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A ARMADILHA

zegadis
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Antonio Brás Constante (Escritor maluco) · Canoas, RS
8/3/2007 · 67 · 3
 

A ARMADILHA
(Autor: Antonio Brás Constante)

Fim de tarde. Sua namorada lhe convida para passearem juntos. Como é bom namorar. Você caminhando de mãos dadas com seu amor. A cabeça flutuando longe, imaginando uma parada em algum barzinho com sua amada para desfrutarem de um delicioso sorvete, ou quem sabe um chope geladinho. De repente sente a mão dela apertar mais forte a sua, puxando-o, ou melhor, arrastando-o para dentro de uma loja.

Então era isto. Uma armadilha. Bem que você desconfiou que havia algo errado quando sugeriu que entrassem em uma lancheria há alguns instantes atrás e ela fez que não lhe escutou. Agora você se encontra ali, no meio de uma infinidade de roupas, parecendo uma ilha perdida. Rodeado de “panos” por todos os lados.

Nessas horas sentimos uma certa fragilidade em nossos bolsos. Um calafrio que percorre a espinha indo parar dentro de nossa carteira, que fica acuada entre todos aqueles preços, códigos de barras e placas de ofertas.

Antes mesmo que se recupere do trauma inicial, sua companheira se aproxima de você. Umas três peças de roupa quase idênticas nas mãos. Mudando no máximo a nuance de cores entre tons pasteis e pastosos. Ela lhe olha com um olhar doce e pergunta se a primeira peça combina com uma das sandálias dela.

Você procurando ser prático responde “ahram”. Tem-se que ter muito cuidado ao se responder sobre algo a uma mulher que faz compras. Deve-se evitar polêmicas desnecessárias que fatalmente tornariam sua permanência ali ainda mais demorada e em muitos casos poderiam abalar a harmonia entre os dois.

A melhor resposta nesses momentos delicados é um sonoro “aham”. Ela continua lhe mostrando roupas e mais roupas, e você se mantendo firme em suas afirmações, continua emitindo o seu bom e velho “aham”.

Lá pelo décimo “aham” ela estoura. As mulheres são mesmo imprevisíveis. Você o tempo todo tentando ser gentil, concordando com ela e agora tem uma fera indomável na sua frente. Vociferando coisas sobre insensibilidade e incompreensão.

A raiva logo dá lugar a um choro abafado e triste. Um beicinho de quem teve o coração partido. Tudo muito rápido e intenso. Fazendo com que você se derreta todo, entre remorsos e culpa.
Seguem em silêncio para o caixa. Ela não tem mais dúvidas sobre quais peças levar, pois está com todas elas nas mãos. Você seguindo atrás. Carteira na mão, tentando lembrar a senha do cartão.

Por fim, seguem os pombinhos felizes para uma praça de alimentação. Ela com o rostinho cintilando de felicidade e você imaginando que no próximo carnaval sairá vestido em uma fantasia que lhe cairá como uma luva. Irá vestido de palhaço.

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Autoria
Antonio Brás Constante
Ficha técnica
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NOVA NOTA DO AUTOR (agora com muito mais conteúdo na nota): Caso queira receber os textos do escritor Antonio Brás Constante via e-mail, basta enviar uma mensagem para: abrasc@terra.com.br pedindo para incluí-lo na lista do autor. Caso você já os receba e não queira mais recebe-los, basta enviar uma mensagem pedindo sua retirada da lista. E por último, caso você receba os textos e queira continuar recebendo, só posso lhe dizer: "Também amo você! Obrigado pela preferência".

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Carlos ETC
 

Muito bom, Antônio!
Seus textos são ótimos!
(e essa realidade é cruel, mas ai de nós se não fossem elas...)
Abraço!

Carlos ETC · Salvador, BA 7/3/2007 10:42
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
wndrground
 

A boa e velha armadilha feminina.Ainda se pelo menos terminasse em um motelzinho rss.Abração!

wndrground · Cuiabá, MT 15/3/2007 15:54
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CastrodaMarinha
 

Mas de repente aquela retórica, de mãos dadas, amor ti amo e muita cumplicidade, ainda pode resgatar o velho nomaro de amar para sempre,,,custe o que custar!!!
Galera,,, o Marinheiro ama,,,de verdade!!!

CastrodaMarinha · Salvador, BA 1/4/2007 15:24
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