colaborações publicadas
Eu continuo sendo aquele menino aborrecido que pediu Lucy pra namorar em um quartinho escuro, o mesmo que até hoje me assombra, ao som de Making Love out of nothing at all. E cada dia mais aborrecido, achando tudo abominável, o Jornal Nacional, as canções do Lenine ou as cafajestagens do Fernando Meireles. Sempre irritado com os malditos vendedores da TV Polishop. Ou os palpites...
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Eu queria mais era o proibidão que tanto incomoda aqueles babacas com suas camisas em listras horizontais ou as pranchinhas oxigenadas das frÃgidas endiabradas. Essa é uma mistura que apenas me causa nojo, mas também aquele recalque do tesão suicida.
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Naquele tempo meus pés não tocavam o chão. Era criança, uma inocência sórdida; lente pela qual tudo ao meu redor parecia mortalmente encantado.
Só mesmo com uma garrafa de uÃsque para agüentar isso aqui.
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Literatura como perfume da Avon como final de novela das oito final de campeonato, literatura igual a do Paulo Coelho com mensagenzinha bacaninha no final, tipo mensagem que dá um sentido boçal a porra da sua vida, tipo mensagenzinha frÃvola que faz você se sentir melhor por que no fundo você é um merda
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Basicamente, tenho o umbigo do tamanho do mundo e uma pretensão boba de querer ser Deus antes da criação.
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Leitura aconchegante para leitores despreocupados.
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O estilo é o que importa. Afinal, até para lavar vasilha é preciso ter um estilo. Acredito que os grandes escritores - Kafka, Borges, Robbe-Grillet - possuem um jeito personalÃssimo de ver e traduzir o que sentem. Até para arrotar esses caras conseguem ser insuperáveis.
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O que pode ser mais ordinário do que um adolescente tentando se enturmar? Ou um grupo de jovens que saem para beber sábado à noite? Ou marmanjos que se reúnem para um futebolzinho no campo society do bairro enquanto as esposas fazem alongamentos e sessões aeróbicas na academia, antes da consulta com o nutricionista? Uma realidade virtual dessas só pode ter sido planejada...
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Não é fácil ter consciência das pequenas mesquinharias que a alma consome ao longo de quarenta anos lutando para participar da festa. Não encontrar reciprocidade, porém, ainda pode ser a melhor promessa de uma vida livre de festinhas de crianças e exames de pré-Natal. É mesmo?
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Não tenho nada a dizer em defesa dela, naquele mesmo sábado encontrei com Suely na sua casa, festinha não sei de que nem para quem. Ela agiu como se nada tivesse acontecido, e de fato nada aconteceu de relevante na proporção de outras experiências bizarras por ela protagonizadas no passado. Da minha parte, um apaixonado que se masturbava enrolado nas toalhas sujas da casa...
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Não tenho medo, apenas a certeza do quanto me vendo por tão pouco. Perdi o lirismo broxante dos 18 anos, aos 30 me ferrei com a balconista... Isso não tem importância agora. Hoje, sou o projeto ambulante de um hipertenso de meia-idade e meia tesão suicida.
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O nó-na-garganta, eu era um apaixonado. A vizinha, a moça da padaria, todas que não tive coragem de pedir pra dançar... afundando. PatrÃcia e Mayara, Lucy, Sy e Cris, as garotas do Fantástico, só mesmo umas cocaÃnas, todo o conhaque. Malditas sejam todas aquelas trilhas de novelas e o escambau. Que merda.
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Rolezin no shopping da zona sul com a galera do pixo. Que tal um rolezin saino das quebrada Vila Cemig Morro das Pedra Pedreira Taquaril Ventosa, galera do pixo firmeza tá ligada. Fazer do shopping point da pixação pixar é humano.
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Minhas crônicas não me interessam. Mas tento arquitetar umas estratégias discursivas, eu que tanto queria ser Mirisola e Godard ao mesmo tempo, e um pouco de Chet Baker também. Minhas ilusões alienÃgenas. Mas a verdade é que estou de saco-cheio disso aqui, e de ficar teclando minhas punhetas broxantes. É mesmo uma merda, mas ainda tenho minhas estratégias, meus jogos e...
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Mais broxante do que isto não tem jeito. Me superei na canalhice de fachada, os olhos molhados de medo, as faces vermelhas de vergonha. Eu cheirava catinga de privada nas festas na casa da Avó. 1982. 1989. Não importa!
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A porra da civilidade não tem nenhuma relação com a escrita, pois ela não é de ninguém, não é endereçada, tampouco responde a neuroses de algum autorzinho de merda. Quero mais é que isso tudo se foda.
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mais do mesmo de uma vida para jogar fora, e daÃ?
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continho meia-boca, auto-ajuda suicida, a mesma lorota de sempre, tudo sobre uma vida para jogar fora.
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continho crônica broxada
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