A Cidade Suspensa – Capítulo 9

1
Nerito · Belo Horizonte, MG
20/6/2009 · 4 · 4
 

Amostra do texto

Kain penetrou naquele salão. Não havia janelas, apenas estreitas aberturas bem próximas ao teto, que estava a uns vinte metros de distância. Após perder alguns segundos contemplando o teto distante, o viajante voltou sua atenção ao aposento, que era de fato grandioso, porém frio, de uma frieza quase sepulcral. A lareira à direita nem parecia cumprir sua função de dar calor ao ambiente. Próxima à lareira, uma jovem de tez pálida, olhos cinzentos e cabelos loiros permanecia sentada em uma poltrona. Ela fez menção de levantar-se, mas o guia de Kain adiantou-se, erguendo as mãos em um gesto conciliador.

“Não precisa se levantar, senhora. Este forasteiro apenas está aqui para ver o seu pai.”

A moça voltou a acomodar-se na poltrona e virou o rosto para a lareira, ficando a observar o fogo. Logo além da lareira e da poltrona, havia uma pequena porta do que parecia o gabinete privado do Bibliotecário. O guia de Kain pediu para que ele aguardasse e atravessou o salão, sumindo além daquela porta.

O viajante olhou interessado para a jovem. Como que percebendo o olhar interessado a garota tirou os olhos do fogo e fitou Kain com aquelas duas esferas cinzentas. Era uma bela moça. Tinha uma beleza diferente da que Scarlate ostentava. A cortesã era selvagem, enquanto essa jovem tinha uma beleza doméstica.

“Sou Kain, sou novo na cidade.” começou a dizer o rapaz, para quebrar o silêncio. A moça suspirou e respondeu:

“Marília. Sou filha do Bibliotecário.”

O interesse de Kain aumentou. Lembrou-se de uma das condições de ficar na cidade: devorar o coração de alguma moça, mas somente se o coração nunca tivesse sido mordido. A filha de um distinto senhor, administrador de uma instituição daquele porte, seria a presa ideal. Marília olhava Kain como se já conhecesse as intenções dele.

“Não vai adiantar, forasteiro,” disse a moça “você não é o primeiro que me olha desse jeito.”

Kain quase engasgou com a própria saliva. Desconcertado, ele pôs a mexer nos botões do sobretudo. Marília então tirou os olhos dele e voltou-os ao fogo. Parecia que a jovem havia por fim perdido o momentâneo e superficial interesse no visitante.

Mas Kain habilmente preparava um feitiço. Se não fosse por bem, aquela garota iria ser dele por outros meios. Era temerário, de fato, usar magia no gabinete do Bibliotecário, mas Kain estava realmente desesperado para conseguir um trabalho.

“Se parar imediatamente o que está fazendo,” advertiu Marília, sem virar seu rosto para Kain “vou desconsiderar essa afronta. Mas se insistir, terei de comunicar meu pai e os favores que você poderia conseguir se tornarão definitivamente impossíveis.”

O viajante largou os botões e murmurou um pedido de desculpas. Mas Marília não parecia brava ou contrariada, apenas cansada demais para se enraivecer.

“É sempre a mesma coisa, sempre. Sempre os mesmos indivíduos buscando um caminho mais rápido para ter a Biblioteca. Isso me dá nojo.”

“Mas meu objetivo não é a Biblioteca.” retrucou Kain. “Quero apenas um jeito de ficar aqui na cidade.”

A moça olhou para ele, incrédula. Kain então percebeu a importância daquela instituição, a Biblioteca. Muitos já deveriam ter tentado enfeitiçar o coração da moça para herdarem o controle daquele complexo e de todo o conhecimento nele guardado. O viajante percebeu o erro que cometera. Curvou-se sobre o joelho direito.

“Fui precipitado e inconseqüente. Peço perdão, senhora.”

“Você não deve se ajoelhar diante de mim.” disse Marília, com um muxoxo “Faça isso diante do meu pai. Ele já vem aí.”

Nesse momento, a porta do gabinete privado abriu-se e o guia saiu, acompanhado do Bibliotecário. Kain sentia-se despreparado, mas suspirou fundo. Lamentou-se do erro cometido minutos atrás. Para conseguir o que poderia naquele lugar, precisava do maior número possível de aliados.

Sobre a obra

O viajante Kain tem um objetivo. Para alcançá-lo, ele empreende a desastrosa jornada rumo a um lugar proibido: A Cidade Suspensa. Um labirinto misterioso e enigmático, povoado por renegados. O que Kain procura nesse lugar? Quais são seus objetivos? Descubra acompanhando esta novela.

Nos capítulos anteriores, Kain conhece um importante segredo sobre a Cidade Suspensa. Agora, ele encontra-se em frente aos portões da Biblioteca. Seu objetivo será finalmente revelado?

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informações

Autoria
Nerito - um jovem que também é viajante, vagando por esta Cidade Suspensa - chamada Internet - buscando um lugar para expressar-se.
Ficha técnica
Título: A Cidade Suspensa
Capítulo: 09
Autor: Nerito
Páginas: 02
Palavras: 634
Caracteres: 3801
Nono capítulo da novela A Cidade Suspensa
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+ comentar
O NOVO POETA.(W.Marques).
 

um ótimo texto amigo, parbaéns.
votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 23/6/2009 08:40
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Nerito
 

Obrigado, caro mestre das palavras. Seu comentário muito me estimula. Abraços. Em breve virá o próximo capítulo.

Nerito · Belo Horizonte, MG 24/6/2009 10:31
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Cláudia Campello
 

Belo conto. continua ?
sera que ele conseguira "morder" Marilia e continuar na cidade?

bjsssssss♥;;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 24/6/2009 16:31
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Nerito
 

continua, sim. Hoje ainda postarei o próximo capítulo. Estejam ligados, amigos, e muito obrigado pelo seu apoio. Abraços!

Nerito · Belo Horizonte, MG 27/6/2009 19:41
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