Coração aberto
Acordado,
Desperto,
Uma criança feliz
Uma criança!
E, a este impúbere,
Mostram a face mais cruel da humanidade.
O isolamento do silêncio
Da ignorância,
Da desatenção.
Da monstruosa rejeição.
Eterram-lhe um punhal dourado
No seu coração pueril.
E o sangramento jorra,
Não estanca,
Não sara,
Nem cicatriza.
Só sangra
E, desvanece a criança...
A face outrora corada,
Assume tons azulados de sangue usado,
Até aos tons pálidos de nenhum sangue.
Desfalece a venusta criatura
Que mesmo, agora, adulta
Era ingênua em alegria
E, a adaga dourada fincada presa no coração.
Dantes aberto,
Escancarado...
Agora perfurado,
Perpassado,
Sangrante...
Esvaem-se sonhos e purezas
Sente-se a dor do ouro enfiado à força!
Junto às torrentes vermelhas,
Brotam lágrimas cristalinas.
Ricos cristais de pérolas azuis,
No rosto do infeliz.
Os cristais juntam-se ao sangue e ao ouro.
Amalgamados
Transformam-lhe:
Antes feliz,
Agora infeliz
Mas maduro!
Maturidade necessária,
Apressada,
Enviesada.
Construção evolutiva alquímica,
Dos elementos envolvidos.
Tornam-lhe alguém mais forte,
Humano.
E, a perfuração
Que nunca cicatriza,
Com o ouro entalado
No coração,
Dá lugar a outra coisa,
Outro órgão,
Algo como um quelóide que pulsa,
Na alma invadida.
E, daqueles dias,
Restam-lhe a memória da dor,
Da passagem da alegria para a tristeza
Da maneira brutal que foi,
Do ser que lhe deveria ter protegido
Mas só lhe feriu.
E, a esta pessoa,
Ao invés de rancor e ressentimento,
Guarda-se apenas agradecimento,
Por ter ajudado no crescimento,
Daquele a quem feriu.
Que venham todas as adagas voadoras...
Sejam elas de ouro,
Latão
Ou ferro enferrujado.
Cristiano Melo, 14 de Janeiro de 2007.
Cristiano,
Nessa grande "Construção do Ser", que nunca finda, nem sempre se faz passo a passo e seguindo os nossos quereres. Mas, muitas vezes, abruptamente, interrompondo e rompendo ciclos... Damos saltos no aprendizado, somos arrancados de nós mesmos.
É a criança sendo arrancada do seio por seus algozes. Algumas vezes,
a mão que acaricia é a mesma mão que fere, que faz sangrar o coração.
Assim, também crescemos pela dor. E as fendas que esvaem-se em sange, um dia cicatrizam. Mas os quelóides permanecem lustrados pelas adagas de ouro, prata, latão ou ferro, carvados na memória.
Bonito texto. Mesmo com o amargo sabor das nossas desventuras e dores.
Beijos
Obrigado Branca, conseguiste interpretar bem o poema. A você minha amiga o meu carinho e um beijo.
Cristiano Melo · Brasília, DF 26/5/2008 02:47
cristiano...
que venham as adagas...assim como a votação...
um abraço.
samuel.
Cristiano, beleza de poesia ... daquelas perfeitas mesmos...
Me conta, de onde tu tira inspiração para escrever algo assim " Junto às torrentes vermelhas,
Brotam lágrimas cristalinas.
Ricos cristais de pérolas azuis,
No rosto do infeliz."
Muito legal :)
abraços
Samuel, amigão...Continuemos "sempre em frente" como renato Russo cantava. abração do seco cerrado.
Cristiano Melo · Brasília, DF 27/5/2008 09:32
Tita, minha cara, de você fico até encabulado de receber tal elogio, poderia perguntar o mesmo, de onde você tira tanta inspiração para escrever seus lindos e amragos e doces poemas, cheios de profundidade...a resposta? De dentro... De algum lugar que é nosso, próprio, a diferença é que conseguimos expressar por meio de letras construídas em texto, o que a outros o fazem de diversas formas, essa a minha humilde opinião. Muito obrigado pelo carinho
beijinhos
Poema com imagens fortes, bom uso de metáforas e outras figuras de linguagem Parabéns! Passo novamente para reler e votar.
Abraço amazônico
Nossa, vindo de você meu camarada fico "encabulecido"...rs Volte sim, abração.
Cristiano Melo · Brasília, DF 27/5/2008 13:37
Ficou lindo... Li lentamente, percorrendo verso por verso.Tem tanta coisa aí para ser enxergada, para ser absorvida. Tem um menino crescendo, tem muita dor e também a alegria de superar etapas. Tem você. Também me vejo aí, vejo tantos... Crescer dói. Estou pensando cá comigo. Surgem tantas feridas, muitas nunca se fecham, no entanto elas não levam ninguém à morte. Deve ser o dom da "adaga".
Um “sopro” de poesia como a brisa que trás reflexões.
Um beijo dourado pra você!
Cherry...conseguiste interpretar exatamente o que pus nos meus versos, fico contente com isto, muito feliz! Como não consigo seu dom da síntese sai em muitos versos, mas espero que tenha gostado mesmo. bjos e obrigado.
