“Parcours” (do francês percurso) é o espetáculo resultante do projeto vencedor na categoria Dança, do Prêmio Estímulo às Artes/2007, da Fundação Clóvis Salgado-Palácio das Artes. A proposta da montagem é investigar o que o parkour - técnica corporal urbana, com forte apelo filosófico - e a dança contemporânea têm em comum e como podem dialogar, abrindo novas possibilidades para a cena, deslocando o parkour para o campo da arte e, em conseqüência, a arte para o campo do parkour.
O grupo PKMAX, que pratica parkour em Belo Horizonte, foi convidado, com a idéia inicial de que seus integrantes ensinassem as técnicas da modalidade aos bailarinos. Durante o processo, descobriu-se que, pela diversidade da equipe envolvida – bailarinos de dança clássica e contemporânea, como Cyntia Ryeder e Rafaela Cappai, dança de rua, como Vanilton Lakka e Dewson Mascote, praticantes de ginástica olímpica, capoeira, muay thai entre os meninos do PKMAX, - o cruzamento de linguagens tinha de ser mais amplo e aprofundado. Os meninos do PKMAX foram convidados a vir também para a cena, e o que seria apenas uma transmissão de técnicas transformou-se num processo de troca muito rico, que é o grande trunfo do espetáculo.
“Parcours” é dividido em duas partes: na primeira, coreografada, pode-se perceber uma estrutura mais nítida, com boa dose de ação, risco, beleza estética, mas não era só isso que interessava no parkour. “Não se queria do parkour apenas a performance, o virtuosismo, estávamos interessados na proposta filosófica de ir na contra-mão da velocidade, da competição, do individualismo”, diz Rafaela Cappai, idealizadora do projeto e integrante do elenco.
A primeira informação que o diretor Vanilton Lakka absorveu dos praticantes de parkour, foi a de que eles têm um tempo e um jeito próprios de execução. A base central de sua proposta foi então, a tentativa de, a partir dessa informação, criar uma linguagem própria e uma coreografia, ainda que eles não representem em cena, nem encarnem uma personagem. A segunda parte é mais um jogo do que uma coreografia, ainda que haja regras que norteiem os movimentos em cena.
O resultado é uma partitura de movimentos corporais próprios do parkour, com duração aproximada de 40 minutos, que, valorizada por projeção videográfica, trilha sonora original, cenário e iluminação resulta numa intervenção de forte impacto plástico e estético.
Ainda dentro da lógica da proposta filosófica do parkour, Lakka propôs uma inversão entre o início e o fim do espetáculo, ao deslocar seu clímax para o meio. A proposta é quebrar a lógica natural de uma montagem cênica, que vai evoluindo até o clímax, que traz o aplauso pela performance, que infla os egos e estimula a vaidade, o que não tem nada a ver com a prática do parkour.
Ei, Bia
Parabéns pelo belo texto!
O espetáculo é maravilhoso.
Em tempo: o parcour pode ser um bom treinamento para quem se interessa por um teatro físico. Independente disso, desse aproveitamento, Lakka montou um espetáculo bom de se assistir.
Um abraço
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!