O sociólogo francês Pierre Bourdieu, em seu artigo “O mercado dos bens simbólicos”, faz a distinção entre duas vertentes do campo de produção de bens simbólicos: o campo de produção erudita e o da indústria cultural.
Para ele, “a diferença básica entre os dois modos de produção se refere a quem se destinam os bens culturais produzidos. O campo de produção erudita destina a produção de seus bens a um público de produtores de bens culturais, enquanto o campo da indústria cultural os destina aos não-produtores de bens culturais, ou seja, a população em geral”.
O Mercado Cultural do 4° Festival de Artes do Vale do São Francisco (o Aldeia do Velho Chico) parece confirmar esta constatação. O espaço alternativo onde os expositores locais se encontram para a “comercialização” dos seus trabalhos aparenta ser muito mais um ponto de encontro de artistas do que um elo entre artistas e comunidade. Algo que lembra o paradigma da “feira de aldeia”, onde a interação se dá pela troca de bens visando sempre à auto-satisfação.
“Mas não foi por falta de divulgação”, afirma Sandra Guimarães, coordenadora e curadora do Mercado Cultural. Segundo ela, todos os Meios de Comunicação locais divulgaram o espaço. Mas daí até a “população em geral” de Bourdieu participar corre um rio mais longo e profundo do que o Velho Chico.
Para quem ainda não percorreu os 15 stands, o próximo dia 16 (sábado) é a última oportunidade. Isto porque, fechando a programação do Aldeia do Velho Chico, Luluca Guerra fará um show na lateral esquerda do Salão do SESC, onde a arte de dona Nezita, que há 20 anos confecciona fantasias para grupos de dança e balé, se encontra com a Toyart de Brisa, que há cinco meses descobriu o segredo do feltro.
A expectativa delas é uma só: contrariar a teoria de Bourdieu...
Super. Toyart é o que há!
Bacana a dica. Excelente
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