No próximo dia 28 de janeiro, o artista mineiro Rodrigo Zeferino inicia o período expositivo da Zipper Galeria com a série Terra Cortada - 14 fotos que evidenciam a intervenção do homem sobre a natureza. As imagens da série mostram relevos e barrancos, das regiões montanhosas de Minas Gerais, literalmente cortados para a realização de obras de engenharia, estradas em sua maioria. A abertura da exposição acontece das 14h às 18h, na Zipper Galeria e fica em cartaz até 3 de março.
Em Terra Cortada, o diferencial nas fotos fica por conta do uso da técnica de fotografia noturna, que traz à tona luzes e cores praticamente invisíveis ao olho humano, além de potencializar a visualização de detalhes como rastros de estrelas e as várias camadas formadas pela sedimentação da terra, cada uma com um tom diferente. A junção de luz natural e iluminação urbana compõe as imagens registradas por Rodrigo Zeferino.
Segundo Zeferino, a série foge à fotografia convencional já que, com o auxílio da baixa velocidade do obturador da câmera, as cores das imagens se tornam bastante inverossímeis. “A luz está lá, e é exatamente daquela cor, mas como são luzes muito baixas, o olho não consegue ver. Só a fotografia dá conta de revelar”, comenta. Nessa série, o artista tenta desestabilizar a percepção visual comum ao desconstruir o registro da paisagem, um dos gêneros mais tradicionais da história da arte. A fotografia altamente técnica de Rodrigo Zeferino ganha destaque também na impressão feita a jato de tinta sobre papel algodão, sugerindo um efeito aveludado.
Efeito da saturação distorce a realidade
Para Rodrigo Zeferino, as fotos reunidas na série Terra Cortada representam tudo aquilo que escapa à apreensão do olho humano. “A terra, o céu e seus elementos são percebidos de forma mais detalhada, por conta da luz absorvida pela câmera com os longos tempos de exposição, que vão de 30 segundos a 20 minutos. Toda essa luz, invisível ao olho humano, torna as cores mais vibrantes e revela inúmeros detalhes que geralmente passam despercebidos. Com essa técnica, um novo universo se ergue diante dos olhos do espectador”, comenta.
Algumas das imagens parecem ter sido feitas durante o dia, mas o fotógrafo apenas explorou a luz da lua, que é a mesma luz do sol refletida, porém em muito menor intensidade. Combinada com a iluminação pública de diferentes tipos e colorações variadas, o artista cria cenários fantasiosos. Em paralelo, Rodrigo Zeferino consegue contrapor esses cenários à presença incisiva da paisagem que o homem transformou, com a agressividade representada pelos cortes no relevo que remetem a enormes feridas na terra.
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