Quem podia imaginar que São Sebastião iria se materializar em plenas Olimpíadas no Rio? E sem flechas! É que o ator Roberto Jerônimo enverga um belo terno, assinado pelo diretor de arte e diretor geral do espetáculo "Sebastião, o Rio como você nunca viu" para sair passeando pela cidade. O personagem, aliás, recobra um pouco da sua relação com a Cidade Maravilhosa logo no início do divertidíssimo espetáculo, em cartaz até 28 de agosto na Sala Baden Powell, em Copacabana.
“Muito tempo com as flechas, estou sentindo falta... Olha, quando Estácio de Sá fundou essa cidade, em 1565, eu já trazia as flechas. Depois quando os portugueses expulsaram os franceses, dois anos depois, lá estava eu de novo com as flechas. E foi ali nessa época, que eu passei a ser o padroeiro da cidade! Ah...depois fizeram uma capelinha e ali, no pé do Pão de Açúcar, nasceu a nossa cidade..a Cidade de São Sebastião, ou seja, a minha cidade! E foi assim com as minhas flechas que eu virei o padroeiro da cidade mais linda do mundo”.
História e muito humor dão estrutura ao espetáculo "Sebastião, o Rio como você nunca viu", que comemora 25 anos de trabalho dos atores Josie Antello e Roberto Jerônimo, amigos de longa data. Idealizado por Roberto Jerônimo, com dramaturgia de Joaquim Vicente, "Sebastião, o Rio como você nunca viu" diverte ao longo de toda narrativa. Por exemplo, quando Irene revela que São Jorge é mais querido que o padroeiro pelos cariocas. O público descobre que São Jorge e São Sebastião são unha e carne. “Mas eu que sou o padroeiro dessa cidade! Isso são intrigas! Jorge e eu somos amigos. Muito amigos! Somos... como é que vocês falam aqui no Rio? “Brothers”! Fomos martirizados pelo mesmo imperador, Diocleciano lá na Roma antiga! Mas, tudo bem! Esse é um dos motivos porque eu retornei. Quero voltar a ser o mais querido no Rio de novo... Afinal, me desculpe Jorge, eu amo essa cidade, e o padroeiro daqui sou eu!”, avisa o personagem.
Ao longo da encenação, a plateia toma contato com dados históricos como o surgimento da palavra “gari”. É que na Rua São Clemente, em Botafogo, moravam todos os Barões do Café. É quando São Sebastião (Roberto Jerônimo) destaca: “E foi aqui também em Botafogo que começou a civilidade: em 1870 funcionava a fábrica Aleixo Gary & Cia. Os trabalhadores faziam a coleta do lixo nas ruas e usavam uniformes da fábrica com a palavra Gary. Foi aí que os GA-RIS começaram a ser chamados assim”.
Tem beleza e caos, dissabores do bota-abaixo, suingue e funk alto astral, um tour pelo Centro, Zonas Norte, Sul e Oeste, além da inspirada obra de João do Rio como pano de fundo na montagem. A partir de uma viagem inesperada de São Sebastião, presenciada pela devota e descoladérrima Irene, vivida por Josie Antello, "Sebastião – O Rio como você nunca viu" promete e cumpre: diverte o público do início ao fim, oferecendo um portrait da Cidade Maravilhosa como nunca dantes pintado por aí. O patrocínio é do Edital de Fomento à Cultura Carioca, da Secretaria Municipal de Cultura e Prefeitura do Rio de Janeiro. O espetáculo "Sebastião – O Rio como você nunca viu" integra o Circuito Cultural Rio, idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Prefeitura do Rio, para a programação cultural dos períodos Olímpico e Paralímpico, que vai de maio a setembro de 2016. Em cartaz de sexta a domingo, aos sábados o espetáculo terá duas sessões, às 18h e às 20h. Ingressos a R$ 40.
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