Um drama sobre a separação. Mas também um espetáculo lúdico com tom onÃrico, quase um realismo fantástico. Assim define o diretor Ivan Sugahara a peça Tempo de Solidão, de Márcia Zanellato, vencedora do projeto Seleção Brasil em Cena do CCBB que estréia dia 14 de maio no teatro 3 do centro cultural. A trama se passa em uma estação de trem, onde um casal e seu duplo (concepção criada pelo diretor) se depara com chegadas e partidas e a possibilidade de uma vida nova após a separação. O diretor de arte Ruy Cortez criou cenários e figurinos de uma outra época mas sem definição exata de tempo e espaço, como um sonho. Personagens lúdicos como o mensageiro e o bilheteiro interagem com o casal que espera tomar um novo rumo na vida. “Gostei do texto desde a leitura dramatizada e durante o processo de construção do espetáculo fui me envolvendo com o cheiro nostálgico e a delicadeza lúdica que realça a força dramática da peçaâ€, garante Sugahara.
Escrita em um momento difÃcil da vida – a separação - para a autora Márcia Zanellato, o maior prêmio é poder ver seu texto encenado. Ela que já trabalhou com Domingos de Oliveira, agora tem a possibilidade de ver sua própria peça em cartaz no CCBB.
Já o diretor Ivan Sugahara se diz feliz com o resultado e pela possibilidade de encenar o texto vencedor do projeto Seleção Brasil em Cena, depois de quatro anos participando do projeto. “Acho muito bacana conhecer jovens atores e novos autores e ajudar as pessoas a entrar no mercado de trabalho. Esse é o real objetivo do projeto Seleção Brasil em Cenaâ€, conclui. O elenco é formando por jovens atores recém saÃdos das principais escolas de teatro da cidade. Eles participaram das leituras dramatizadas e foram selecionados através de testes com o diretor.
Casos de Sucesso
Ao longo dos quatro anos de realização, o Seleção Brasil em Cena, abriu espaço para diversos novos autores, colocou atores no mercado de trabalho e teve um de seus autores premiados recebendo indicação ao prêmio Shell de melhor autor, consolidando o projeto como um dos mais importantes da dramaturgia nacional da atualidade.
A história do Seleção Brasil em Cena revela dados curiosos. Dos 12 finalistas de 2006, quatro autores tiveram os direitos de seus textos comprados por diretores conceituados como Stella Miranda e Luis Carlos Maciel.
Em 2007, a estreante atriz Julia Marini participou dos testes para formar o elenco de A Tragédia de Ismene. Foi escolhida pelo diretor Moacir Chaves e teve atuação tão elogiada pela crÃtica que hoje não sai mais dos palcos. Esteve no elenco da peça O Jardim das Cerejeiras, sob a direção do mesmo Moacir Chaves que a descobriu e revelou no Seleção Brasil em Cena, comprovando a idéia original do projeto de fomentar a inserção no mercado de trabalho.
Em 2008, a peça vencedora foi o musical É Samba na veia, é Candeia, que revelou o jovem dramaturgo Eduardo Rieche, vencedor do prêmio Shell deste ano. Candeia teve uma temporada de sucesso no CCBB e depois seguiu adiante em outros teatros, rendendo ao autor a primeira indicação ao prêmio Shell.
Em 2009, Tempo de Solidão foi a peça vencedora entre 162 textos de diversas partes do Brasil.
Em 2010 as inscrições para o Seleção Brasil em Cena abrem em outubro e os 12 textos finalistas terão leituras dramatizadas em dezembro, sob a direção de nomes consagrados como Ivan Sugahara, Gilberto Gawronski, Moacir Chaves e Paulo de Moraes. As 3 melhores peças eleitas por júri popular ganham prêmios em dinheiro no valor de 5 mil, 3 mil e 1 mil reais respectivamente, além da montagem da peça vencedora em 2011.
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