O ônibus chega,
prenhe de pessoas-sonho vivendo o que,
se sonhassem,
seria impossível.
Na grande máquina de moer gente que é a vida,
delírios parkeanos do pós-guerra waterpinkfloydeano
- eles que são gente que se entendam! -
partem para a novidade
da guerra de hoje.
O mesmo tudo de sempre
delineado por tempo
para o tempo,
outorgando tempos não seus,
impõem amanhãs supostos
e serve realidades postiças;
o tempo de sempre
com o mesmo prego
a cada passo,
em cada piscar de olhos uma ruga
- rastro davida -
desenhando na carne
as desavenças do espírito.
Portos distantes
aproximados pelo fumo dos ventos,
pelo porto-bálsamo engarrafado,
engarrafador de dores,
postergador de ais...
anjo farmácia ali da esquina,
anjo mercado super novo antigo,
anjo da rua ou do mato,
de t.v., de rádio, de geladeira,
anjo à passarinha.
Antropofagica & realmente
o caminho devora-se:
ourobouros encruzilhadas
“como oferenda só presta a alma”
e o ‘dou’ e o ‘quero’;
beleza & olho são o mesmo gume...
O ônibus para,
o porto se esvai
na sombra das certezas.
O caminho de volta é mais fácil
quando se sabe o caminho de volta.
Ainda é dia.
O céu azul-claro-quase-escuro bate suas asas e vai para longe.
A noite bafeja suas estrelas;
o barqueiro com a ilha ao fundo
e o amanhã sobre os ombros, ignorando sua responsabilidade,
abre mais um dia cheio da certeza da certeza alguma.
- So pra votar e lhe dizer lindo, lindo e perfeito. andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 15/7/2007 17:32
Cara, MUITO obrigado!!!
O que tens aqui e em outras páginas de minhas colaborações são doações, entregas.
Pessoa diz, no seu Sonet I, "What we are Cannot be transfused into word or book.
Our soul from us is infinitely far." (O que somos não pode ser transfusado para a palavra ou livro, nossa alma, de nós, está infinitamente distante); eu quero o contrário:
Transfusar para o papel,
para o dia,
para a noite,
para os gritos de silêncio da aurora,
para as tardes que mal entram e já se vão,
escorrendo por baixo da porta]
minha alma,
o que sou.
Certeza apenas de ter me despido
da Norma&Regra
para poder, inclusive, quebrar essa regra,
e cair dentro do paradoxo que salva,
sm tirar à fórceps
o sorriso de alegria
ou a simples poesia
que ira, algum dia,
iluminar o escuro de que luz precise
e não se encontre.
É o que sinto
o que escrevo,
nada mais.
Só não consegui ainda que essas letras me salvem de mim mesmo.
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eis o Overpoema II!
Da mesma forma que os outros Overpoem e Overpoemas, sentidos com a provocação/comentário/lembrançadeSonet1, e expressados aqui nos poucos minutos que tive.
GRANDE abraço!!!
p.s. - Gostei MUITO da poesia do Benny Franklin, espero que aprecie.
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