Drama experimental propõe a universalização das inquietações humanas
No dia 06 de novembro, o grupo Teatro das Estações estreia a peça ‘Estéril’ no Teatro Lavanderia, localizado na zona Sul de São Paulo. De caráter experimental, o drama é composto por quatro cenas – três em dupla e uma um monólogo - que não se relacionam diretamente, mas dialogam na mesma temática: a tentativa de universalizar as inquietações humanas, conscientes ou inconscientes. Escritos e dirigidos pelos próprios autores-atores, os textos são compostos por interpretações atrevidas, no intuito de fazer com que o espectador reflita sobre o que vê. A peça estará em cartaz durante todos os sábados de novembro, às 20 horas.
‘Estéril’ trata da ausência de comunicação do ser humano na contemporaneidade, da dificuldade de se relacionar, das carências e das expectativas frustradas de troca de afeto. O não-diálogo entre anônimos como mecanismo de defesa, o querer em campos movediços, a solidão, o desejo, são todos ‘estéreis’. Na tentativa de investigar o potencial criativo do ator, o processo criativo buscou valorizar nas interpretações a economia de gesto, a pausa, o silêncio e a dramaturgia autoral.
Há quase dois anos juntos, o grupo de atores-criadores formado por Ailton Guedes, Cristina Rasec, Elias de Castro, Gisele Inácio, Juliana Gomes, Lucas Sancho e Marcos Medeiros, desenvolve pesquisas de interpretação e busca referências e inspirações nas artes visuais, música e literatura e em pensamentos de artistas e teóricos das diversas áreas do conhecimento. O intuito é enriquecer o processo de criação cênica, sempre pautado no Naturalismo – movimento artístico criado no século XIX que defende a reprodução fiel da realidade e busca o entendimento da essência humana.
Existencialistas no conteúdo e naturalistas na estética, as cenas são quatro: A relação afetuosa entre uma professora e seu aluno adolescente (Cristina Rasec e Elias de Castro); O reencontro de um casal num antigo sebo (Juliana Gomes e Lucas Sancho); Um homem e sua solidão num apartamento (Ailton Guedes); Um artista e uma jovem diante de pinturas enigmáticas (Marcos Medeiros e Gisele Inácio). O caráter experimental se dá uma vez que os próprios atores são os autores dos textos, interpretam-nos e os dirigem, tendo total controle sobre o processo criativo. A peça, que fica em cartaz entre 6 e 27 de novembro, tem o apoio de Instituto Callis, Pequeno Teatro de Torneado e Cooperativa Paulista de Teatro.
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