“O teatro é um meio de transformação subjetiva, um meio privilegiado para descobrirmos quem somos, ao criarmos imagens do nosso desejo: somos o nosso desejo, ou nada somos”
(Augusto Boal)
O espetáculo “Senhora Solidão” conta a história de quatro solitários que a partir de um encontro revisitam suas memórias e brincam de reconstruir o que os desagradaram no passado e visualizar como desejariam seu futuro.
Assim como na frase de Boal, os personagens dão vida aos seus desejos, compartilhando imagens de suas histórias familiares com os demais, numa espécie de terapia.
Uma mulher recebe três solitários em casa. Com alguma fama conquistada por métodos não convencionais, a mulher atrai os solitários, todos com históricos conturbados, para uma espécie de vivência, uma troca de experiências intensa, em busca de entender o porquê de a solidão estar tão impregnada na vida de todos eles.
A terapia não convencional executada ali flerta com elementos do psicodrama, criado pelo romeno Jacob Levy Moreno. A psicoterapia de grupo usa a representação dramática como núcleo de abordagem e exploração da psique humana e seus vínculos emocionais.
A história é contada em dois planos. O plano da realidade, do “agora”, que é a reunião dos quatro personagens na terapia e o plano da memória de cada um dos personagens, onde conhecemos um pouco seus históricos familiares e traumas específicos.
No real, os personagens se apresentam relembrando algumas experiências do passado e executando exercícios propostos pela mediadora. No imaginário, para o público, os atores se transformam em múltiplos personagens dando vida a apresentação da cena-memória.
Diferente de alguns espetáculos, que usam a metalinguagem assumindo que ali estão atores, brincando de trocar de personagens o tempo todo, a peça usa a trama da realidade como ponto de partida. São os solitários da história, que vão se experimentar em outros personagens da vida dos demais.
O espetáculo é uma comédia em tons dramáticos. Há elementos da comédia non sense e o teatro do absurdo nas memórias. Porém, no plano da realidade, embora existam situações cômicas, há momentos de desconforto, dor e falta de perspectiva dos personagens.
O encontro, que tinha apenas como objetivo a troca de experiências, evolui para algo extremamente inesperado. A possibilidade de reconstruir suas memórias as torna perfeitas sob o ponto de vista de cada um, mas as conseqüências podem ser dolorosas.
Ficha Técnica:
Texto e direção: Leandro Muniz
Elenco: Bia Guedes, Cláudio Amado, Cristina Fagundes e Luis Lobianco.
Cenário e iluminação: Paulo Denizot
Figurino: André Vital
Trilha sonora: Fabiano Krieger
Direção de Movimentos: Clarice Silva
Programação visual: Leonardo Miranda
Assistência de produção: Antonio Barboza
Assessoria de imprensa: Marx Comunicação!
Direção de produção: Junior Godim
Realização: Quase Companhia
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!