Dia 1º de Janeiro de 2034 Cesar acordou percebendo que a nave desacelerava aos poucos. Correu para a cabine de comando e uma das mais belas visões de sua vida descortinava-se mostrando um planeta azul, como a Terra. Banhado por um límpido sol como de um dia de primavera. Ele voltou correndo para acordar as mulheres.
– Venham ver com seus próprios olhos porque eu ainda não estou acreditando. Elas olharam para a tela e corria lágrimas de seus olhos.
– É verdade? É um planeta igual a Terra?
– Sim! É um planeta, se é exatamente igual a Terra, nós iremos descobrir logo.
– Ok! A nave está desacelerando e irá entrar em órbita então desceremos até lá.
– Eu quero ir também. Falou Maria enxugando as lágrimas.
– Bem, a nave não pode ficar abandonada. Você pode ir, e Lúcia e Alisha, disputarão no palito. Quem perder fica na nave e irá depois em outra viagem. De acordo? Alisha apressou-se em responder. Não precisa, eu fico. Acho que entre eu e Lúcia a que tem mais experiência sou eu mesma. Já pilotei uma nave.
Cesar resolveu que fariam um vôo com o módulo de apoio antes de arriscar-se a descer em terra firme. À medida que a nave penetrava na atmosfera a sensação era de que estavam na Terra e não em outro planeta perdido na imensidão do cosmos. As duas mulheres agarradas em seu pescoço quase o sufocavam de tanta euforia.
– Calma gente! Acho que encontramos. Vejam o oceano como na Terra. Vamos acelerar mais e ver o que há além. Sobrevoavam o planeta e agora viam campos florestas, montanhas e animais pastando, pareciam búfalos, mas ainda estavam muito alto para definir. Cesar resolveu reduzir a velocidade e voar mais baixo.
– Gente, a atmosfera é a mesma. Estamos em casa. Esta será a nossa nova casa.
Não havia, contudo sinal de seres humanos. Não havia construções ou nada que denunciasse a presença de uma população humana.
– Ok! Vamos procurar uma área onde possamos pousar as células de sobrevivência. Liberdade aos nossos animais. Eles acharão aqui o seu habitat natural e nós vamos criar um novo modelo de vida que não tenha nada a ver com o que foi o nosso planeta de origem até agora.
– Vamos descer um pouco. Aquela clareira ali parece um bom lugar.
A nave pousou suavemente e eles desceram pela primeira vez em terra firme desde que aquela aventura começara. O ar puro de um campo aberto era algo que não curtiam há muito tempo mesmo enquanto ainda estavam na Terra. Maria corria de um lado para outro e Lúcia agarrada à cintura de Cesar tinha um ar sonhador.
– Sabe! Parece um sonho. Mas aqui estamos. Vamos mudar logo?
– Claro! Na volta faremos um trajeto diferente, quero observar mais um pouco.
Na manhã seguinte resolveram descer com as células de sobrevivência. Cesar desceria com as duas acopladas até determinada altura e depois desligaria a 181 que ficaria suspensa aguardando. Não havia como descer as duas ao mesmo tempo. Foi uma tarefa longa e complicada. As imensas estruturas exigiam habilidade e concentração para evitar um acidente. Finalmente ao entardecer as células em terra firme tiveram suas escotilhas abertas e os animais saiam livres a descobrir seu novo lar. Cesar ficou pensativo e depois falou.
– Bem! Vamos cuidar para que não volte a acontecer conosco. Vamos evitar todos os males humanos que nós bem os conhecemos. Vamos fazer uma prece por nossos irmãos que foram abandonados à própria sorte.
– Vamos pedir a virgem de Guadalupe que os proteja e que faça com que o planeta Terra consiga de alguma forma voltar a sua órbita original. Eu tenho muita fé na virgem. Falou Maria ajoelhando-se para rezar no que foi acompanhada pelos outros.
– Não deixaremos que aconteça conosco o que criou tanta desigualdade na terra. Lá a vida levou milhares de anos para se desenvolver. Aqui é diferente. Basta que criemos nossos filhos com uma boa orientação para que não volte a acontecer. Decidiram de comum acordo que utilizariam as naves como moradia até estabelecer como seria a vida no novo planeta. Um cão aproximou-se quase sem ser notado e chegou junto a Maria e a cheirava.
– Cesar! Olhe! Um cachorro, aqui tem cães. Nós não tínhamos cães na nave.
– Legal, dê-lhe algo para comer. Você já fez um novo amigo. Caia a noite e a temperatura agradável fazia com que ninguém pensasse em se recolher tão sedo. O céu estrelado e duas luas enormes. Afinal não era assim tão parecido com a Terra. Então um ponto de luz distante se aproximava lentamente.
– Cesar, o que é aquilo? Perguntou Lúcia preocupada.
– Parece uma nave!
Era uma nave, um disco voador? Sim! O estranho objeto pairou a uma determinada altura distante uns 100 metros de onde estavam. As mulheres ficaram nervosas e Cesar lembrou que nem estava armado, mas resolveram aguardar. Uma espécie de escada desenrolou-se ao centro do objeto e todos viram um homem descer lentamente. Era um homem forte, vestido com uma roupa inteiriça colada ao corpo. O estranho sorriu e aproximou-se lentamente com a mão erguida em sinal de paz. Ele chegou diante de Cesar e telepaticamente anunciou.
