacional da Fotografia, e o que é bacana é que a mostra comemora também o primeiro ano do decreto que reconhece o Lambe-lambe como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro.
Cronista dos espaços públicos nas cidades brasileiras a partir do século XIX, o fotógrafo lambe-lambe teve um importante papel na democratização e popularização do retrato fotográfico da nossa sociedade.
A exposição tem curadoria do fotógrafo Milton Guran e teve como base a tese de mestrado e doutorado do museólogo Abílio da Águeda. “Os poucos lambe-lambes que atuam na cidade estão na faixa dos 70 anos e não existe registro algum da história deles” -, admira-se Abílio.
A origem do termo lambe-lambe é controvertida. Segundo alguns, lambia-se a placa de vidro para saber qual era o lado da emulsão; ou que se lambia a chapa para fixá-la. Para alguns, a origem parece estar ligada ainda ao antigo processo da ferrotipia.
A montagem da exposição no Centro Cultural Laurinda Lobo (inaugurado em 1979, a casa integra a rede de centros culturais da Prefeitura do Rio, e presta homenagem a uma mulher que no início do século praticamente comandou a vida intelectual da cidade) enfatiza as transformações de espaços públicos como as praças, os largos e os jardins; a religiosidade; retratos de família; hábitos e costumes. Croquis esquemáticos da máquina e do seu processo usual também explicarão como funcionam as “caixas de imagens de fazer retratos” que hoje se encontram em processo de extinção.
Exemplificando o fascínio que tais profissionais exercem sobre seus companheiros de profissão, uma das salas da Laurinda Lobo exibirá fotos de lambe-lambes captadas por outros fotógrafos brasileiros, como Evandro Teixeira, João Urban, Ricardo Beliel etc. Ocupando três paredes, num total de 50 m2, um plotter gigante reproduz cerca de 350 imagens de lambe-lambes - ou “minuteiros”, como são chamados em alguns países da América Latina. São fotos de diversas partes do mundo, do Brasil ao Afeganistão, mapeando a presença do fotógrafo ambulante naqueles países e destacando suas identidades locais.
A exposição, que presta uma bela homenagem a esses personagens, é gratuita. Quem for à inauguração, às 14 horas, de sábado, dia 19, vai poder sentir o gostinho de ser fotografado por um autêntico retratista ambulante, num cenário pintado como nas antigas praças públicas. Se não der pra ir, “O Fotógrafo Lambe-lambe” fica em cartaz até 29 de outubro. Não perca.
Oi, Adriana. Apesar de você ser "avessa às comunidades virtuais", vou deixar aqui o meu comentário... :) Acho que os lambe-lambes valem uma pauta pro Overblog, não?
Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 8/8/2006 11:11Vale uma pauta mesmo, Viktor!! E eles estão em todo Brasil, em cidades de todos os portes, creio eu.
Marcelo Rangel · Aracaju, SE 10/8/2006 15:59Marcelo, tomara que os lambe-lambes consigam sobreviver em outros lugares... No Rio hoje se tem notícia de três apenas - dois no Largo do Machado e um no Méier -, e eles já usam muito pouco as antigas máquinas fotográficas.
Adriana Sanglard · Rio de Janeiro, RJ 11/8/2006 18:22
O assunto é super interessante. Merece matérias, documentários e muito mais. Estou pesquisando sobre o assunto e quem quiser ajudar fique à vontade: risiarodrigues1@hotmail.com
obrigada
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