Num contexto cênico, definido pelo cenário e pela iluminação, três intelectuais se encontram informalmente para trocar idéias sobre o tema da cultura na vida contemporânea. A partir de um vídeo-pretexto, e, tendo em vista a contribuição de autores importantes em sua formação, os convidados trocam idéias sobre o tema da noite. Para concluir, um momento musical fecha a noite e sela o encontro.
É dessa forma que um conjunto de professores baianos pretende levar para fora da Universidade o espírito do debate intelectual. Fugindo do velho formato da “mesa redonda” – em que o público é submetido à apresentação sucessiva de discursos elaborados previamente – eles propõem uma forma de discussão em público, na qual a abordagem conceitual esteja conectada com o mundo da vida, seja inteligente e bem informada, mas esteja livre dos protocolos acadêmicos.
Monclar Valverde, professor da Ufba e coordenador da atividade, lembra que Sócrates não usou a escrita para expor e defender suas idéias. E quando Platão quis registrá-las, adotou o diálogo como forma de exposição. Mais tarde, observa ele, o discurso sistemático tornou-se a forma hegemônica da reflexão intelectual e, com isso, a discussão de idéias perdeu o calor do confronto, que era alimentado pela mútua interpelação.
Criou-se, assim, segundo o professor, “uma estranha habilidade de monologar em público” e o pensamento perdeu seu caráter hermenêutico, assumindo a pretensão científica tão característica das atuais especialidades universitárias. Formalizada e ritualizada, a discussão de idéias afastou-se da vida pública e perdeu o contato com suas fontes mais profundas.
Para os participantes do Teatro de Idéias, a multiplicação de seminários e até mesmo de propostas menos ortodoxas, como o “café filosófico”, não faz mais do que transportar o formato “palestra” para um contexto não-universitário, como se diante de um público mais amplo, ele pudesse recuperar o fôlego que já não tem nem mesmo no ambiente da Universidade. Sua expectativa é de que a vocação polêmica da conversação, potencializada pela ritualização cênica, possa superar o formalismo acadêmico e devolver as idéias ao primeiro plano.
Vale a pena “pagar pra ver”, especialmente porque, sendo promovido pelo Mestrado em Filosofia da Ufba, em parceria com a Aliança Francesa de Salvador, o evento tem entrada franca.
Programação, autores de referência e participantes:
1. Estratégias do desejo e códigos da cultura (06/11): Discussão a partir das idéias de Nietzsche / Foucault e Freud / Lacan. Participantes: André Itaparica e Marcela Antelo.
2. Imaginação histórica e estrutura social (13/11): Discussão a partir das idéias de Karl Marx e Cornelius Castoriadis. Participantes: Crisóstomo de Souza e Elaine Norberto.
3. Relações sociais e formas da cultura (20/11): Discussão a partir das idéias de Georg Simmel e Michel Maffesoli. Participantes: Edson Farias e Renata Pitombo.
Os dias serão 06, 13 e 20 de novembro de 2006, não de 06 a 20 de novembro
Cleide Vilela · Salvador, BA 25/10/2006 02:06
Cleide, a proposta é muito bem-vinda. Oxalá floresça e frutifique novos espaços p/ o pensamento na Bahia. abçs
andre stangl · São Paulo, SP 26/10/2006 11:33Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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