– Somos de paz, venham em paz.
– Quem são vocês. Pensou Cesar. Ao que o estranho retrucou. Somos seus vizinhos. Estamos monitorando seu movimento a bastante tempo. Nós também abandonamos nosso planeta e buscamos sobrevivência em outro chão. Encontramos este aqui e ajudamos a vocês. Tomamos a liberdade de fazer pequenas alterações em sua rota para que nos encontrássemos aqui. Nós também temos problemas de procriação e talvez possamos cruzar nossas raças. Pois temos a mesma constituição genética. Cesar não acreditava no que estava ouvindo. Esta poderia ser uma solução, mas precisava conhecer melhor os visitantes. Quem eram e de que forma viviam. O estranho percebeu, podia ler os pensamentos. Fez então uma longa narrativa de seus costumes e porque abandonaram seu planeta de origem. Superpopulação. Há muito tempo, grupos de viajantes partiam periodicamente de seu planeta em busca de novos espaços. Cesar lembrou-se da Heart Space Traveler. Que fim teria levado. Então para sua surpresa o estranho falou. Eles não tiveram sorte. Entraram em uma área de atração de um grande buraco negro e de lá nem a luz escapa. Sinto muito.
– Nem sinta tanto. Pensou Cesar. Seja bem vindo. Traga seus companheiros. Combinaram que no dia seguinte ele traria seus parceiros, 3 homens e 4 mulheres, contando-se aí sua própria companheira. Então de comum acordo estabeleceriam regras de sobrevivência. Eram vegetarianos e desta forma não haveria consumo de carne animal. Cesar já havia pensado nisso. Achariam um meio de substituir a carne por vegetais, frutas e cereais.
– Como se chama? Perguntou.
– Pode me chamar de Adam, respondeu o estranho.
Cinco anos depois viviam em perfeita harmonia e começava a nascer uma nova e promissora raça. Com habilidades extras como telepatia herdada de seus progenitores. Uma diferença fundamental no novo planeta. Não havia agressividade entre seres humanos ou animais que agora eram livres e conviviam em perfeita comunhão. Não haveria moeda. Nada teria um valor monetário. Homens livres jamais seriam venais. Não haveria casamentos. Todos seriam livres para decidir por quanto tempo viveriam juntos. Não haveria guerras. Não haveria um exercito e nem fabricação de qualquer tipo de arma ou instrumento que servisse para ferir alguém. Alisha tomou como esposo um Extraterrestre. Extraterrestre? O quem vem a ser isto?
O novo planeta nem se chamava Terra. (Não tinha ainda um nome. Não havia consenso dobre uma pronuncia bilíngüe). Bem, mas como ia dizendo, Alisha teve ao todo 10 filhos. Cesar continuou com Maria e Lúcia, pois não houve um acordo sobre quem deveria abrir mão e já que todos eram livres para decidir, qualquer homem poderia desposar mais de uma mulher, desde que houvesse comum acordo. Maria teve gêmeos duas vezes então somava 9 filhos. Lúcia por sua vez teve apenas dois. Um casal. Complicações pós parto a impediram de continuar procriando. O trabalho de campo continuava sendo feito por 340 robôs. As naves proviam energia de alta qualidade e não exigiam qualquer combustível. As mesmas peças de chumbo garantiam energia sempre renovada. Cesar que não era nada bobo mantinha sob sigilo um romance com uma, (Extraterrestre?) chamada Amor. Pela primeira vez, ( amor hoje não, estou com sono!) fazia sentido. Afinal tanto tempo com 3 mulheres o deixaram mal acostumado. Ops! Ou bem acostumado? Força do hábito.
Ω;Ω;Ω;
Dia 1º de Janeiro de 2034 Cesar acordou percebendo que a nave desacelerava aos poucos. Correu para a cabine de comando e uma das mais belas visões de sua vida...Será?
Oi Lauro... E continuemos a navegar por mares cósmicos nunca dantes navegado...
Abraço fraterno. jbconrado.
você nosm conduz em suas histórias para sempre esperarmos pelo passo seguinte...
Greyce Kelly Cruz · São Luís, MA 30/3/2010 12:03
Ola poeta!!!
Suas historias sempre emocionantes. Terei que ler os outros textos para entender. Bjs poeta
rsss... Nossa, Lauro, adorei esse "The End". Utopia maravilhosa a sua, hem?
Vai escrever outra?
Bjosssssssssssssssss
Prvisões para o futuro? 2034 chega logo!!!
Ah...quem dera que em outro planeta tudo fosse assim...
"sem violencia e maldade, só paz e amor"
bjs
LAURO WINCK · Torres, RS
2034 – Fugindo do apocalipse-N-N
Um belo Planeta Azul, a extraordinária visão de Gagarin.
Uma leitura agradável passando uma perspectiva instrutiva e de respeito Humano.
Um Bom trabalho que merece todo elogio.
Parabéns.
Abração Amigo para todos.
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