colaborações publicadas
Ao meio-dia deste ano, pela Editora Casa das Musas, foi publicado o livro-reportagem “Viagem ao crepúsculo”, do jornalista Samarone Lima. Um relato forte, verossímil e assustador, especialmente para aqueles que prezam a única experiência socialista da América Latina: a revolução cubana. Num piscar de olhos, viajei de volta à “aurora da minha vida, à minha infância/adolescência querida,...
+
Eu ia andando pela rua meio apressado, eu sabia que estava super atrasado, cheguei ao Centro de Cultura João Gilberto esbaforido, vi um “cabra arretado” chamado Chico Egídio e, como de costume, fui cumprimentá-lo.
Desajeitado, fui tomar o vão da escada para chegar ao teatro quando fui surpreendido por uma garota que me perguntou, de soslaio: “Você teve algum vídeo selecionado?”....
+
Trata-se de um slideshow (fotografias entremeadas de depoimentos e cânticos) de uma expressão da religiosidade juazeirense: as Alimntadeiras das Almas.
+
Uma viagem pelas mudanças e permanências da paisagem urbana de Juazeiro, ao som da música "Frevolô", dos Matingueiros.
+
Nestas fotos está inscrito o olhar de encantamento, espanto e admiração com um dos Patrimônios Culturais da Humanidade - a Cidade de Goiás. Tais imagens são fontes de contemplação e reflexão, uma vez que em outras cidades, como Juazeiro-BA, são frequentes as agressões ao patrimônio material e imaterial.
+
Vapor Saldanha Marinho, Orla Nova de Juazeiro-BA. Final da tarde de domingo, 14 de setembro de 2008. Enquanto o sol ia se despedindo de um céu sem nuvens, Mãe da Mata foi chegando com seus apetrechos: objetos artesanais vindos diretamente de sua loja cultural.
“Domingo é o dia de maior movimento em minha loja. Eu a deixo fechada e venho pra cá. Juntar os artistas de Juazeiro...
+
Uma homenagem aos operários que estão duplicando a ponte Presidente Dutra, que une (e separa) as cidades de Juazeiro-BA e Petrolina-PE.
+
Agosto é o mês do “Festival Raiz & Remix”, um projeto audacioso, que chega à sua terceira edição trazendo para o palco principal as raízes da cultura popular e as matizes da música contemporânea.
É onde o centenário Samba de Véio da Ilha do Massangano se encontra com as releituras groovianas de uma das variantes artísticas do músico Alfredo Bello, o DJ Tudo, e o som da Tenda...
+
O sociólogo francês Pierre Bourdieu, em seu artigo “O mercado dos bens simbólicos”, faz a distinção entre duas vertentes do campo de produção de bens simbólicos: o campo de produção erudita e o da indústria cultural.
Para ele, “a diferença básica entre os dois modos de produção se refere a quem se destinam os bens culturais produzidos. O campo de produção erudita destina a produção...
+
Na sombra de uma árvore, no meio da calçada, no estacionamento, no banco de pedra de uma praça... depois do almoço ou para enganar a fome... estas fotos provam que nós temos onde cair sim: mortos ou vivos...
+
“Foi bom. Só faltou luz”, diria Biribinha mais tarde, quase travestido de Teófanes Antônio Leite da Silveira (“o homem que vive à custa de Biribina”, como ele mesmo faz questão de ressaltar).
Depois de percorrer onze cidades pernambucanas, seguindo o itinerário do Palco Giratório, o espetáculo “o Reencontro de Palhaços na Rua é a Alegria do Sol com a Lua” veio desembocar na...
+
Mais uma vez, cada qual que se apresente...
+
Com o início da duplicação da Ponte Presidente Dutra, em janeiro de 2002, muito se falou sobre a possibilidade de os arcos da ponte serem retirados, no intuito de facilitar as obras. Felizmente, a sensatez floresceu na consciência dos senhores do progresso e nossos olhos não serão furtados das fortuitas perspectivas dos arcos. A história cultural do Vale do São Francisco agrade...
+
50 anos depois de João Gilberto ter “transformado o violão num piano”, segundo o lendário vilonista juazeirense Edésio Santos, o Centro de Cultura João Gilberto será palco de um espetáculo alusivo ao mais influente estilo musical brasileiro: a Bossa Nova.
Como parte das comemorações aos 130 anos de elevação de Juazeiro à categoria de cidade, um relicário de canções interpretadas...
+
Prefiro não apresentar... Cada pessoa que se apresente.
