A Cidade Suspensa - Capítulo 7
O bonde sacudiu freneticamente enquanto alguns passageiros soltavam exclamações de sobressalto. Mesmo desconfiando da integridade do veículo, Kain mantinha sua costumeira serenidade. O barulho e as convulsões externas ao bonde tinham amainado e a atenção do viajante voltou-se então para a paisagem bizarra que se constituía na Cidade Suspensa. Kain pôde perceber grandes edifícios com chaminés e formidáveis fornalhas. O fumo que as mesmas despejavam, indistingüível na escuridão, tornava-se distinto por segundos, quando era iluminado pelo calor do fogo das chaminés.
Eram quilômetros e mais quilômetros do que parecia ser um complexo industrial no coração da Cidade. Kain olhou para baixo e percebeu que alguns blocos dessa região não estavam ligados pelo chão. Dava para ver as nuvens passando por debaixo de uma espécie de fenda, que era mantida unida por uma grossa corrente de ferro. Olhando ao longe, podia-se observar que essa corrente repetia-se por toda a extensão dessa fenda, mantendo a unidade daquela seção da Cidade.
"Impressionante, não?" comentou alguém ao lado de Kain. Desinteressado, ele virou-se e notou que um rapaz negro, de olhos vivos e cabelo rastafari o olhava com um sorriso brincalhão. Percebendo a mudez de Kain, o rapaz continuou:
"São as fornalhas. Elas são tudo aqui na cidade. Impulsionam as máquinas das fábricas, deixam as caldeiras dos banhos dos turistas aquecidas, mantêm toda a cidade flutuando..."
"Banhos? Turistas?" perguntou Kain, saindo de sua taciturna mudez.
"Sim, banhos e turistas. Alguns deuses gostam muito de nossos hotéis e boates, repletas de saunas, massagens e banhos. Ninguém fala abertamente, mas eu já vi uns anjos também. Sempre chegam disfarçados, pra não ficarem com a imagem comprometida..."
O bonde continuava a se mover pelos trilhos, os quais faziam uma ponte para saltar a enorme fenda que separava os blocos da cidade. O homem olhou para baixo, para o infinito de montanhas, vales e rios que passavam com rapidez sob a cidade.
"Eu nunca me acostumo com isso." comentou o jovem. "Tem uns outros lugares em situação bem pior. Só cabos de eletricidade, um punhado de gatos, prendendo quarteirões inteiros. Se cortarem um fio, já era."
"Mas as pessoas não têm medo?" perguntou Kain.
"Medo? Pode ter medo quem não tem alma? Ou tem uma falsificada? Muitos vendem o próprio coração para ter uma alma artificial, feita aqui na Cidade. Com ela, não é preciso ter medo. Ou se tiver, ele será muito mais saboroso. A propósito, chamo-me Salomão."
"Kain."
"Belo nome, meu caro." riu Salomão. "Com certeza um nome ideal."
Kain não entendeu a frase do outro, mas permaneceu calado. Sentia-se estranhamente nervoso. Tinha a sensação de que estava sendo procurado, e que seu caçador já deveria estar nas imediações da Cidade. Para disfarçar o nervosismo, Kain pegou a medalha que ele tinha guardado no bolso direito do sobretudo e começou a girá-la entre os dedos. Salomão olhou com interesse aquele pedaço de metal.
"A insígnia da Biblioteca!" comentou o rapaz, admirado. "O senhor é representante do Bibliotecário?"
"O quê?" Aquela pergunta de rapaz havia deixado Kain bastante confuso. Salomão, pelo contrário, mudou sua expressão, como se tivesse acabado de entender.
"Sim, sim, quer dizer que você é um emissário então. Tem passe livre para a Biblioteca. Pode me dizer o que vai buscar lá?"
Kain sentiu-se alerta. A aproximação de Salomão era por demais misteriosa. Havia dito o que queria, lançando informações ao ar, e agora queria saber talvez mais do que Kain deveria revelar. Mais uma vez, o viajante sentiu-se ameaçado. A perseguição, se alguma vez fora fruto de sua mente, era agora uma ameaça real.
O viajante Kain tem um objetivo. Para alcançá-lo, ele empreende a desastrosa jornada rumo a um lugar proibido: A Cidade Suspensa. Um labirinto misterioso e enigmático, povoado por renegados. O que Kain procura nesse lugar? Quais são seus objetivos? Descubra acompanhando esta novela.
Em uma viagem alucinante, Kain vai conhecendo cada vez mais os perigos e segredos da Cidade Suspensa.
nerito meu querido amigo, passo para que saiba que estou lendo seu texto,depois volto.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 17/8/2008 21:19Abro sua votação na espera de outros bons capítulos.Um beijo enorme em seu coração.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 19/8/2008 15:40
Excelente Poeta! Adorei teu texto!
receba meus votos e meu carinho!
beijo
Muito obrigado, caras amigas Clara e Celina. Com leitoras como vocês, sempre vou adiante!
Nerito · Belo Horizonte, MG 19/8/2008 23:06
Votando e esperando saber o que Kain procura...
Abraço
Nossa Nerito,adorei o conto
Esperando os proximos
Beijos
Gostei destq cidade e da nabeira como os hab itantes vivem
andre
Clara Arruda tem razão... Você é ótimo...
Airton
Estrela-RS
Nerito,
Parabéns, conto lúcido e bem estruturado
Levando em conta que Salomão foi um sabio, Rei de Israel, essa cidade Suspensa, promete um mundo á parte de conhecimento e sabedoria.
vou ler capítulos anteriores e os próximos.
gostei!
Obrigada Clara por me mandar o link.
bjssss aos dois.
Adorei o Conto Nerito. Vibrante
Voiltarei sempre.ab
Poxa tinha feito um coment tão bacana, pena que foi perdido! Repetindo ^_^'
Você sempre tem ótimas idéias Nerito e o que eu tinha notado e claro que você acabou me influenciando, foi com relação aos nomes, Kain, Salomão, tenho certeza que você tem muitas outras palavras por trás dessas que você nos mostra, saberemos quais são só no final! Ora é exatamente isso que faz com que continuemos grudados em sua narrativa! Sou sua fã, nem preciso dizer né!
Gostei muito dessa prazerosa leitura.
Votado!
Abraço
Nerito · Belo Horizonte (MG)
A Cidade Suspensa Capítulo 7
Saudação Amiga.
Estou aqui por indicação da nossa Amiga em comun Poeta Clara Arruda.
O Texto esta excelente e foi muito gostoso de ler.
Parabéns pela facilidade de desenvolver de forma agradável um tema táo interessante.
Abração Amigo
Excelente novela e precisa ser publicada. À medida que lia, envolvia-me no enredo.
Grande abraço, Clara.
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