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"Parcours"

de 11/10 a 21/10 · Belo Horizonte, MG
João Castilho
Dança ou parkour?
1
Bia Morais · Belo Horizonte, MG
7/10/2007 · 79 · 1
 


“Parcours” (do francês percurso) é o espetáculo resultante do projeto vencedor na categoria Dança, do Prêmio Estímulo às Artes/2007, da Fundação Clóvis Salgado-Palácio das Artes. A proposta da montagem é investigar o que o parkour - técnica corporal urbana, com forte apelo filosófico - e a dança contemporânea têm em comum e como podem dialogar, abrindo novas possibilidades para a cena, deslocando o parkour para o campo da arte e, em conseqüência, a arte para o campo do parkour.

O grupo PKMAX, que pratica parkour em Belo Horizonte, foi convidado, com a idéia inicial de que seus integrantes ensinassem as técnicas da modalidade aos bailarinos. Durante o processo, descobriu-se que, pela diversidade da equipe envolvida – bailarinos de dança clássica e contemporânea, como Cyntia Ryeder e Rafaela Cappai, dança de rua, como Vanilton Lakka e Dewson Mascote, praticantes de ginástica olímpica, capoeira, muay thai entre os meninos do PKMAX, - o cruzamento de linguagens tinha de ser mais amplo e aprofundado. Os meninos do PKMAX foram convidados a vir também para a cena, e o que seria apenas uma transmissão de técnicas transformou-se num processo de troca muito rico, que é o grande trunfo do espetáculo.

“Parcours” é dividido em duas partes: na primeira, coreografada, pode-se perceber uma estrutura mais nítida, com boa dose de ação, risco, beleza estética, mas não era só isso que interessava no parkour. “Não se queria do parkour apenas a performance, o virtuosismo, estávamos interessados na proposta filosófica de ir na contra-mão da velocidade, da competição, do individualismo”, diz Rafaela Cappai, idealizadora do projeto e integrante do elenco.

A primeira informação que o diretor Vanilton Lakka absorveu dos praticantes de parkour, foi a de que eles têm um tempo e um jeito próprios de execução. A base central de sua proposta foi então, a tentativa de, a partir dessa informação, criar uma linguagem própria e uma coreografia, ainda que eles não representem em cena, nem encarnem uma personagem. A segunda parte é mais um jogo do que uma coreografia, ainda que haja regras que norteiem os movimentos em cena.

O resultado é uma partitura de movimentos corporais próprios do parkour, com duração aproximada de 40 minutos, que, valorizada por projeção videográfica, trilha sonora original, cenário e iluminação resulta numa intervenção de forte impacto plástico e estético.

Ainda dentro da lógica da proposta filosófica do parkour, Lakka propôs uma inversão entre o início e o fim do espetáculo, ao deslocar seu clímax para o meio. A proposta é quebrar a lógica natural de uma montagem cênica, que vai evoluindo até o clímax, que traz o aplauso pela performance, que infla os egos e estimula a vaidade, o que não tem nada a ver com a prática do parkour.



onde fica
Galpão Cine Horto, à rua Pitangui, 3613 – Horto - Belo Horizonte - MG, tel: (31) 3481-5580
quando ir
11/10/2007 a 21/10/2007, às 21:00h
quanto custa
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Menores de 21 e maiores de 60 devem apresentar carteira de identidade. Estudantes devem apresentar carteira da instituição de ensino e comprovante de matrícula recente.
website
www.palaciodasartes.com.br
contato
Beatriz Morais (31) 3296-3154

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Luiz Carlos Garrocho
 

Ei, Bia

Parabéns pelo belo texto!
O espetáculo é maravilhoso.
Em tempo: o parcour pode ser um bom treinamento para quem se interessa por um teatro físico. Independente disso, desse aproveitamento, Lakka montou um espetáculo bom de se assistir.
Um abraço

Luiz Carlos Garrocho · Belo Horizonte, MG 14/10/2007 10:51
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