+
“Dia de luz, festa de sol/E o barquinho a deslizar/No macio azul do mar/Tudo é verão, o amor se faz/Num barquinho pelo mar/Desliza sem parar...”.
Sem intenção, Fred Pontes, ao ouvir esta canção no sussuro límpido de um certo João, tomou um susto. Foi como se um mundo novo saísse do mar ensolarado da TV e beijasse a luz incandecente do barco, este que nos carrega pelas veredas...
+
"De fato, como podia/Um operário em construção/Compreender por que um tijolo/Valia mais do que um pão?"
Eis uma homenagem aos operários que estão duplicando a ponte Presidente Dutra - ligação entre as cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). São fotografias do dia-a-dia de trabalho árduo dispendido por eles, entremeadas por trechos do poema "Operário em construção", de Vinícius...
+
Na manhã de um domingo cinzento cheguei à margem esquerda do Rio São Francisco tomado de um desejo intenso de conhecer a história de uma das mais antigas e originais manifestações da cultura ribeirinha: O Samba de Véio.
Depois de percorrer 15 quilômetros de asfalto no único transporte regular que circula por ali (as vãs) vislumbrei a terceira margem do rio percorrendo um trecho...
+
Nas primeiras vezes em que passei pela rua Castro Alves, parte de meu itinerário cotidiano, evitei pisar na calçada de uma única casa: a de número 76. Não sei se por algum receio de que fosse proibido, não sei se por pudor... O certo é que, quando eu chegava na Calçada da Fama, descia para a rua...
Com o tempo fui vencendo esta barreira e me acostumando a pisar em estrelas com...
+
Celestino Gomes foi o mais notável artista plástico que a cidade de Petrolina, sertão de Pernambuco, teve o privilégio de abrigar.
“Corvo das idéias primordiais”, “poeta dos pincéis celestiais” e “Hemingway do sertão” foram algumas alcunhas utilizadas pela população local numa tentativa de apalpar a ave solitária que vivia numa kombi branca retratando a paisagem sertaneja na...
+
Até hoje é possível ver marcas da maior Epopéia brasileira espalhadas pela cidade de Euclides da Cunha.
São punhais feitos artesanalmente, granadas usadas pelo exército, uma bala do canhão withworth 32 (mais conhecido entre os conselheiristas como “matadeira”), moedas da época, clavinotes, espadas etc.
De tudo, um lugar chama a atenção pela força simbólica de uma característica...
+
Plantas catalogadas e descritas por Euclides da Cunha no livro “Os Sertões”. Pilar, tijolos e pedras do alicerce da Igreja Velha de Bom Jesus. Armas pederneiras em sílex usadas pelos conselheiristas. Crânios humanos de possíveis combatentes e objetos de utensílios domésticos do ano da graça de 1897. Essas são algumas relíquias possíveis de serem observadas numa visita ao Memorial...
+
Tem um poema que vive preso a minhas memórias mais remotas. E, com a proximidade do dia das mães, ele deságua com toda a sua força. Nunca encontrei o poema na internet, nem em livros de literatura.
Um dia, inventariando um arquivo pessoal de uma professora de Juazeiro-BA (Maria Franca Pires), encontrei "Epitáfio", de Cassiano Ricardo (1895-1974), num caderninho confeccionado...
+
- Quem foi assistir ao espetáculo do Circo Picolino no Centro de Cultura João Gilberto? – pergunta Leonardo, na altura de seus 18 anos de vida - seis de NAEND’A.
Na manhã de uma segunda-feira de abril, vozes dissonantes se espalharam pelo círculo formado por cerca de 30 crianças e adolescentes da periferia de Juazeiro-BA. Clériston, 12 anos, é o mais agitado. Com seus seis anos...
+
“Isto daqui é infinito. É como música, sempre vai surgindo um modelo novo...” – diz dona Juraci, ainda encantada com seu novo labirinto.
Quando cursava a quinta série do ensino fundamental, a professora pediu que cada estudante fizesse uma caixinha de papelão para entregar à mãe. Hoje dona Juraci ensina crianças carentes da cidade a levar adiante a chama imortal que anima ela...
+
Nascida para aproximar duas margens opostas por um feixe d’água (o rio São Francisco), a ponte Presidente Dutra conseguiu transgredir sua própria natureza. Sem perder sua função de ser o elo físico entre as cidades de Juazeiro-BA e Petrolina-PE, a ponte exerce um fascínio de tal maneira que, mesmo depois de percorrermos seus 801 metros, fica habitando nossas vidas por um bom tempo...
Há...
