Um vento gelado soprava nos planaltos de Draco. Pesadas nuvens moviam-se rápido pelo céu escuro, cortando a lua pálida, como corcéis cinzentos na planície distante. De quando em quando, o mundo se iluminava derrepente, surpreendendo a desolação sem fim, os picos de granito nevado e as furtivas criaturas da noite.
O mundo era escuro e brilhante, deserto e vazio, sombras viajando velozes na terra castigada, vales profundos banhados pelo luar.
Coberto por grossas peles negras, um leve tremular no ar envolvendo a cintura, um Guardião observa a noite. Os olhos brilham como fogo por traz dos grandes óculos térmicos; manchas de sangue seco cobrem o pesado traje, a lembrança da luta ainda fresca na memória.
- a gloria é toda deles... - pensou, pela enésima vez.
Os draconianos sempre foram os piores... fortes, duros.
- quase tanto quanto nós...
Mas somente quase. Pois ninguém era como nós. Ninguém.
O orgulho permanecia intocado, mesmo sendo ele o único sobrevivente da escolta. Afinal, tinham sido muitos contra poucos, como sempre. E como sempre, somente um Guardião sobrevivera.
Mas quatro haviam partido aquela noite, suas almas voando rápido como flechas no escuro.
- A gloria é toda deles...
Pois nenhuma gloria era maior que a morte em batalha, a longa batalha pela paz...
Essa era a dura vida de um Guardião.
- nascemos no fogo, crescemos nas cinzas...
O olhar profundo vasculhou o horizonte. Logo seria dia: línguas de fogo varreriam a terra. Mas antes disso sondas cruzariam o céu, vindas do espaço profundo, como iscas de chama. E, disfarçada entre elas, uma nave-sonda de longo alcance.
- mais sangue... - pensou, com naturalidade. Uma rápida batalha e uma fuga veloz, entre corpos sem vida
- De volta aos parsecs... de volta ao lar...
Subitamente, 1 ponto riscou o céu em brasa. E outro. E mais outro. O homem se pôs de pé, a expressão cerrada, o punho apertando o longo cabo da arma.
A sonda esférica perdeu velocidade enquanto se aproximava silenciosamente do sinal emitido, a luz de seu localizador de pulso piscando mais rápido. Parou exatamente acima de seu ponto, se elevando uns 500 metros na escuridão. Seu olhar varreu a desolação à volta, os instrumentos de busca completando a procura. Nada.
- Os Dracons estão perdendo o jeito - pensou, um tanto incrédulo.
Mesmo assim, encaixou o longo cilindro metálico de seu dispersor no espaço entre duas rochas, ativando-o no processo: os minúsculos projeteis sendo atirados em todas as direções em um raio de quinhentos metros, passando a emitir os sinais eletromagnéticos característicos de um campo biológico.
Após alguns instantes conferiu o sensor de pulso. Nada. Nenhum movimento.
Então, silenciosamente, tirou o pesado traje que o cobria, a pele se contraindo de leve ante o frio supremo do planeta. Acionou rapidamente um botão no dispositivo de pulso e o tremular na cintura se estendeu por todo o corpo, o ar alterado envolvendo-o como um bolha quase invisível. Sentiu o peso o abandonando a medida que a temperatura lentamente se elevava dentro do campo eletromagnético. A -10 seus pés se desprenderam do solo, a leveza do ar interno fazendo-o flutuar lentamente em direção à sonda, seu metal o atraindo inexoravelmente, a despeito dos furiosos ventos. A escotilha se abriu silenciosamente, nenhuma luz interna denunciando a entrada.
Pouco depois, na luz fria da aurora, uma sonda negra riscava o céu gelado de Draco...
A primeira parte de pequeno conto de ficção-científica; espero que gostem...
Lindo lindo! seu texto maravilhoso!
votando poeta!
beijos
Pouco depois, na luz fria da aurora, uma sonda negra riscava o céu gelado de Draco...
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Votado. Abraços
Espero pela segunda parte.
Publicado.Um fraterno abraço.
Obrigado, Myrandella; valeu!
Obrigado, ayruman. e isso aí...
abraços.
valeu, Clara; a segunda parte virá em breve...
abraços
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