Cristiano Melo · Brasília, DF 27/5/2008 16:32
Sua beleza radiante existe por você ser único. Quando você for apenas mais um, deixará de brilhar.Cada estrela tem um brilho próprio e delas se ilumina o universo...
Cherry, não digo sempre? Olha o seu dom de síntese...ai ai...Só tenho que agradecer a você, beijos na sua estrela.
Cristiano Melo · Brasília, DF 27/5/2008 16:54
cristiano meu caro...votadíssimo...
um abraço.
samuel
Também de coração aberto, abro a votação para essa bela poesia. Abraços
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 27/5/2008 21:27
Cristiano,que bela e profunda poesia
Votando
beijos mil
Ou Cris, Estou voltando e votando na "Construção do Ser">
Beijos
Nossa a fila ta andando rápido, quase que eu perco!
Beijo e voto!
Cristiano, bela poesia sobre como podemos crescer com a dor.
De vez em quando, há expressões que são "chavões" mas trazem, sim, um saber, e lembrei de uma agora, com sua poesia: "crescer dói".
Pois dói, não dói?
Abraço!
Obrigada pela visita à minha poesia.
San, Falcão, David, Tita, Ju, Branca, Cherry e Val, muito obrigado pela votação e desculpe a demora em responder. beijos e abraços.
Cristiano Melo · Brasília, DF 28/5/2008 08:48Branca, continuemos a contruir o ser que há em nós, beijos.
Cristiano Melo · Brasília, DF 28/5/2008 08:49Cherry, vc não perdeu, que bom...rs beijos.
Cristiano Melo · Brasília, DF 28/5/2008 08:49Valéria, seja muito bem-vinda, você mora na cidade onde nasci, que delícia, muitos de meus versos se remetem ao tempo que morei aí. Pois é o chavão de "crescer dói" é mesmo uma verdade quase absoluta, e eu acrescento uma: "só a dor dói"...rs. E não precisa agradecer, seus poemas são belíssimos. beijos.
Cristiano Melo · Brasília, DF 28/5/2008 08:51
num trenga druvida, vrutri ni tru prucue chuncé sabi prutrá cos as cosa du sientimeintio
Mustangue · Porto Alegre, RS 28/5/2008 10:41
Cristiano
É dolorida a construção de todo "ser". E nunca termina. Quando pensamos que está tudo pronto. Nota-se uma trinca, a pintura desbotada, uma goteira. E recomeça a obra, a reforma, as vezes a demolição, para uma nova reconstrução... É sempre tempo. Nós mesmos somos os construtores e os materiais, temos dentro de nós...
Bjo.
Nydia, fico feliz que tenha tido suas reflexões e as tenah colocado em palavras aqui. Concordo com você em tudo, e acredito que para se deixar o processo de contrução do ser..Deve-se haver morte e renascimento, em várias medidas de seu consciente. Deixar o velho para trás e deixar o novo surgir...É uma perfeita transformação, que acho salutar prestamros atenção...Muito obrigado querida. bjos.
Cristiano Melo · Brasília, DF 28/5/2008 16:26
Oi. Lindo seu texto.
Doloroso, pois ainda carecemos da Dor para a nossa Evolução.
Mas um dia quem sabe e sabe, aprenderemos só com o Amor.
Saudações Ayrumânicas hermano... jbconrado.
Ayruman, meu caro, é isso mesmo,a revolução afetiva é urgente!!
Muito obrigado pela presença.
Abração.
EG, muito obrigado meu caro
vo(l)te sempre...rs
abraços.
Cris,
Passei para dizer um alô.
Li e gostei.
Deixo meu beijo e votos,
Regina
Obrigado queida, vo(l)te sempre, beijihos.
Cristiano Melo · Brasília, DF 29/5/2008 06:28
Cristiano rapaz que beleza. é esse corpo, esse ser, carregado de histórias, atravessado por esse feixe confuso de sentimentos em meio a adagas e... vai difuso... seguindo...
muito bom meu caro amigo, adorei.
um abração,
acácio.
Caro Acácio...conseguiste pegar o fio da adaga, risos. Abração e obrigado.
Cristiano Melo · Brasília, DF 29/5/2008 14:55
Cristiano Melo · Brasília (DF)
A Construção do Ser
Poesia Impressionante Para além do normal,
transcendental, metafisica, num outro patamar de entendimento e visáo. Arrojada como um Punhal ferindo, foge de qualquer concepção normal.
E, daqueles dias,
Restam-lhe a memória da dor,
Da passagem da alegria para a tristeza
Da maneira brutal que foi,
Do ser que lhe deveria ter protegido
Mas só lhe feriu.
Poesia é assim ultrapassa limites mesmo na simplicidade.
Como Vaticínios.
Valeu
Abração Amigo
Cristiano Melo · Brasília (DF)
A Construção do Ser
Muito marcante, merecedor de toda votação.
Voltei para o voto quie tem direito.
Caro amigo Azuir, que bom que me trazes a alegre percepção de seu entendimento de meus versos. Fico muito contente mesmo, ainda mais vindo de você com escritos tão marcadamente profundos. Muitíssimo obrigado e um forte abraço de seu amigo Cristiano.
Cristiano Melo · Brasília, DF 30/5/2008 19:56Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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