+
“O que um vapor está fazendo atracado na orla de Juazeiro-BA?”
Eis uma pergunta recorrente para quem se depara pela primeira vez com aquela “máquina de alta pressão, sem expansão e condensação, inclinada à ação direta com quarenta rotações por minuto”, como Francisco Manoel Álvares de Araújo descreve o vapor Saldanha Marinho: o Vaporzinho.
No dia 3 de fevereiro de 1871, Álvares...
+
Cercada de água e mistérios por todos os lados, a Ilha do Fogo é a maior testemunha do que Caetano Veloso, numa célebre passagem pela região, identificou como a “sombra do ciúme” que paira sobre Juazeiro-BA e Petrolina-PE.
Divisa natural entre os estados de Pernambuco e Bahia, a ilha possui uma área praiana de terreno acidentado, formado por uma rocha única, elevando-se ao poente...
+
Joana, olhando a fotografia de Joaquim Correia Lima, mais conhecido como Mestre Quincas, desconfia da historiografia oficial. “Eu vejo aquela foto e penso: Rapaz, 40 anos e já daquele jeito...”.
Nas convergências históricas, é possível saber que Joaquim freqüentou a Escola de Belas Artes de Salvador, foi fotógrafo profissional e chefe de pintura da Leste Brasileira. Aos 40 anos,...
+
Até hoje não se sabe ao certo quando a primeira “alimentadeira de almas” (expressão feminina que serve para homens e mulheres) resolveu caminhar pelas noites da quaresma entoando benditos e fazendo orações, nem se foram realmente os capuchinhos e franciscanos, que fundaram no início do século XVIII a cidade de Juazeiro, sertão da Bahia, os responsáveis pela introdução da prática...
+
Seu Alzir Maia, historiador do Museu do Sertão, conta que tudo partiu da cabeça de um homem visionário. Seis meses depois de chegar a Petrolina para ser o primeiro bispo da diocese, o italiano Dom Antônio Maria Malan resolveu reunir representantes dos então três mil habitantes da inóspita cidade do sertão pernambucano para apresentar a idéia de construir uma catedral gótica.
Pelos...
+
No início da tarde de uma quinta-feira saí de casa a fim de encontrar o homem que, muito provavelmente, deve ser numericamente o maior produtor de carrancas da região do São Francisco: o juazeirense Paulo Roberto de Jesus Santos ou, como é mais conhecido, Paulo das Carrancas. Há 25 anos, ele já havia fabricado 32 mil carrancas.
Entrei no ônibus coletivo com uma referência básica,...
+
Elas levam aproximadamente 60 dias para serem produzidas, numa colcha de retalhos de solda com 20 metros de comprimento por 4,2 metros de largura e um metro de profundidade. Terminado o empreendimento, são batizadas por seu proprietário e entregues ao sabor das marés.
Até hoje não se sabe se as cidades acordam com o ronco do motor das barcas ou se as barcas acordam com os passos...
+
Se na cidade de Ourinhos, interior de São Paulo, Tom Jobim foi homenageado na escolha do nome do Centro Cultural, em Juazeiro, interior da Bahia, o nome do Centro de Cultura reflete a gratidão da terra por um de seus filhos mais ilustres, o também precursor da Bossa Nova: João Gilberto.
E é impressionante como, decorridos mais de 50 anos da partida de João Gilberto, a programação...
+
O que você imaginaria ao encontrar, numa visita a um museu, uma lagartixa tentando se camuflar entre folhas de umbuzeiro, mandacaru, xique-xique e palma? Provavelmente, chegaria à conclusão de que errou o endereço e acabou entrando num zoológico cuja vegetação simboliza o semi-árido brasileiro. Entretanto, por incrível que pareça, a lagartixa, juntamente com a caatinga, pertencem...
+
No dia 6 de setembro, o Bodódromo completará oito anos com a fama de ser o maior complexo gastronômico de degustação da carne de bode do mundo. A história se inicia entre os anos de 1988 e 1990, que segundo informações de Isaías Mororó, presidente da Associação do Bodódromo e um dos idealizadores do projeto, marca o início da construção de barracas especializadas em servir a carne...
+
O calor, em Juazeiro, sertão da Bahia, provoca muito mais do que arrepios. O clima semi-árido é um ensejo para um mergulho profundo nas águas do Rio da Integração Nacional – divisa natural entre as cidades de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. Mas, no vai-e-vem da vida ribeirinha, poucas pessoas se aventuram a dividir o espaço aquático com coliformes fecais e metais como cádmio, mercúrio,...
+