A Arte e a Cultura da Baixada Fluminense/RJ

Sérgio Vasgestian
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Claudina Oliveira · Nova Iguaçu, RJ
20/1/2010 · 2 · 0
 

A Baixada Fluminense, periferia da região metropolitana do Rio de Janeiro, vem, aos poucos, reescrevendo a própria história. A denominação “baixada” é recente, pois, até o século XIX, a região era chamada “Baixada da Guanabara”. Sempre foi uma região muito próspera, primeiro com os engenhos de açúcar, depois com a produção de café e, até o século passado, com a laranja. Frequentemente escrita, fotografada e interpretada por gente que se encanta diante de tanta riqueza cultural, a Baixada desponta como região promissora no Estado, como consequência do crescimento do espaço urbano, econômico e até da importância política.
Sua cultura tem a forte influência dos negros e nordestinos que engrossam a estimativa de aproximadamente quatro milhões de habitantes, segundo os dados do IBGE, e, mesmo assim, é tão pouco equipada com aparelhos culturais e de educação. Segundo os dados do Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro (SATED/RJ), é da Baixada Fluminense o maior número de profissionais com registro profissional no interior do Estado do Rio de Janeiro, abrigando, portanto, significativa mão-de-obra para a capital.
Vêm ocorrendo excelentes iniciativas por parte do terceiro setor, inclusive do setor privado, ora numa tentativa de minimizar as desigualdades nas oportunidades de acesso à produção cultural, ora para atender ao crescente interesse da população em apreciar as mais diversas manifestações artísticas. Dentre estas iniciativas, há os grupos de dança (do maculelê ao clássico), as mostras de teatro (dos amadores aos profissionais), as coletâneas literárias e mostras de música (dos grupos de pagode aos de especialidade erudita), revelando o inquestionável talento e competência desses cidadãos.
Os artistas da Baixada Fluminense, em suas diferentes segmentações, têm buscado incessantemente conquistar um espaço de convivência sem preocupação partidária ou qualquer bandeira; eles compartilham a condição de viverem numa região periférica e a determinação de que algo extraordinário aconteça. E assim também continuam as ONGs com seus cursos de música, de circo, de dança, de teatro, motivando, empreendendo, oportunizando novos cidadãos, afirmando a beleza de seus cantos, seus gestos, sua arte.
A emoção faz parte desse povo que, ao ter a chance de se expressar, deixa transparecer a explosão da alegria e a certeza de seu valor cultural. A autoestima vem aumentando. A Baixada tem o seu dia, 30 de abril, marco da sua expansão pela inauguração da primeira estrada de ferro construída no Brasil.
Às organizações que defendem e procuram integrar a sociedade “baixadense” creditamos o sucesso desse reconhecimento mútuo. Muitos encontros e muitas articulações são essenciais, como a idealização do Consórcio Intermunicipal de Cultura, iniciada no ano 2000 na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBEF), e, agora, a concretização de um sonho, que é a reestruturação do Centro de Artes e Cultura da UFRRJ, no campus Seropédica.
A Baixada Fluminense é um diamante que vem sendo lapidado por uma pluralidade sem fim de talentos ainda escondidos. Com toda essa força e empreendimento, pretendemos revelar ao mundo todo esse potencial; temos a chance de fortalecer tanto culturalmente como economicamente o Estado do Rio de Janeiro, vitrine de um país livre, rico, com intensa diversidade natural e cultural.
Assim experimento e sinto-me envolta numa vibração de esperanças que se renova a cada dia em milhares de cidadãos que produzem suas riquezas com fé, com garra, com arte, que geram o progresso que multiplica em cada rua, em cada bairro, em cada cidade, o real sentido da vida.

Sobre a obra

Um brevíssimo resumo da minha visão acerca da Baixada Fluminense no contexto cultural, baseando-me na minha vivência cultural e artística.

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informações

Autoria
Claudina Oliveira é Atriz; Diretora de Produção; diretora do Fórum de Cultura da Baixada Fluminense; idealizadora e realizadora do EncontrArte – Encontro de Artes Cênicas da Baixada Fluminense e realizadora do projeto Miss Baixada desde a primeira edição.

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