Uma peça teatral diferente está em cartaz em Curitiba. "A Feia", primeiro texto da autora e diretora paranaense Cleide Piasecki, escrito em 1994, volta aos palcos com direito a sessões legendadas. Isso mesmo, uma peça de teatro legendada. A intenção da equipe da Benandantes Cia de Artes é lembrar que existe uma lei, a 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que trata da eliminação de barreiras de entendimento das pessoas portadoras de deficiências sensorial.
A companhia percebeu a importância do enunciado e engajou-se na Campanha "Legenda para quem não ouve, mas se emociona!", iniciada em 2004, idealizada por Marcelo de Carvalho Pedrosa e coordenada no Paraná por Josiane Maria Poleski. “A legenda fornece à pessoa com deficiência auditiva o tipo de leitura que lhe ajuda a exercitar a ortografia e a gramática; incentiva a participação de todos os cidadãos com surdez em vários meios de expressão, além de possibilitar o acesso ao conteúdo dos diálogos, que são fundamentais para o desenvolvimento das suas habilidades comunicativas”, argumenta a diretora da nova montagem, Tânia Araújo. Para ela, fala-se muito em inclusão social e em todos os cidadãos terem o direito de participar de todas as atividades oferecidas por ela. “Porém, para que isto ocorra são necessárias campanhas, leis...", diz Tânia.
O espetáculo "A Feia" já tem vários prêmios na bagagem. Desde seu nascimento fez várias temporadas em festivais ou fora deles. Em 1995, recebeu 7 indicações e conquistou 7 prêmios Troféu Gralha Azul (voltado ao teatro paranaense) nas categorias: Melhor espetáculo, texto e direção, para Cleide Piasecki; ator: Laerte Ortega, atriz: Regina Bastos; ator coadjuvante: Fernando Bachstein e figurino: Laerte Ortega.
A história não é anda suave e mexe em feridas profundas da sociedade. Trata-se da história de um casal acusado de matar a filha, por eles batizada de "Feia", que nasceu com deformidades físicas, o que, segundo seus conceitos, era inaceitável. À medida que os fatos que culminaram com a morte da menina são apresentados no julgamento, há uma reconstituição da história da Feia desde o nascimento até a morte aos quatorze anos. Não bastasse, a peça utiliza-se de alguns mitos retirados de textos bíblicos, buscando investigar as possíveis origens do preconceito na sociedade.
A intenção é discutir com o público essa alarmante inversão de valores e, através da história contundente, conduzir o espectador a uma profunda reflexão sobre esse tema.
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